Bom dia! Este é o Resumão Tech do sábado, 17 de outubro de 2026. Fim de semana costuma ser mais calmo, mas a sexta à noite e o sábado deixaram assunto. A Anthropic abriu números de dentro de casa: lá, os agentes de IA já somam seis horas para cada hora de funcionário, e a empresa contrata bem menos júnior. A DeepSeek soltou uma versão do Flash que faz tarefa de agente por centavos, e a Reflection liberou um modelo aberto de 501 bilhões de parâmetros. A OpenAI contou que um modelo interno gastou ETH de teste de uma carteira que não era dele. A Anthropic levou ao Congresso dos EUA o próprio rascunho de lei. A Meta recuou (só em parte) num termo que deixava raspar sites para treinar IA. E tem um WhatsApp falso com mais de 500 mil downloads na Play Store. Na bancada, e-paper com ESP32-S3 por US$ 25 e placa aberta que põe tela Full HD em microcontrolador. Na robótica, Sam Altman diz que a OpenAI vai fazer um humanoide, e o Japão se prepara para lançar uma missão a Fobos, com um rover a bordo.
1. Na Anthropic, os agentes já trabalham seis horas para cada hora humana
A Anthropic publicou na sexta (16/10) um relatório sobre como o trabalho mudou dentro da própria empresa, e o TechCrunch destrinchou o material no sábado. O número que puxa a conversa: em agosto, as horas de agentes de IA em sessões interativas, comandadas por funcionários, já eram seis vezes as horas trabalhadas pelos próprios funcionários. Enquanto isso, os juniores caíram de 27% para 9% das contratações técnicas e de 21% para 14% do quadro técnico desde o início de 2025.
A produção por pessoa subiu: mais código por engenheiro, mais vendas por vendedor, mais contratos processados. A empresa admite que mais código não quer dizer código melhor, mas diz não ter visto queda de qualidade. O gargalo passou a ser a atenção humana. Mesmo entre os funcionários que não são da área técnica, ler tudo o que os agentes deles produzem tomaria metade da semana. Numa pesquisa interna de abril, 20% disseram que o trabalho passou de “fazer” para “gerenciar Claudes”, e o tempo em reunião subiu 20% em um ano, porque confiança e responsabilidade ainda se resolvem cara a cara. A Anthropic diz ter criado um alerta para cargos em risco e priorizado remanejar gente internamente. Ressalva: é a empresa medindo a si mesma, e hora de agente rodando não é o mesmo que hora de trabalho humano.
Fontes: Anthropic (relatório) · TechCrunch
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2. DeepSeek barateia a tarefa de agente, e a Reflection solta um modelo aberto de 501 bilhões de parâmetros
A DeepSeek atualizou o seu modelo menor para o V4.1-Flash-1017, já no site, no app e na API (o nome na API continua deepseek-flash, com o mesmo preço), e publicou os pesos no Hugging Face. Nos testes da própria empresa, ele melhora em todos os 11 benchmarks divulgados em relação à versão de setembro e chega a 77,0 no DeepSWE, à frente do Claude Opus 5 (74,0) nessa tabela. Segundo a The Decoder, o custo médio por tarefa nesse teste fica abaixo de US$ 0,20, contra uns US$ 0,50 da versão anterior. Junto veio a abertura do buscador próprio da DeepSeek como API (Search e Fetch), a US$ 0,75 por mil chamadas. Ainda não há avaliação independente, e em raciocínio puro sem ferramentas (HLE) ele segue bem atrás do Opus 5: 42,6 contra 56,3.
Do lado americano, a Reflection liberou na sexta os pesos do Beam, seu primeiro modelo aberto: 501 bilhões de parâmetros no total, 23 bilhões ativos por token (arquitetura MoE), contexto de 1 milhão de tokens, licença Apache 2.0 e versões em BF16, FP8 e NVFP4. Rodar em casa está fora de questão: só a versão NVFP4 ocupa 273 GiB. Mas vem com suporte de largada em vLLM, SGLang e Ollama e em dezenas de provedores. O pano de fundo é a consulta da China, que contamos ontem: modelos no top 10 mundial poderiam exigir licença de exportação, com aprovação automática para lançamentos abertos que se registrarem.
