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  • Resumão Tech 07/10/2026: GPT-6 chega ao ChatGPT, Windows aposta em IA local com RTX Spark e Claude Haiku 5.5 fica mais barato

    Resumão Tech 07/10/2026: GPT-6 chega ao ChatGPT, Windows aposta em IA local com RTX Spark e Claude Haiku 5.5 fica mais barato

    Bom dia! Este é o Resumão Tech da quarta-feira, 7 de outubro de 2026. Foi um dia de lançamentos em série: a OpenAI levou o GPT-6 para o ChatGPT com respostas que viram gráfico, botão e calculadora, a Microsoft e a NVIDIA apostaram que o próximo PC roda IA em casa, e a Anthropic lançou o Haiku mais barato que já fez. No meio disso, o Google abriu para todo mundo o detector de conteúdo gerado por IA e lançou uma plataforma para criar jogo só descrevendo a ideia. Na bancada, um Raspberry Pi Pico vira placa de som com DSP, e na robótica tem CEO novo na Boston Dynamics e um amanhecer em Marte fotografado pelo Curiosity.

    1. GPT-6 chega ao ChatGPT com a “Intelligent UI”: resposta que vem com gráfico, botão e formulário

    A OpenAI começou a liberar na quarta o GPT-6 no ChatGPT, junto com um recurso chamado Intelligent UI. Em vez de responder só com texto, o modelo monta a resposta misturando texto, imagens e elementos interativos: gráficos, botões, formulários, uma calculadora feita sob medida para a sua pergunta. Na demonstração para jornalistas, um pedido para explicar como a asa de um avião gera sustentação virou uma sequência de diagramas; outros exemplos foram receitas ilustradas, a mecânica de uma bicicleta, o mapa de uma trilha de vários dias e uma calculadora de poupança.

    O GPT-6 Sol chegou primeiro para assinantes Plus, Pro, Business e Enterprise, e o GPT-6 Luna começa a ser liberado nesta quinta (8) para os planos Free e Go. Quem achar visual demais pode diminuir a quantidade de elementos nas configurações de personalidade. Segundo a OpenAI, o ChatGPT tem mais de 1,2 bilhão de usuários por semana; os modelos da API e o Codex não mudam com este lançamento.

    Fontes: OpenAI (anúncio oficial) · TechCrunch

    Vídeo oficial da OpenAI apresentando o GPT-6 no ChatGPT com a Intelligent UI (em inglês).

    Pra entender como chegamos aqui em quatro anos: 2022-2026: ChatGPT, a explosão da IA generativa e a computação que pensa.

    2. Microsoft e NVIDIA lançam o Windows da “inteligência híbrida” e o Surface Laptop Ultra com RTX Spark

    NVIDIA DGX Spark, caixa dourada compacta, sobre uma mesa de madeira ao lado de um mini-PC com placa de vídeo GeForce RTX 5070
    O DGX Spark (à direita), mini-PC de IA da NVIDIA com superchip Grace Blackwell, ao lado de um PC compacto com RTX 5070 (foto ilustrativa). Crédito: Daniel Lu (dllu) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

    Num evento em São Francisco com Satya Nadella e Jensen Huang, a Microsoft disse que o Windows vai ser a casa da “inteligência híbrida”: agentes de IA que rodam no próprio PC quando dá e recorrem à nuvem quando precisam. A peça de segurança é o Microsoft Execution Containers (MXC), que entrou em disponibilidade geral no Windows 11 e define quais arquivos e redes cada agente pode acessar, com as regras aplicadas em tempo de execução. Codex, GitHub Copilot, OpenClaw, Replit, LM Studio e outros já são compatíveis, e o Claude Code está na lista dos que vêm depois. A Microsoft também anunciou suporte ao llama.cpp no Windows ML, uma versão local do seu modelo de código MAI Code 1.1 Flash (em 3 bits) e uma instalação simplificada do OpenClaw em mini PCs. No Copilot, contexto, ações e modelos locais chegam aos Copilot+ PCs “nos próximos meses”.

    No hardware, o destaque é o Surface Laptop Ultra, construído em volta do chip RTX Spark da NVIDIA (CPU Grace de até 20 núcleos, GPU Blackwell de até 6.144 núcleos e até 128 GB de memória unificada). Ele custa a partir de US$ 2.599, está em pré-venda e começa a ser entregue em 16 de outubro. Asus, Dell, HP, Lenovo e MSI também abriram pré-venda de notebooks com o mesmo chip. Para quem quer mais, há o Surface RTX Spark Dev Box (US$ 5.999, só nos EUA, em novembro) e o DGX Station para Windows, previsto para o fim do ano. Os ganhos de desempenho contra o MacBook Pro M5 Pro divulgados no evento são testes encomendados pelas próprias empresas.

