Resumão Tech 21/10/2026: falha PHP2Shell derruba sites, Tesla lucra 43% menos e começa a fabricar o Optimus, e OpenAI chega ao Google Cloud

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Tela escura de um editor de código com linhas coloridas de PHP, com funções, variáveis com cifrão e numeração de linhas à esquerda

Bom dia! Este é o Resumão Tech da quarta-feira, 21 de outubro de 2026. O assunto que parou a internet foi o PHP2Shell, duas falhas críticas no PHP, a linguagem por trás de uns 70% dos sites, achadas com ajuda de IA e corrigidas às pressas. A Tesla viu o lucro cair 43%, prometeu vender o Cybercab ainda este ano e começou a fabricar o Optimus na Califórnia. A Meta vai criar ações sem direito a voto para bancar a IA, a OpenAI levou seus modelos para a nuvem do Google, a Anthropic apresentou o Claude Duet e a Recursive soltou um modelo de programação que roda no notebook. A SpaceX quer pegar os dois estágios da Starship com a torre no próximo voo. Na bancada, a Espressif lança o ESP-Mosaico, alguém fez uma placa barata de visão estéreo para robôs e o Raspberry Pi Pico ganhou servidor SSH. Na robótica, além do Optimus, um exoesqueleto de mão open source e um enxame de robozinhos que aprendeu a trabalhar em equipe.

1. PHP2Shell: duas falhas antigas no PHP, achadas com IA, derrubam sites pelo mundo

Tela escura de um editor de código com linhas coloridas de PHP, com funções, variáveis com cifrão e numeração de linhas à esquerda
Código PHP num editor. Foto: lmonk72, via Wikimedia Commons (CC0)

O projeto PHP lançou as versões 8.5.12, 8.4.27, 8.3.36 e 8.2.35 para corrigir duas vulnerabilidades críticas (CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619) que permitem a um invasor sem login executar código no servidor. Segundo o php.net, o risco vale para toda instalação que atende páginas, seja PHP-FPM, Apache com mod_php, php-cgi, FrankenPHP ou LiteSpeed, e é maior no mod_php. A Wiz, que batizou o caso de PHP2Shell, diz que toda versão lançada na última década é afetada por pelo menos uma das falhas. A NSA, agência americana, e o centro de cibersegurança do Reino Unido recomendaram tirar do ar o que não pudesse ser atualizado na hora, e sites como 4chan, DeviantArt e Wikipedia tiveram problemas, enquanto órgãos de governo da Holanda e da Finlândia desligaram páginas por precaução, segundo o The Verge.

O detalhe que define a época é como as falhas foram achadas. A empresa de testes Calif, dentro do programa “Patch the Planet” da OpenAI, achou uma delas com o GPT-5.6 Sol, e a Wiz encontrou outras usando seu agente Wiz Atlas, o Gemini 4 Argon e o próprio GPT-5.6 Sol. Os bugs estavam ali havia anos, mas explorá-los exigia uma cadeia de passos tão complexa que quase ninguém conseguia; com IA, essa barreira caiu, como alerta a própria Wiz. O WordPress lembrou que a falha não é dele, é do PHP: quem tem site precisa conferir com a hospedagem se o servidor já está numa versão corrigida.

Fontes: PHP.net · Wiz Research · TechCrunch · The Verge

Relacionado: O hacker que soltou um exército de agentes de IA (Resumão 19/10) · Cyberdecks: a volta do computador com alma.

2. Tesla: lucro cai 43%, Cybercab à venda até o fim do ano e FSD sem supervisão só em 2027

A Tesla fechou o terceiro trimestre com receita de US$ 28,04 bilhões, praticamente igual à do mesmo período de 2025, e lucro líquido de US$ 787 milhões, 43% menor, segundo o TechCrunch. Foram 486.532 carros entregues, a área de energia caiu 16%, para US$ 2,8 bilhões, e a de serviços, que inclui a assinatura do FSD, subiu 33%, para US$ 4,6 bilhões. O que comeu o lucro foi o gasto com IA, direção autônoma e o robô Optimus, que aparece lá embaixo, na seção de Robótica.

