Bom dia! Este é o Resumão Tech da quinta-feira, 22 de outubro de 2026. A autoridade certificadora indiana eMudhra desistiu do negócio de certificados TLS depois que oito certificados intermediários dela apareceram com chaves privadas que dava para adivinhar. A Amazon contou que o PHP2Shell já era explorado quatro dias antes do aviso público. A Microsoft publicou na Science o sistema de IA que diagnostica casos difíceis melhor que clínicos gerais. No dinheiro, a OpenAI negocia uma rodada que a avaliaria em US$ 1,25 trilhão, e o DeepSeek teria levantado US$ 15 bilhões. As vendas de PCs caíram 21% por causa da memória cara, o 1Password deixa agentes de IA entrarem nas suas contas sem ver a senha e o Canva lançou o próprio modelo de imagem. Na bancada, tem um ESP32-C5 que vira receptor de FPV, o Arduino App Lab 0.11, o hotend de 400 °C da Prusa e um plotter SCARA impresso em 3D. Na robótica, a Dream Labs abre uma API que controla robôs pela câmera, a Warp Sciences quer robôs no laboratório químico e a Nvidia amplia o Cosmos.

1. Chaves adivinháveis em oito certificados derrubam a eMudhra do mercado de TLS
A eMudhra, autoridade certificadora (CA) indiana, emitiu seis certificados intermediários para TLS e dois para assinatura de código com chaves P-384 que tinham só de 3 a 8 bits de entropia, ou seja, uma chave privada que qualquer um recupera em segundos. Elas nasceram numa “cerimônia de chaves” de 30 de abril de 2025 e foram denunciadas por um pesquisador em 17 de outubro. Na prática, quem tivesse essas chaves poderia emitir um certificado válido para qualquer domínio.
Chrome e Firefox bloquearam os intermediários em 17/10, a Apple e a Microsoft fizeram o mesmo nos dias seguintes, e o Google vai tirar a raiz emSign ECC Root CA – G3 do Chrome em 27/10. Não há certificados dessas chaves nos registros de Certificate Transparency, então navegadores que exigem CT estão protegidos. O risco fica com o curl, dispositivos IoT, contêineres e aparelhos antigos que confiam no repositório de raízes do sistema e não exigem CT, por isso vale atualizar. Nesta quinta, a eMudhra anunciou que vai sair do negócio global de SSL/TLS, citando custos, a concorrência das CAs gratuitas e o fato de a área render só cerca de 1% da receita.
Fontes: Ars Technica · Google · eMudhra · SecurityWeek · Tom’s Hardware
2. PHP2Shell: ataques começaram quatro dias antes do aviso público
A Amazon disse que os honeypots da rede MadPot registraram uma tentativa de explorar o PHP2Shell (CVE-2026-109618 e CVE-2026-109619) em 17 de outubro, quatro dias antes da divulgação, vinda de um IP de rede de anonimização. Ainda não se sabe como o atacante teve acesso aos detalhes durante o embargo. Depois que o patch saiu, apareceram várias provas de conceito em poucas horas, e a Amazon diz que a falha agora é “amplamente explorada”.
A NSA recomendou que quem usa PHP atualize imediatamente ou tire o sistema do ar até corrigir. A Amazon sugere investigar logs a partir de 17/10, e não da data do aviso, e procurar requisições POST com a string PHP_SESSION_UPLOAD_PROGRESS. A lição que a empresa tira é que a IA encurtou o tempo entre o patch e o exploit funcionando, então prazo de correção em servidor exposto passa a contar em horas.
Fontes: AWS Security Blog · Ars Technica / Financial Times · BleepingComputer
Relacionado: PHP2Shell: duas falhas antigas no PHP, achadas com IA, derrubam sites pelo mundo (Resumão 21/10).
3. IA da Microsoft acerta mais que clínicos gerais em casos difíceis, segundo estudo na Science
O MAI-DxO (Microsoft AI Diagnostic Orchestrator) funciona como uma junta médica de agentes de IA: eles discutem sintomas e histórico, decidem que exames pedir e chegam a um diagnóstico. Em casos publicados no New England Journal of Medicine, o sistema acertou cerca de 83%, contra 36% de clínicos gerais com material de consulta e 22% sem ele. Em casos de pronto-socorro do Beth Israel Deaconess, em Boston, foram 80% contra 47%, e com custo estimado de exames menor.
Há ressalvas importantes: o teste usou só casos antigos, não comparou com especialistas, e parte grande do ganho vem dos modelos-base (GPT-5 nos resultados publicados). O próprio Mustafa Suleyman diz que falta validação clínica. A Microsoft promete abrir o benchmark SDBench e começar testes em hospital com o Beth Israel nos próximos meses.