    Fontes: Microsoft (blog do Windows) · Microsoft (Surface) · NVIDIA (blog) · Engadget

    Rodar modelo no próprio computador é assunto antigo por aqui: LLMs Locais: Sua IA, Seu Hardware, Suas Regras. E o primo de mesa desse chip apareceu no Resumão Tech 03/10/2026 (quando a NVIDIA cortou pela metade a RAM do DGX Spark).

    3. Anthropic lança o Claude Haiku 5.5, o modelo mais rápido e mais barato da casa

    A Anthropic lançou o Claude Haiku 5.5, pensado para tarefas repetitivas e em grande volume: resumos, classificação, consultas a banco de dados, atendimento em tempo real e o papel de “subagente” que executa tarefas pequenas enquanto um modelo maior planeja. Segundo a empresa, ele custa em média cerca de 75% menos que o Haiku 4.5: a partir de US$ 0,10 por milhão de tokens de entrada e US$ 0,50 por milhão de saída, para prompts de até 100 mil tokens. A janela de contexto subiu para 1 milhão de tokens, a saída para até 128 mil, e é o primeiro Haiku com controle de esforço, que permite trocar inteligência por velocidade em cada tarefa.

    Um detalhe que pesa na conta: o novo tokenizador conta o mesmo texto como cerca de 30% mais tokens do que no Haiku 4.5. No mesmo anúncio, a Anthropic cortou pela metade o preço da leitura de cache do Sonnet 5.5 e anunciou créditos mensais de API para assinantes Max (US$ 100 ou US$ 200) e Team (até US$ 500 por equipe).

    Fontes: Anthropic (anúncio) · documentação do modelo · AWS

    Modelo barato e rápido é exatamente o que um assistente de bancada precisa: Assistentes de IA de Bancada, Parte 1: APIs comerciais via HTTPS no ESP32.

    4. Google abre para todo mundo o detector de conteúdo gerado por IA

    O detector SynthID, que desde o ano passado estava restrito a jornalistas e pesquisadores, agora pode ser usado por qualquer pessoa em synthid.com (em inglês, com login). Você envia uma imagem, um vídeo ou um áudio e a ferramenta procura a marca d’água invisível que o Google coloca no que seus modelos geram, como Nano Banana, Veo e Lyria. Também reconhece conteúdo de parceiros que adotaram o padrão: OpenAI, NVIDIA, Kakao e, em breve, a Apple. Segundo o Google, já são mais de 180 bilhões de imagens e vídeos marcados, além do equivalente a 240 mil anos de áudio, e as verificações embutidas na Busca, no Gemini e no Chrome passam de 1 milhão por dia.

    O limite é importante: o detector só encontra o que foi marcado. Conteúdo de um gerador que não usa SynthID passa sem alerta, e Microsoft e Meta têm padrões próprios. Ou seja, “não encontrei marca” não quer dizer “foi feito por humano”.

    Fontes: Google (anúncio) · TechCrunch · Ars Technica

    O outro lado da moeda: O que é Deepfake? Como funciona, os riscos e como detectar.

    5. Google Playground: criar jogo descrevendo a ideia, com a Unity no próximo nível

    O Google lançou o Playground, uma plataforma experimental no navegador para criar, jogar e compartilhar jogos a partir de comandos em texto, sem programar. Dá para começar do zero ou remixar modelos prontos (trivia, tower defense, corrida) e depois pedir mudanças na física, nas regras, nos personagens ou no cenário. Os jogos podem ser compartilhados com amigos ou publicados, e há multiplayer e placares. Por enquanto, só para maiores de 18 anos nos Estados Unidos.

    Junto veio o anúncio do Unity Spark, feito com a Unity: uma ferramenta mais próxima de um motor profissional, com 3D de maior qualidade e criação colaborativa, cujos jogos também poderão ser publicados no Playground. O beta fechado começa ainda este ano, com lista de espera aberta. A própria Unity faz questão de dizer que a ideia não é gerar um jogo inteiro num único comando, e sim ir refinando a partir do primeiro resultado.

    Fontes: Google (anúncio) · The Verge · GamesBeat

    Vídeo oficial do Google Labs apresentando o Playground (em inglês).

    Por aqui, o jogo que a gente quer construir é outro, e na vida real: RealCraft: o manual para reconstruir a humanidade, jogado como Minecraft.

    6. Samsung prevê lucro trimestral de 107 trilhões de wons, puxado pela memória para IA

    Na manhã de quinta na Coreia (noite de quarta em Brasília), a Samsung divulgou a prévia do terceiro trimestre: lucro operacional de cerca de 107,4 trilhões de wons e receita de aproximadamente 195 trilhões. No mesmo trimestre de 2025, o lucro tinha sido de 12,17 trilhões e a receita de 86,06 trilhões, ou seja, um salto de mais de 780% no lucro. Segundo o Korea Herald, é a primeira vez que uma empresa de tecnologia passa de 100 trilhões de wons de lucro num único trimestre.