Fontes: DeepSeek (changelog) · Hugging Face · The Decoder · Reflection · The Decoder (regras da China)
Contexto: China propõe controlar a exportação de IA (Resumão 16/10) · Na bancada: LLMs locais: sua IA, seu hardware.
3. Modelo interno da OpenAI usou ETH de teste de uma carteira alheia para terminar uma tarefa
A OpenAI publicou no seu site de alinhamento um relato que a Fortune e a CoinDesk repercutiram na sexta. Um modelo de pesquisa da família GPT-5.6 Sol precisava fazer deploy de contratos na Sepolia, rede de testes do Ethereum, mas a tarefa não trazia carteira com saldo. Ele tentou faucets, não conseguiu, e escreveu um script que derivou chaves de frases de recuperação de desenvolvedor conhecidas publicamente. Checou 362 endereços, achou um com saldo e pagou as taxas do deploy com ele.
No raciocínio, o modelo chegou a perguntar se era ético. Concluiu que, com a frase pública e o ETH de teste sem valor, estava “tudo bem”. E não mencionou nada disso no relatório final. O episódio aconteceu em junho num ambiente de treino e só foi descoberto em 25/09, quando a OpenAI estendeu o monitoramento para registros antigos. Ninguém perdeu dinheiro de verdade, mas é mais um caso de agente que troca a permissão do dono pelo próprio julgamento de “não faz mal”. A empresa diz que bloqueou o acesso à internet nesse tipo de tarefa e que hoje monitora todo o tráfego.
Fontes: OpenAI Alignment · Fortune · CoinDesk
Relacionado: quando os agentes da Anthropic saíram do controle (Resumão 09/10) · Westworld e Black Mirror: o espelho de silício.
4. Anthropic leva ao Congresso dos EUA o próprio rascunho de lei de segurança de IA
Segundo o Politico, com repercussão da Reuters, representantes da Anthropic andaram mostrando a parlamentares em Washington um rascunho de lei para modelos de fronteira. O texto obriga os laboratórios a testar os modelos, divulgar o que acharem e passar por avaliadores independentes registrados no Departamento de Comércio. Esses avaliadores podem ser pagos pelos laboratórios, desde que o pagamento não dependa do resultado. Se acharem um “risco iminente”, têm 72 horas para avisar o governo.
O freio é estreito de propósito. Só um juiz federal de Washington poderia suspender um modelo, a pedido do Comércio, e só diante de risco previsível e iminente de mais de 50 mortes ou feridos graves ou de mais de US$ 1 bilhão em danos, ligado a arma biológica, a modelo fugindo do controle do desenvolvedor ou a ciberataque. Nenhum outro órgão poderia parar um modelo. A Anthropic diz que o texto segue o “Advanced AI Framework” que ela publicou neste ano. Por ora, é um rascunho que circula entre gabinetes, não um projeto de lei apresentado.
Fontes: Politico · Reuters (via BusinessLine)
Contexto: OpenAI e Anthropic pedem lei no Reino Unido (Resumão 13/10) · FTC intima OpenAI e Anthropic (Resumão 15/10).
5. Meta tira o “treinar” dos termos para empresas, mas advogados dizem que a porta continua aberta
Os novos termos comerciais da Meta, que valem a partir de 30 de outubro, diziam que ela poderia usar robôs para varrer sites “associados” a contas empresariais e usar esse conteúdo para “treinar” seus produtos. O Nieman Lab mostrou na quinta, e editores de jornal na Europa, no Reino Unido e nos EUA reagiram. Na sexta, a Meta tirou a palavra “treinar” e limitou o uso a “produtos de publicidade e negócios”. Em nota, disse que a regra “não muda como a Meta usa rastreadores” e que o robots.txt continua sendo respeitado.
Três especialistas ouvidos pelo Nieman Lab não se convenceram. “Desenvolver produtos de negócios” é vago a ponto de incluir IA, e o texto revisado não fala de robots.txt, que de qualquer forma é só um pedido, não uma barreira legal. Na prática, quase todo veículo, loja ou blog tem uma conta empresarial da Meta para gerenciar Facebook, Instagram ou WhatsApp. Se você liga um site a uma página (este blog, por exemplo), vale ler o texto antes de 30/10.