Fontes: Science · Microsoft AI · The Verge · TechCrunch
Relacionado: OpenAI compra a Orchestra Bio para levar agentes ao desenvolvimento de remédios (Resumão 20/10).
4. OpenAI negocia rodada a US$ 1,25 trilhão, e DeepSeek teria levantado US$ 15 bilhões
Segundo a CNBC, a OpenAI está perto de fechar uma rodada de até US$ 30 bilhões com avaliação de US$ 1,25 trilhão antes do aporte, liderada por investidores dos Emirados Árabes e pela Coatue. Seria uma ponte até a abertura de capital: a empresa entregou papéis confidenciais de IPO em junho e foi avaliada em US$ 852 bilhões em março. Os termos ainda estão em negociação, e a OpenAI não comentou.
Do outro lado do Pacífico, a Bloomberg informou que o DeepSeek levantou cerca de US$ 15 bilhões (uns 100 bilhões de yuans), com CATL e Tencent entre os possíveis investidores. A notícia veio dois dias depois de o governo dos EUA mandar as agências federais removerem o DeepSeek.
Fontes: CNBC · TechCrunch (OpenAI) · TechCrunch (DeepSeek)
Relacionado: EUA tiram o DeepSeek de todas as agências civis do governo federal (Resumão 19/10).
5. Venda de PCs cai 21% no trimestre, e a culpa é da memória cara
A Counterpoint Research estima que saíram 57 milhões de PCs no terceiro trimestre de 2026, queda de 21% em um ano e de 13,8% sobre o trimestre anterior. O motivo é o preço de RAM, SSD e chips, o que encareceu as máquinas e esfriou a compra. A IDC chegou a um número parecido, queda de 20,1%.
Todas as grandes marcas caíram: Lenovo -23%, HP -31%, Dell -25%, Apple -11% e ASUS -7%, segundo a Counterpoint. A previsão é de queda de 27% no quarto trimestre e de um 2027 estagnado. Para quem monta ou atualiza máquina, o recado é que memória e armazenamento vão continuar caros por um bom tempo.
Fontes: Counterpoint Research · The Verge · Engadget
Relacionado: Micron: US$ 54,23 bilhões no trimestre e HBM de 2027 já quase todo engolido (Resumão 03/10).
6. 1Password deixa agentes de IA entrarem nas suas contas sem ver a senha
O 1Password for Agents faz o agente se identificar com uma chave digital própria quando chega numa tela de login. Você vê qual credencial ele pede e para quê, aprova no seu próprio aparelho, e o 1Password preenche o formulário direto, sem entregar a senha ao agente. A lista de parceiros inclui o Muse da Meta, o Claude Duet da Anthropic, o ChatGPT Work e o dots da OpenAI, o Grok Bot e o Townie da Town.
O lançamento caiu no mesmo dia em que a Axios contou que bancos americanos já veem atividade de agentes dentro das contas dos clientes, sem saber se ela foi pedida pelo dono. Um porta-voz do Chase lembrou que o cliente “não deve dar usuário e senha a ninguém”, e isso inclui o agente.
Fontes: 1Password (comunicado) · Blog do 1Password · TechCrunch
Relacionado: JPMorgan: agentes de IA externos não entram nas contas dos clientes (Resumão 14/10) · Anthropic lança o Claude Duet (Resumão 21/10).
7. Canva lança o Craft, seu primeiro modelo próprio de imagem
O Canva Craft trabalha em duas etapas: primeiro planeja a composição, depois gera a imagem em até 2K, em mais de 30 proporções. Em vez de ser treinado principalmente com fotos, ele aprendeu com templates feitos por designers, e o resultado pode ser convertido num design editável em camadas. Pesquisadores da Leonardo.ai, que o Canva comprou, participaram do projeto.
Já está liberado para todos os usuários na aba Dream Lab e pela API pública do Canva, e a empresa promete versões mais rápidas e integração via MCP com ChatGPT e Gemini. É o Canva deixando de depender só de modelos de terceiros numa função que virou central no produto.
Fontes: Canva Newsroom · TechCrunch · The Verge
Maker & Prototipagem
C5VRX-5: um ESP32-C5 e sete resistores viram receptor de FPV de 5,8 GHz
O projeto aberto C5VRX-5, de um hacker de hardware chamado Leon, usa o rádio Wi-Fi do Seeed XIAO ESP32-C5 para receber vídeo analógico de drones FPV, sem módulo receptor extra. O firmware amostra o conversor analógico-digital do rádio a 40 milhões de amostras por segundo e demodula o sinal com um algoritmo chamado U85Q. Seis resistores nos pinos D4 a D9 formam um DAC de 6 bits que gera vídeo composto PAL ou NTSC, e um sétimo faz a carga de saída. São 48 canais e gravação pelo navegador. O autor avisa que parte dos recursos ainda está em validação.