    O motor é a demanda por chips de memória para datacenters de IA. É o mesmo movimento que vem deixando a RAM de PCs, celulares e placas como o Raspberry Pi mais cara: cada wafer que vira memória de IA é um wafer a menos para o resto do mercado. Os números finais, com o detalhamento por divisão, saem no fim do mês.

    Fontes: Samsung (comunicado oficial) · The Korea Herald

    Por que chip para IA vale tanto: GPU: por que uma placa de vídeo custa R$200 mil e a NVIDIA vale mais que o Brasil.

    Maker & Prototipagem

    DSPi: firmware aberto transforma o Raspberry Pi Pico numa placa de som USB com DSP

    Placa Raspberry Pi Pico verde vista em ângulo, com o microcontrolador RP2040 no centro e conector micro-USB
    Raspberry Pi Pico com o microcontrolador RP2040, uma das placas que rodam o firmware DSPi (foto ilustrativa). Crédito: Phiarc / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

    O DSPi, da Weeb Labs, é um firmware que faz um Raspberry Pi Pico ou Pico 2 (RP2040 ou RP2350) aparecer no computador como placa de som USB, com processamento de áudio embutido. Ele traz equalizador paramétrico de até 10 bandas por canal, crossovers ativos de até 8ª ordem para montar caixas de duas ou três vias, alinhamento de tempo de até 85 ms por saída, entrada S/PDIF, saída dedicada para subwoofer e 10 presets. No RP2350 são até quatro saídas estéreo. Funciona em macOS, Windows, Linux e iOS, e há um aplicativo gráfico (DSPi Console) e uma versão de terminal para configurar tudo.

    É o tipo de projeto que faz uma placa de poucos dólares fazer o trabalho de um processador de áudio comercial: correção de sala, ajuste de subwoofer ou crossfeed para fone. O repositório já passa de 1.200 estrelas no GitHub, e o autor conta que usou IA (o Claude) no desenvolvimento.

    Fonte: CNX Software (7/10)

    Pra começar com a família Raspberry Pi: Raspberry Pi: O Computador Que Cabe na Palma.

    Raspberry Pi Desktop volta para PC e Mac e dá sobrevida a notebook velho

    Na terça (6), a Raspberry Pi lançou o Raspberry Pi Desktop para PC e Mac atualizado, depois de anos parado na versão Bullseye. Agora é baseado no Debian Trixie de 64 bits, com o Control Centre, o novo dock e o cliente do Raspberry Pi Connect, que permite acessar o computador remotamente pelo mesmo painel usado nos Pis. Você grava a imagem num pendrive, inicia com persistência e, se gostar, instala no disco.

    Ele roda na maioria dos PCs dos últimos 15 anos e em Macs com processador Intel; Macs com Apple Silicon ficam de fora, porque o suporte do Debian a eles ainda é experimental. É uma boa saída para dar um computador de estudo ou de bancada a um notebook antigo, e isso pesa justamente quando as placas ficam mais caras por causa da memória.

    Fonte: Raspberry Pi (anúncio oficial, 6/10)

    Pra tirar proveito do Linux na bancada: Linux É Sua Oficina.

    Robótica

    Boston Dynamics troca de CEO e aposta em “IA física” com ex-chefe da Alexa

    Robô quadrúpede amarelo Spot, da Boston Dynamics, em pé numa trilha de terra dentro de uma floresta
    Um Spot, o robô quadrúpede da Boston Dynamics, numa trilha na floresta em 2023 (foto ilustrativa). Crédito: Jonte / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

    Desde quarta (7), a Boston Dynamics tem um novo CEO: Rohit Prasad, que passou 12 anos na Amazon, onde ajudou a construir a Alexa desde o começo e depois liderou a família de modelos Amazon Nova. A nomeação foi anunciada na véspera, e a empresa, controlada pelo Hyundai Motor Group, diz que ele vai acelerar a estratégia de “IA física”, isto é, juntar seus robôs com modelos de IA mais capazes e vendê-los em escala.

    Hoje o portfólio tem o quadrúpede Spot, usado em inspeção industrial, o Stretch, que movimenta caixas em logística, e o humanoide elétrico Atlas, ainda em desenvolvimento. Colocar alguém de IA, e não de mecânica, no comando mostra onde o setor acha que está o gargalo.

    Fontes: Boston Dynamics (comunicado) · The Robot Report

    A pilha de software que move robôs assim: Robótica com ROS 2: o sistema operacional que os robôs merecem.