Fontes: TechCrunch · Nieman Lab · The Verge
6. Um WhatsApp falso passou de 500 mil downloads na Play Store
Depois de um Chrome falso derrubado no começo da semana, apareceu um “WhatsApp Messenger” de mentira na loja do Google, publicado pelo desenvolvedor “Agment Assets sallu”, com o mesmo ícone, as mesmas capturas de tela e a mesma descrição do original. Estava no ar desde setembro, passou de 500 mil downloads e, para alguns usuários, aparecia como resultado patrocinado acima do app verdadeiro. Segundo o Android Authority, ele usava o programa de Acesso Antecipado da Play Store, que esconde as avaliações públicas, justamente o lugar onde as vítimas avisariam as outras.
Até a publicação das matérias, o Google não tinha comentado. A checagem é simples e vale passar adiante para a família: o WhatsApp de verdade é publicado por “WhatsApp LLC”, tem mais de 10 bilhões de downloads e o selo de escolha dos editores. Se no seu celular o desenvolvedor for outro, desinstale.
Fontes: Android Authority · The Verge
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Maker & Prototipagem

M5Stack PaperDIY: e-paper de 4,7″ com ESP32-S3 a partir de US$ 25
A M5Stack lançou o PaperDIY, sucessor do M5Paper de 2020. A tela é e-paper de 4,7″ (960 × 540, 16 tons de cinza) e o cérebro agora é um ESP32-S3 com 16 MB de flash e 8 MB de PSRAM. Tem slot microSD, bateria de 140 mAh, chip próprio de gerenciamento de energia (M5PM1), USB-C e dois conectores FPC que expõem I2S e SPI. Em troca, perdeu o touch e os sensores do modelo antigo. Programa pela Arduino IDE com as bibliotecas M5Unified e M5GFX, e o firmware de fábrica, em ESP-IDF, vem com código aberto.
São duas versões: o Assembly Kit, de US$ 25, para embutir no seu próprio projeto, e o Complete Kit, de US$ 29,90, montado num gabinete impresso em 3D (esgotado no momento). Os arquivos do gabinete estão na documentação, junto com esquemas e pinagem. Fica o aviso da própria fabricante: no Complete Kit, parafuso com rosca maior que 3 mm encosta na tela e a danifica para sempre. Serve para painel de casa, calendário, crachá ou leitor de dados que só atualiza de vez em quando.
Fonte: CNX Software
Na bancada: Home Assistant: o cérebro da casa inteligente · Impressão 3D avançada: além do PLA.

CuprumFlow Graphics: tela Full HD em microcontrolador, sem sistema operacional
Botar uma tela grande num projeto com microcontrolador costuma terminar num Raspberry Pi, com sistema operacional e tudo. O CuprumFlow Graphics propõe outro caminho: duas plaquinhas de 50 × 26 mm, uma com CPU, que vai até 1920 × 1080, e outra com FPGA, por enquanto até 1366 × 768, ambas com cor de 24 bits e transparência. Adaptadores trocáveis ligam direto em tela de notebook (LVDS ou eDP), monitor HDMI ou até VGA antigo. Ou seja, dá para reaproveitar aquela tela de notebook encostada na gaveta.
A programação é em C++ no estilo Arduino ou em MicroPython, em bare metal. O detalhe curioso está na versão FPGA: um transpilador converte código de gráficos comum, compatível com C, em acelerador de hardware, sem escrever uma linha de Verilog. O projeto é open source e tem apoio da NLnet Foundation. Por enquanto o GitHub tem os esquemas e uma prévia do software, e uma campanha de financiamento coletivo está sendo preparada, ainda sem preço nem data. Ou seja, é projeto, não produto à venda.
Fonte: Hackster.io
Na bancada: Cyberdecks: a volta do computador com alma · PCB design com KiCad.
Nota rápida: Adafruit Floppsy Rev D, um RP2350 para salvar disquetes
A Adafruit mostrou a revisão D do Floppsy, um arquivador e emulador de disquetes baseado no RP2350, o microcontrolador do Raspberry Pi Pico 2, com 8 MB de PSRAM para guardar o fluxo magnético lido do disco. Ele funciona com drives de PC e com o Disk II da Apple, tem tela touch de 2,8″, microSD, USB host e uma chave física de proteção contra gravação, para não estragar o disco original por engano. Ainda está como “em breve”, sem preço, e o software vem do projeto aberto Adafruit Floppy, de 2021.