Fonte: Hackster.io
Relacionado: O Próximo Projeto: Mentalidade Maker Como Motor.
Arduino App Lab 0.11: apps empacotados, painel de agente e pose do corpo
A versão 0.11 do App Lab, ambiente da UNO Q, traz o App Releases, que empacota um projeto num pacote imutável para rodar em outras placas compatíveis, e um painel de agente de IA ao lado do código. Também chegaram um Brick de estimativa de pose, que acompanha 17 pontos do esqueleto a 10 quadros por segundo e aceita poses personalizadas a partir de pastas de fotos, a importação de LLMs do Hugging Face e a opção de usar o microfone e o IMU do celular via WebSocket.
Fonte: Arduino Blog
Relacionado: Arduino UNO Q SBC Controller Bundle (Resumão 20/10).

Prusa HT Hotend: 400 °C na CORE One por US$ 199,99
A Prusa pôs à venda o HT Hotend, um hotend de troca rápida (menos de um minuto) que chega a 400 °C nas impressoras da família CORE One, mas não funciona com o INDX. Segundo testes da própria Prusa, imprimir acima de 300 °C aumenta a adesão entre camadas de 7% a 23% em filamentos como PA11 com fibra de carbono e ASA. A loja ganhou também três filamentos de alta temperatura (PPS-CF, PPS-GF e PPA-CF Core), a partir de US$ 72,99 o quilo. O limite é a câmara de 60 °C, que impede imprimir peças grandes em PEEK e similares, e a Prusa recomenda filtragem por causa dos gases.
Fontes: Blog da Prusa · Hackster.io
Relacionado: O Estado da Arte em Filamentos 3D · Impressão 3D Avançada: Além do PLA.
PolarPlot: plotter SCARA impresso em 3D (campanha no Kickstarter)
Isto é uma campanha de financiamento coletivo, não um produto entregue. O engenheiro Simone Carriero, autor do Makerplot, lançou no Kickstarter o PolarPlot, um plotter com braço SCARA de cinco barras controlado por Arduino, que também pode virar gravador a laser com módulo de até 250 mW (sem gabinete incluso, então óculos de proteção são obrigatórios). O apoio dá acesso aos STLs, lista de materiais, guia de montagem e software por € 25, ou € 60 com licença para vender unidades montadas. A previsão de entrega dos arquivos é novembro.
Fonte: Hackster.io
Relacionado: CNC e Fresagem para Makers.
Robótica
Dream Labs capta US$ 90 milhões e abre uma API que controla robôs pela câmera
A startup de São Francisco, liderada por Joel Jang, levantou US$ 90 milhões em rodada semente liderada pela B Capital e pela Kindred Ventures. O modelo Dream-1 foi treinado com vídeos de pessoas fazendo tarefas do dia a dia e transforma a imagem da câmera do robô mais uma instrução em inglês em comandos de motor, inclusive em robôs com garra que ele nunca viu. Hoje ele faz tarefas de mesa, como pegar e colocar objetos e dobrar roupa, em robôs de US$ 2 mil a US$ 10 mil. A Dream API já está aberta, há ajuste fino por encomenda em horas e um playground no navegador em que dá para comandar ao vivo um robô no escritório da empresa.
Fonte: The Robot Report
Relacionado: Eka capta US$ 150 milhões com uma garra que “sente” força (Resumão 20/10).
Warp Sciences, de Kevin Weil, quer robôs no laboratório químico
Kevin Weil, que liderava a área de ciência da OpenAI, lançou a Warp Sciences com US$ 215 milhões captados e avaliação de US$ 865 milhões, em rodada liderada pela Lightspeed. Químicos usando câmeras e luvas com sensores vão ensinar robôs a sintetizar e testar moléculas para descoberta de remédios, trabalho que a indústria costuma terceirizar para empresas na China, como a WuXi AppTec. A ideia é trazer essa etapa de volta e rodar o laboratório 24 horas por dia.
Fonte: TechCrunch
Nvidia amplia o Cosmos para treinar e testar robôs em simulação
Na GTC Berlin, a Nvidia apresentou o Cosmos Data Factory, um conjunto de cinco blueprints para curar e gerar dados sintéticos de treino (vídeo de eventos raros, defeitos em placas de circuito, mudança de clima e iluminação em filmagens), além de variantes Cosmos 3 Nano para simular cenários e testar políticas de robôs bimanuais e carros autônomos antes do mundo real. Um exemplo citado: a ANYbotics gerou mais de 1.500 clipes sintéticos para ensinar seus robôs de inspeção a reconhecer vazamentos. Os números de desempenho são da própria Nvidia.
Fonte: Blog da Nvidia
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O Resumão Tech sai todo dia de manhã cedo. As notícias foram conferidas nas fontes linkadas; imagens com crédito e licença nas legendas.
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