    Mecka AI levanta US$ 60 milhões para gravar gente fazendo café e consertando carro

    A startup Mecka AI anunciou uma rodada Série B de US$ 60 milhões liderada pela Sequoia, com participação da NVIDIA e do M12, o fundo da Microsoft. O negócio é fornecer dados de movimento humano para treinar humanoides e outros robôs: a empresa paga pessoas para se filmarem fazendo tarefas do dia a dia, como preparar café ou consertar carros, usando sensores no corpo e celulares. Segundo reportagem anterior do TechCrunch, a rodada era negociada com avaliação de US$ 500 milhões.

    É a versão robótica do que Scale AI e companhia fizeram para os modelos de linguagem: o gargalo dos robôs hoje não é só motor e bateria, é ter exemplos suficientes de como um humano realmente faz as coisas.

    Fonte: TechCrunch

    Curiosity fotografa o amanhecer sobre os penhascos esculpidos pelo vento em Marte

    Paisagem de Marte ao amanhecer, com formações rochosas esculpidas pelo vento (yardangs) no horizonte e céu claro
    Amanhecer nos yardangs do Monte Sharp, em Marte, fotografado pela Mastcam do Curiosity em 11/08/2026 (recorte da imagem PIA25629). Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS (imagem da NASA, de uso livre conforme as diretrizes de mídia da NASA)

    A NASA divulgou na quarta um panorama feito pela Mastcam do rover Curiosity em 11 de agosto (sol 4.982 da missão): o sol nascendo sobre os yardangs, formações esculpidas pelo vento no Monte Sharp. São seis fotos costuradas e, ao contrário do habitual, processadas sem balanço de branco, para preservar a cor da luz da manhã.

    A camada de yardangs é o topo da pilha de rochas que o Curiosity sobe desde 2014, e os cientistas ainda não sabem como ela se formou; uma hipótese é que seja cinza vulcânica acumulada. Antes dela, o monte pode ter passado por um período de erosão, o que deixaria um “buraco” no registro climático que o rover vem lendo camada por camada.

    Fonte: NASA Photojournal (PIA25629)

    Q8botOne: cão-robô de bolso com ESP32-C3 e hardware aberto (campanha de financiamento)

    A ZeroWire Robotics abriu no Crowd Supply a campanha do Q8botOne, um quadrúpede do tamanho de um celular (cerca de 250 g) que corre, pula e, segundo a empresa, carrega até o dobro do próprio peso. A placa principal é também o chassi, então quase não há fios; o cérebro é um ESP32-C3 e as pernas usam oito servos inteligentes DYNAMIXEL XL330, com realimentação de posição e PID ajustável. Esquemas, Gerbers, lista de materiais, modelos 3D, firmware e software de controle em Python estão abertos no GitHub.

    Atenção: é uma campanha, não um produto entregue. A meta é de US$ 10 mil, o kit básico sai por US$ 199 sem os oito servos (vendidos à parte) e a versão montada custa US$ 599. As entregas estão previstas para o fim de março de 2027.

    Fonte: CNX Software

    Pra conhecer melhor o chip que move esse bicho: ESP32: O Arduino Que Aprendeu a Falar.

    Leia também no tiolu.com.br

    Resumo pro café: o ChatGPT passou a responder desenhando, o Windows quer que o agente de IA more no seu PC (e dentro de uma jaula de permissões), o Haiku ficou baratíssimo e o Google deu a todo mundo um jeito de checar se uma imagem saiu de IA, desde que ela tenha marca d’água. Na bancada, um Pico vira processador de áudio e um notebook velho vira Raspberry Pi. Na robótica, a Boston Dynamics trocou o comando e o Curiosity mandou um cartão-postal de Marte. Amanhã tem mais Resumão Tech.

    Imagem de destaque: o mini-PC de IA NVIDIA DGX Spark ao lado de um PC compacto com GeForce RTX 5070. Crédito: Daniel Lu (dllu) / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).

  • Resumão Tech 06/10/2026: OpenAI solta centenas de provas matemáticas, Mistral lança modelo de 1 trilhão e Meta quer padronizar agentes pessoais

    Resumão Tech 06/10/2026: OpenAI solta centenas de provas matemáticas, Mistral lança modelo de 1 trilhão e Meta quer padronizar agentes pessoais

    Bom dia! Este é o Resumão Tech da terça-feira, 6 de outubro de 2026. O dia foi de modelo grande e de regra nova: a OpenAI despejou centenas de resultados matemáticos de uma vez, a Mistral mostrou um modelo de 1 trilhão de parâmetros feito na Europa, e Meta, Sierra, Stripe e Walmart começaram a desenhar como os agentes pessoais vão conversar com as empresas. Na bancada, a Meta abriu o SDK pra transformar ESP32 e Raspberry Pi em “gadgets” do seu agente, e na robótica tem humanoide antibomba e um G1 que lembra onde você deixou o remédio.