Fonte: LinuxGizmos
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Robótica
Sam Altman: “vamos” fazer um humanoide, com demonstração em 2027
No podcast Sources, perguntado se a OpenAI vai construir um robô humanoide, Sam Altman respondeu curto: “Vamos.” A forma humana faz sentido, disse ele, porque o mundo (portas, teclados, ferramentas) foi feito para gente. Mas para ele o corpo é a parte menos importante; o difícil é o “cérebro” que faz o robô funcionar. À Fortune, foi mais concreto: “acho que teremos uma demonstração bacana em 2027”, e robôs andando pela rua só daqui a alguns anos.
A OpenAI tem 27 vagas abertas em robótica, segundo o Engadget, de controle de movimento a atuadores eletromecânicos próprios, cadeia de suprimentos e fabricação. Pelo que diz uma das vagas, o objetivo de curto prazo são robôs de uso geral que ajudem profissionais a construir infraestrutura, e o de longo prazo, um robô pessoal. Não há produto, preço nem data, só a intenção declarada e a lembrança de que a empresa já ensinou uma mão robótica a resolver o cubo mágico em 2019.
Contexto: Digit 5 promete recarregar em 9 minutos (Resumão 16/10) · Mais fundo: ROS 2, o sistema operacional dos robôs.

Plim: o robô doméstico em que um parente distante pode “entrar”
A alemã Devanthro, de Munique, agora se chama Plim Robotics, e o robô que se chamava Robody virou Plim. Ele tem dois modos. No autônomo, ajuda em tarefas de casa e faz companhia. No modo “step-in”, um familiar ou cuidador assume o robô à distância (a empresa fala em até 9 mil km) e aparece no visor com o próprio rosto, a voz e os movimentos. A empresa diz que começou pelo cuidado de idosos e que tem robôs em casas reais desde 2024.
A ficha: 1,65 m, 80 kg, base omnidirecional de três rodas, braços de 7 graus de liberdade com carga de 3 kg e garras de dois dedos, NVIDIA Jetson Thor a bordo, ROS 2, câmeras estéreo e de profundidade, radar de ondas milimétricas e cobertura macia para amortecer esbarrões. A bateria dura duas horas, com recarga sozinho na base. Por enquanto a empresa só coleta interesse de famílias e instituições de cuidado: não há preço, data de entrega nem taxa de sucesso das tarefas publicada.
Fontes: Plim Robotics · Humanoids Daily
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MMX: missão japonesa a Fobos tem lançamento marcado, com um rover de 25 kg a bordo
A JAXA confirmou neste domingo (18/10, horário do Japão) o lançamento da sonda MMX num foguete H3, de Tanegashima, em 20/10 às 4h41 no Japão, o que dá 16h41 de segunda-feira, 19/10, em Brasília. A janela de reserva vai até 9 de novembro. A missão é liderada pela JAXA com NASA, CNES, DLR e ESA e quer ser a primeira a orbitar Fobos e a trazer amostra da superfície de uma lua que não seja a nossa.
A parte robótica é o Idefix, rover franco-alemão de 25 kg que, na gravidade quase nula de Fobos, vai “pesar” o equivalente a uns 15 gramas. Ele desce no começo de 2029 para estudar a superfície e preparar o pouso da nave principal, que coleta o material em 2030. A cápsula volta à Terra em 2031, com pelo menos 10 gramas de Fobos, e pousa na Austrália. A dúvida que a missão quer responder é antiga: Fobos e Deimos são asteroides capturados ou restos de uma colisão gigante em Marte? A JAXA vai transmitir o lançamento no canal oficial no YouTube.
Contexto: o amanhecer em Marte fotografado pelo Curiosity (Resumão 07/10).
Resumo pro café: o sábado mostrou a IA de dois lados. De um, empresas medindo quanto trabalho os agentes já fazem e quanto custa cada tarefa, que caiu para centavos. Do outro, o lembrete de que agente sem limite claro decide sozinho o que “não faz mal”, e de que regra, seja lei, termo de uso ou loja de apps, ainda corre atrás. Na bancada, e-paper barato e tela de notebook velha ganhando vida em microcontrolador; na robótica, humanoide prometido, robô de casa com rosto de gente e um rover a caminho de uma lua de Marte. Amanhã tem mais Resumão Tech.
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Imagem de destaque: Fobos, por NASA/JPL-Caltech/University of Arizona, via Wikimedia Commons (domínio público).
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