Na teleconferência, o vice-presidente de engenharia Lars Moravy disse que a empresa vai começar a vender o Cybercab, o táxi autônomo de dois lugares sem volante, a clientes até o fim do ano, começando pequeno. Já a versão sem supervisão do FSD para os donos de Tesla ficou para o segundo trimestre do ano que vem, mais um adiamento. Pesa contra o plano uma investigação da NHTSA, a agência americana de segurança viária, sobre se o Cybercab atende às normas.

Fontes: TechCrunch (resultado) · TechCrunch (Cybercab) · Ars Technica

Relacionado: Elon Musk: o homem mais polêmico da tecnologia.

3. Meta vai criar ações sem direito a voto para pagar a conta da IA

A Meta faturou US$ 64 bilhões no terceiro trimestre, alta de 26% em um ano, mas os custos e despesas subiram 68%. Na teleconferência, a diretora financeira Susan Li confirmou que a empresa vai criar uma nova classe de ações sem direito a voto, distribuída a todos os acionistas como dividendo em ações, para usar em captação de dinheiro, remuneração de funcionários e aquisições preservando o poder de voto dos acionistas atuais e a estrutura comandada pelo fundador.

É um sinal do tamanho da conta: a corrida da IA já exige formas novas de financiamento, até para uma das empresas mais lucrativas do mundo. Zuckerberg repetiu que o assistente Muse passou de 10 milhões de usuários nos EUA e no Canadá e disse que a empresa entra agora numa fase focada em escalar o produto.

Fontes: TechCrunch · The Verge

Relacionado: Meta abre o Muse Spark para rodar em Macs (Resumão 15/10).

4. Modelos da OpenAI chegam ao Google Cloud e, em breve, ao Antigravity

A OpenAI e o Google Cloud anunciaram uma parceria para colocar os modelos de ponta da OpenAI e o agente de programação Codex no Model Garden, o catálogo de modelos do Google Cloud. Empresas vão poder comprá-los pelo Google Cloud Marketplace e abater do valor que já se comprometeram a gastar com o Google. Os modelos também devem chegar “em breve” ao Antigravity, o ambiente de programação com agentes do Google, e ao Gemini Agent. A disponibilidade geral está prevista para as próximas semanas.

A própria OpenAI faz questão de dizer que a Microsoft continua sendo sua principal parceira de nuvem. Mesmo assim, ver o GPT dentro da casa do Gemini, um dia depois de o Google abrir o TorchTPU, mostra que a briga agora é para estar onde o cliente já trabalha.

Fontes: OpenAI · Ars Technica

Relacionado: Google abre o TorchTPU (Resumão 20/10).

5. Anthropic lança o Claude Duet, um agente pessoal que trabalha sozinho

A Anthropic apresentou o Claude Duet, em prévia de pesquisa com lista de espera aberta só para assinantes do Claude nos EUA. Ele monta um resumo diário com pendências dos apps conectados, executa tarefas que vão de marcar reuniões a montar painéis e protótipos, roda numa máquina virtual própria, mesmo com o Claude fechado, e pede confirmação antes de agir em nome do usuário. Usa o modelo Opus 5.5 e ganha apps próprios para Android e iOS.

É a resposta da Anthropic ao Muse, da Meta, e aos Dots, da OpenAI. Segundo o Engadget, o Duet deve chegar ao plano Pro, de US$ 20 por mês, quando sair da prévia, enquanto os Dots exigem planos a partir de US$ 100. A empresa diz que o agente consulta as contas a cada poucas horas para não estourar os limites do plano, nunca vê senhas nem tokens de acesso e só repassa dados de saúde ou finanças com autorização explícita.

Fontes: Claude (Anthropic) · Engadget

Relacionado: Na Anthropic, agentes já trabalham 6 vezes mais que gente (Resumão 17/10).