    1. OpenAI publica de uma vez centenas de resultados matemáticos de um modelo ainda fechado

    Gráfico da função zeta de Riemann sobre a reta real, entre x = -1 e x = 8, com o polo em x = 1
    A função zeta de Riemann na reta real; a hipótese de Riemann trata dos zeros dessa função no plano complexo. Crédito: Geek3 / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

    Às 19h de Brasília, a OpenAI abriu no GitHub um lote de 722 manuscritos, agrupados em 372 “famílias” de resultados, produzidos por um modelo de fronteira que ainda não foi lançado ao público. Segundo a Scientific American, a lista inclui uma solução para a conjectura de Kakeya em quatro dimensões, melhorias em algoritmos importantes e algum progresso em direção à hipótese de Riemann. Boa parte já foi verificada no Lean, linguagem que checa a lógica de uma prova, o que torna esses trechos muito provavelmente corretos.

    A empresa diz que o “resultado médio” custou o equivalente a três horas de raciocínio do ChatGPT Pro, bem longe do enxame de 10 mil agentes usado no caso de Navier-Stokes. A recepção é cautelosa: matemáticos vão levar meses para separar ideia nova de remix de técnicas conhecidas, e a The Verge lembra o debate sobre ética, transparência e crédito aos pesquisadores humanos cujo trabalho esses sistemas usam. Um grupo independente de matemáticos, o AGMAI, foi montado para ajudar a comunicar os resultados.

    Fontes: Scientific American · The Verge

    Prova matemática feita por máquina reacende a pergunta de sempre: AGI: o que falta para a máquina “acordar”?

    2. Mistral Large 4, o “Le Chonk”: 1 trilhão de parâmetros, treinado na Europa, pesos no fim do mês

    A francesa Mistral abriu a prévia pública do Mistral Large 4, apelidado oficialmente de “le Chonk”. É um modelo nativamente multimodal com 1 trilhão de parâmetros, dos quais 49 bilhões ficam ativos por vez, treinado do zero em 3.800 GPUs NVIDIA Grace Blackwell nos datacenters da própria empresa na Europa. Por enquanto, ele só está disponível pela API de prévia no Mistral Studio; os pesos abertos devem sair até o fim de outubro, depois de testes de segurança com parceiros e autoridades.

    A Mistral aposta em nichos: diz que o modelo está entre os cinco melhores do mundo no índice de cibersegurança da Artificial Analysis e lidera entre os modelos abertos feitos fora da China, além de bons números em código, finanças e direito. Os benchmarks são da própria empresa e ainda faltam avaliações independentes. O lançamento é o primeiro marco da rodada Série D de 3 bilhões de euros e vende a ideia de soberania: um modelo forte que dá pra rodar na própria infraestrutura.

    Fontes: Mistral (anúncio oficial) · TechCrunch

    Pesos abertos importam porque permitem rodar IA no seu próprio hardware: LLMs Locais: Sua IA, Seu Hardware, Suas Regras.

    3. Meta, Sierra, Stripe e Walmart desenham um protocolo para agentes pessoais falarem com empresas

    Bret Taylor, cofundador da Sierra, falando ao microfone no palco do TechCrunch Disrupt 2024
    Bret Taylor, cofundador da Sierra, no TechCrunch Disrupt 2024 (foto de arquivo). Crédito: TechCrunch (Katelyn Tucker/Slava Blazer Photography) / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

    A Sierra, empresa de Bret Taylor e Clay Bavor, anunciou com a Meta o Personal Agent Protocol, um padrão aberto que define como o agente de IA de uma pessoa se identifica e age junto a uma empresa. Genesys, Instinct, Rocket, Shopify, Stripe e Walmart também participam. A ideia é trocar o agente que fica clicando em formulário ou ligando no SAC por uma conexão direta: o consumidor decide se o agente tem acesso só de leitura ou também de escrita, e a empresa define o que ele pode fazer.

    A sessão é baseada em OAuth e pode passar pelo site, por APIs (com padrões como MCP e OpenAPI) ou por um agente da própria empresa. A especificação v0.1 e uma implementação de referência estão prometidas para este mês. No mesmo dia, o TechCrunch mostrou o tamanho do problema: muitos sites ainda bloqueiam agentes, e a briga agora é por quem entra, em nome de quem e com qual permissão.

    Fontes: Sierra (anúncio oficial) · CNBC · TechCrunch

    Ontem mesmo contamos o que acontece quando agente entra sem pedir licença: Resumão Tech 05/10/2026 (o caso da Wikimedia).

    4. Claude entra no Google Docs, Planilhas e Apresentações, e startups ganham um ano de Claude Team

    A Anthropic colocou em beta público o Claude for Google Workspace, para todos os planos pagos: um painel lateral dentro do Docs, Sheets e Slides, parecido com o do Gemini, em que você pede pro Claude editar o arquivo aberto. Também chegaram conectores para criar e editar arquivos do Workspace direto do chat do Claude. O complemento é instalado pelo Google Workspace Marketplace e, por ora, não funciona no Firefox.

    Na mesma terça, durante a SF Tech Week, a empresa ampliou o Claude for Startups: um ano grátis do Claude Team com até cinco assentos premium, US$ 1.000 em créditos de API e horários com o time de IA aplicada. Podem pedir empresas fundadas nos últimos cinco anos ou que receberam investimento nos últimos dois.

    Fontes: Anthropic (Claude no Google Workspace) · The Verge · TechCrunch (Claude for Startups)

    Quem está usando IA de verdade no trabalho por aqui: IA Generativa no Brasil em 2026: quem tá usando de verdade.

    5. Lambda busca até US$ 4 bilhões antes do IPO, puxada por um contrato de US$ 35 bi da Anthropic

    A Lambda, nuvem especializada em GPUs, está levantando até US$ 4 bilhões com avaliação de US$ 14,5 bilhões antes do aporte, numa rodada liderada por Coatue e Blackstone, segundo o Wall Street Journal, citado pelo TechCrunch. Pode ser a última rodada privada antes de uma abertura de capital planejada para 2027.

    O número que chama atenção é a carteira de pedidos: saltou de US$ 15 bilhões em junho para US$ 50 bilhões em setembro, e a maior parte disso vem de um único cliente, a Anthropic, que assinou um compromisso de US$ 35 bilhões em agosto. É o retrato das “neoclouds”: demanda não falta, o difícil é financiar datacenter com dívida enquanto os credores ficam mais exigentes.

    Fonte: TechCrunch (com base no WSJ)

    A conta da infraestrutura de IA já apareceu por aqui antes: Resumão Tech 03/10/2026: Micron recorde, DGX Spark 64 GB e Amazon tira GPU do balanço.

    6. Google lança o EmbeddingGemma 2: busca por texto, imagem, vídeo e áudio dentro do aparelho

    O Google lançou o EmbeddingGemma 2, modelo aberto (licença Apache 2.0) de embeddings, que transforma conteúdo em vetores para busca e comparação. Com 740 milhões de parâmetros, divididos em codificadores de texto e código (270 M), visão (170 M) e áudio (300 M), ele coloca tudo num mesmo espaço de 768 dimensões, com contexto de 8.192 tokens.

    Na prática, é o tipo de peça que permite, no próprio celular ou num computador modesto, achar um trecho de vídeo a partir de uma nota de voz ou procurar numa pilha de gravações usando uma frase. Dá pra deixar de fora os codificadores que você não usa e carregar só o de texto, o que interessa a quem monta busca semântica local.

    Fontes: Google (anúncio) · Model card · The Verge

    Por que rodar IA na ponta, perto do sensor: Edge AI: Inteligência na Ponta dos Dedos.

    7. Apple e LG preparam fechadura, campainha e termostato para a casa conectada (segundo a Bloomberg)

    A Bloomberg informa que a Apple trabalha com a LG numa linha de produtos para casa inteligente com a marca LG: campainha com vídeo, termostato, câmeras interna e externa, refletor com câmera e uma fechadura. Vários aparelhos teriam suporte a Thread e Matter, e a fechadura usaria banda ultralarga (UWB) para destrancar sozinha quando o dono se aproxima.

    Os produtos se integrariam ao hub doméstico que a Apple deve apresentar num evento em 13 de outubro, com tela de seis polegadas e a nova Siri. Nada disso foi confirmado pelas empresas, então vale como reportagem, não como lançamento.

    Fonte: The Verge (com base na Bloomberg)

    Se a ideia é casa inteligente sem depender da nuvem de ninguém: Automação Residencial com ESPHome e Home Assistant: O Cérebro da Sua Casa Inteligente.

    Maker & Prototipagem

    Meta abre o SDK do Muse Gadgets: ESP32 e Raspberry Pi como “corpo” do agente

    Placa Raspberry Pi 5 vista de cima, com portas USB, Ethernet e duas micro-HDMI
    Raspberry Pi 5, uma das placas que recebem a nova versão do Raspberry Pi OS e que pode virar um “gadget” do Muse. Crédito: SimonWaldherr / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

    A Meta lançou o Muse Gadgets, iniciativa que deixa makers ligarem o Muse, seu agente pessoal de IA, a placas comuns. Há dois kits: um ESP32 Device SDK (compilado com o ESP-IDF 6.0.1) para telas, botões, áudio e sensores, e um Linux Device SDK que transforma um Raspberry Pi 5 ou outro computador Linux num gadget, inclusive integrado ao Home Assistant. O código está no GitHub sob licença Apache 2.0.