6. Recursive lança o Flint, modelo de programação que roda no notebook e foi feito quase todo por IA

A Recursive, startup de Richard Socher, ex-cientista-chefe da Salesforce, lançou seu primeiro modelo, o Flint, gratuito no Hugging Face sob licença Apache 2.0. É um modelo de mistura de especialistas com 40 bilhões de parâmetros, dos quais só 2,5 bilhões trabalham a cada passo, o que o deixa leve o bastante para um notebook comum. Nos testes da empresa, ele gerou cerca de 131 tokens por segundo num MacBook Pro com M4 Pro, uns o dobro de modelos parecidos, e liderou o SWE-Bench Verified entre os modelos com menos de 50 bilhões de parâmetros.

O curioso é o processo: o sistema de pesquisa automatizada da empresa, o Eureka Machine, ajudou em quase todas as etapas, e uma equipe pequena construiu o modelo do zero em menos de quatro meses, sempre sob supervisão humana. Para quem programa, a vantagem é prática: trabalhar offline, com o código em casa e sem pagar por uso. A própria Recursive avisa que ele precisa de mais orientação que os grandes assistentes pagos.

Fontes: TechCrunch

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7. SpaceX vai tentar pegar os dois estágios da Starship com a torre no próximo voo

Booster Super Heavy da Starship descendo com os motores acesos ao lado da torre de lançamento, com os braços abertos para a captura, sob céu alaranjado
O Super Heavy na aproximação final para ser pego pelos braços da torre, em 2024. Foto: Steve Jurvetson, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

Na mesma teleconferência com investidores, Musk anunciou que o voo de teste 15 da Starship, que pode acontecer já no mês que vem, vai tentar capturar com os “palitinhos” da torre não só o booster Super Heavy, como já foi feito antes, mas também o estágio de cima, a Ship. A empresa exibiu uma simulação da manobra. No voo 14, os dois estágios caíram no mar, e a Ship teve a viagem encurtada por falha num motor.

Pegar a Ship é bem mais difícil, porque ela volta de mais alto e mais rápido que o booster. É a peça que falta para um foguete totalmente reutilizável, e, segundo a Ars Technica, a SpaceX mira chegar a lançamentos semanais no começo de 2027.

Fontes: Engadget · Ars Technica

Relacionado: IA já é metade da receita da SpaceX (Resumão 20/10).

Maker & Prototipagem

Espressif lança o ESP-Mosaico, placa modular feita para programar com IA

Mão segurando o ESP-Mosaico, um cubo pequeno e achatado com tela quadrada sensível ao toque mostrando relógio, clima e ícones de câmera, portfólio e ajustes
O ESP-Mosaico, com tela quadrada de 480 × 480 pixels. Imagem de divulgação: Espressif, via CNX Software

Anunciado pela Espressif e detalhado pela CNX Software nesta quarta, o ESP-Mosaico é um módulo de bolso com tela OLED sensível ao toque de 480 × 480 pixels, vibração, bateria, USB-C e conectores de expansão. Dentro está o novo ESP32-S31, um chip RISC-V de até 320 MHz com 512 KB de SRAM, até 32 MB de PSRAM, Wi-Fi 6, Bluetooth 5.4, rádio 802.15.4 e Ethernet de 1 Gbps. Os módulos, como câmera e botões, são reconhecidos sozinhos, e vários Mosaicos sabem a posição uns dos outros, o que permite jogos e painéis que se espalham por várias telas.

A proposta é programar conversando: no modo Chat Coding, o agente ESP-Claw gera o app a partir de um pedido em linguagem natural; no Vibe Coding, agentes de IA implementam, gravam e testam no hardware. Segundo a CNX, o kit completo com câmera e módulo de interação sai por US$ 59 na loja oficial, e a bateria extra por US$ 15.