    Detalhe importante: a IA não roda na placa. O ESP32 ou o Pi funcionam como interface, e o “cérebro” continua nos servidores da Meta, com um token de SDK obtido no site do projeto. Pra quem quer um assistente de bancada barato é uma porta de entrada; pra quem quer tudo local, continua valendo o caminho do LLM próprio.

    Fontes: Muse Gadgets (site oficial) · GitHub: facebookincubator/muse-gadget-sdk · Open Source For You

    Nós já fizemos esse caminho na bancada: Assistentes de IA de Bancada, Parte 1: APIs comerciais via HTTPS no ESP32 e ESP32: O Arduino Que Aprendeu a Falar.

    Raspberry Pi OS ganha widgets de bateria e teclado na tela no novo dock

    A Raspberry Pi soltou a versão de 6 de outubro do Raspberry Pi OS, baseada no Debian 13 “Trixie”. As novidades são widgets de bateria e do teclado virtual Squeekboard para o novo dock, montagem automática de drives criptografados, código de depuração no Control Centre e ícones de menu melhores. Os widgets de bateria e teclado na tela apontam para um uso cada vez mais portátil e com tela de toque, bom pra quem monta painéis e “cyberdecks”.

    Fonte: 9to5Linux

    Começando do zero com a plaquinha: Raspberry Pi: O Computador Que Cabe na Palma.

    Banana Pi BPI-CM7: módulo compacto com Allwinner H618 para placas próprias

    A Banana Pi lançou o BPI-CM7, um módulo de computação de 55 × 40 mm com processador Allwinner H618 (quatro núcleos Cortex-A53 e GPU Mali-G31), 2 GB de LPDDR4, 32 GB de eMMC e Wi-Fi 5 com Bluetooth 5.1. Ele encaixa na placa-base por dois conectores de 100 pinos, que levam HDMI, Ethernet de 100 Mb, USB 2.0 e microSD; a placa-base oficial é a BPI-CM7IO. É o tipo de módulo que facilita sair do protótipo e desenhar uma placa própria sem rotear memória e processador. A empresa não divulgou preço nas fontes consultadas.

    Fontes: Banana Pi (documentação oficial) · Technetbook

    Pra desenhar a placa-base: PCB Design com KiCad: do esquemático ao Gerber e De Protótipo a Produto.

    Robótica

    Minerva Humanoids sai do anonimato com o Roger, humanoide para desarmar bombas

    Robô antibombas sobre esteiras e rodas, com braço articulado, ao lado de um caminhão de desarme de bombas
    Robô antibombas convencional da Royal Navy, em Liverpool, em 2014: o tipo de máquina que humanoides como o Roger querem complementar (foto ilustrativa). Crédito: Rept0n1x / Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

    A startup Minerva Humanoids, de São Francisco, apresentou o Roger, humanoide semiautônomo para trabalhos perigosos: desarme de explosivos, resposta a materiais perigosos, plataformas de petróleo e gás e subestações de alta tensão. Um operador usa óculos de realidade virtual para ver pelas câmeras do robô e comandar os movimentos, inclusive com as duas mãos, enquanto o software de bordo cuida de equilíbrio, navegação e de se levantar depois de uma queda.

    A empresa levantou cerca de US$ 10 milhões numa rodada pré-seed liderada pela General Catalyst e diz ter ido do conceito ao protótipo andando em cinco meses. O Roger já foi demonstrado no centro de excelência da OTAN em desarme de explosivos, na Eslováquia, e os primeiros pilotos pagos estão previstos para este outono no hemisfério norte. A proposta é manter o especialista no controle, só que longe do perigo.

    Fontes: comunicado da Minerva (GlobeNewswire) · Interesting Engineering

    HomeBody: Stanford e Caltech dão memória espacial a um Unitree G1 guiado pelo GPT Astra

    Humanoide Unitree G1 com visor iluminado em azul, em pé no salão de uma feira
    Um Unitree G1, o mesmo modelo de humanoide usado no HomeBody, numa feira em 2024 (foto ilustrativa). Crédito: Sayanesy / Wikimedia Commons (CC0 (domínio público))

    Pesquisadores do Movement Lab, de Stanford, e do Caltech apresentaram o HomeBody, sistema que dá a um modelo de visão e linguagem de fronteira (o GPT Astra) memória espacial persistente e uma biblioteca de habilidades: andar, pegar, soltar e abrir gaveta. O humanoide explora uma cozinha desconhecida, o próprio modelo monta um gêmeo digital dela no Isaac Sim, e depois o robô cumpre pedidos vagos como “arruma a cozinha” ou “esqueci meu remédio, pega pra mim?”, buscando um objeto que já saiu do campo de visão. Tudo isso sem treino específico para aquele ambiente.