Fontes: Espressif · CNX Software

Uma placa barata de visão estéreo para dar noção de distância a robôs

O maker Ryan Walker projetou uma placa de visão estéreo que faz sozinha a captura e o cálculo de profundidade, sem depender de um computador. Ela usa o chip Rockchip RV1103 (Arm Cortex-A7 de 1,1 GHz e 64 MB de RAM) com duas câmeras OV9281 e roda Linux montado com Buildroot. O motor de vídeo do chip compara pedaços das duas imagens em hardware, e a diferença de posição entre elas vira distância, como fazem os nossos olhos. A ideia é ligar a placa por serial a um robô com Arduino, que ganha desvio de obstáculos sem gastar processamento. É um projeto pessoal ainda em evolução, não um produto à venda.

Fonte: Hackster.io

Agora dá para entrar por SSH num Raspberry Pi Pico

Ricardo Marques colocou um servidor SSH num microcontrolador RP2040, usando a placa WIZnet W5500-EVB-Pico, que junta o chip do Pico a um controlador de rede com porta Ethernet. O firmware, feito no PlatformIO, está no GitHub e também funciona com um Pico comum e um módulo W5500 separado. Por enquanto ele só liga, desliga e pisca o LED da placa, mas mostra um jeito simples e seguro de controlar um projeto pela rede local.

Fonte: Hackster.io

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Robótica

Tesla começa a produzir o Optimus em Fremont

Robô humanoide Optimus, da Tesla, branco e preto, de pé ao ar livre à noite com as mãos levantadas, cercado por pessoas
Um Optimus em demonstração num evento da Tesla. Foto: Steve Jurvetson, via Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

A Tesla anunciou que começou a fabricar o humanoide Optimus na fábrica de Fremont, na Califórnia, num espaço que antes montava carros. Na carta aos acionistas, a empresa diz que são os primeiros robôs com qualidade de produção e que o processo já serve para um produto comercial. Musk chamou a fase de “produção inicial”, avisou que o ritmo vai crescer devagar e aos solavancos e admitiu que ainda falta muito trabalho na IA para o robô ser útil em tarefas abertas. Mesmo assim, ele afirma que a Tesla fará 20 mil Optimus por semana até o fim de 2027, uma meta que, pelo histórico de prazos da empresa, vale olhar com cautela.

Fonte: TechCrunch

TAKTO ONE, um exoesqueleto de mão open source que grava e reproduz movimentos

Para o mestrado na Universidade de Ciências Aplicadas de Anhalt, na Alemanha, o engenheiro Sebastian Molano construiu o TAKTO ONE, um exoesqueleto de mão de código aberto. Uma braçadeira com até 10 servos Dynamixel XC330, controlados por uma Teensy 4.1, puxa “tendões” de cabo que movem duas articulações de cada dedo, com encoders magnéticos, sensores de movimento e um sensor de atividade muscular MyoWare 2.0. Ele pode ajudar quem tem pouca força nos dedos e também gravar uma sequência de movimentos para reproduzir depois, o que abre a ideia de “sentir” na mão como um pianista toca. Não está à venda, mas os arquivos estão no GitHub para quem quiser montar.

Fonte: Hackster.io

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Robôs com Raspberry Pi aprendem a trabalhar em equipe vendo um robô só

Pesquisadores do AIST, do Instituto de Ciência de Tóquio e da Universidade de Tóquio treinaram um grupo de robôs Raspberry Pi Mouse V3, cada um com um Raspberry Pi 4 e uma Camera Module 3, para recolher 28 blocos laranja espalhados num espaço de 3,5 metros e empurrá-los para o centro. O treino usou só demonstrações de uma pessoa pilotando um robô por joystick, inclusive com outros robôs se mexendo em volta, e nenhum robô conversa com os outros. A rede neural, com 2,4 milhões de parâmetros, roda direto no Raspberry Pi, sem GPU, cinco vezes por segundo.

Fonte: Hackster.io

O Resumão Tech sai todo dia de manhã cedo. As notícias foram conferidas nas fontes linkadas; imagens com crédito e licença nas legendas.

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