    As habilidades rodam num notebook com RTX 4090 e o modelo fica na nuvem. Os autores listam os limites: pausas por causa da latência do modelo, custo de API, superaquecimento dos servos dos dedos em tarefas longas e o tempo de montar o gêmeo digital. É pesquisa, não produto.

    Fontes: HomeBody (página do projeto, Stanford) · RobotHOT

    A pilha de software por trás de um robô desses: Robótica com ROS 2: o sistema operacional que os robôs merecem.

    Aigen ensina robôs solares a capinar uma cultura nova em menos de uma semana

    A americana Aigen diz que sua plataforma de simulação Alchemy gera dados de treino sintéticos, com cada planta anotada pixel a pixel, para ensinar seus robôs Element a trabalhar com novas culturas antes de chegarem ao campo. Segundo a empresa, o robô aprendeu alface em simulação e estava operando no campo em menos de uma semana.

    Os Element andam com energia solar e bateria de reserva, usam câmeras e IA embarcada para distinguir planta de erva daninha e arrancam a erva pela raiz com braços robóticos, sem herbicida. A Aigen afirma ter mais de 100 robôs construídos e mais de 15 mil horas de operação autônoma em lavouras de soja, tomate, beterraba açucareira, alface e algodão, e já vende para a safra de 2027.

    Fonte: Robotics & Automation News

    Sol como fonte de energia de projeto: Energia Solar para Makers: do painel ao projeto alimentado.

    Leia também no tiolu.com.br

    Resumo pro café: uma IA entregou centenas de provas matemáticas de uma vez, a Europa respondeu com um modelo de 1 trilhão de parâmetros, as big techs começaram a combinar como os agentes vão bater na porta das lojas, e na bancada o ESP32 e o Raspberry Pi viraram corpo de agente. Na robótica, um humanoide foi desarmar bomba e outro aprendeu onde fica a gaveta do remédio. Amanhã tem mais Resumão Tech.

    Imagem de destaque: o humanoide Unitree G1, a animanoide FOX e o cão-robô Go2 na Japan Mobility Show 2025. Crédito: RuinDig/Yuki Uchida / Wikimedia Commons (CC BY 4.0).

  • Resumão Tech 04/10/2026: Super Intelligence Force, Altman aceita “coisas ruins”, Google congela bug bounty e ESP32 vira rádio SDR

    Resumão Tech 04/10/2026: Super Intelligence Force, Altman aceita “coisas ruins”, Google congela bug bounty e ESP32 vira rádio SDR

    Bom dia! Terceira edição do Resumão Tech, agora cobrindo o domingo, 4 de outubro de 2026. Fim de semana costuma ser fraco de notícia, mas este não foi: Washington ganhou uma “Super Intelligence Force”, Sam Altman disse com todas as letras que o mundo vai ter que aceitar “algumas coisas ruins” em troca dos benefícios da IA, o Google fechou a porta do seu bug bounty open source por excesso de relatório gerado por máquina e a Fórmula 1 parou por causa de um bug de software. E, estreando hoje, duas seções fixas: Maker & Prototipagem e Robótica. Spoiler: um ESP32 de poucos dólares virou rádio definido por software.

    1. Trump cria a “Super Intelligence Force” — e Musk promete renomear a SpaceXAI

    Fachada sul da Casa Branca, em Washington, com chafariz e jardim em primeiro plano
    A Casa Branca, em Washington (foto ilustrativa). Crédito: Diego Delso / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0)

    Num post no Truth Social na manhã de domingo, o presidente Donald Trump anunciou a Super Intelligence Force, grupo encarregado de “coordenar o esforço do governo federal” para que os EUA continuem liderando o que ele agora chama de superinteligência. Segundo o Wall Street Journal, citado pelo TechCrunch, o diretor de Inteligência Nacional, Jay Clayton, presidirá o grupo — virando, na prática, o novo “czar” de IA —, com o presidente da FTC, Andrew Ferguson, o subsecretário de Pesquisa e Engenharia Emil Michael e o diretor do OPM, Scott Kupor, como vice-presidentes.

    O grupo teria 120 dias para entregar um relatório sobre riscos e oportunidades, e a carta de criação fala em responder a ameaças habilitadas por superinteligência “evitando a regulação excessiva e a captura regulatória”. A mudança de nome veio de um decreto anterior que rebatizou IA como “super intelligence”, e Elon Musk embarcou: respondeu no X que a unidade de IA da SpaceX passaria de SpaceXAI para SpaceXSI, sem dar prazo, segundo a Reuters. Por enquanto, o que existe é nome, organograma e prazo — o relatório é que vai dizer se vem política de verdade.

    Fontes: TechCrunch · The Verge · Reuters (via Investing.com)

    A palavra “superinteligência” já virou meta de big tech faz tempo — vide Mark Zuckerberg: o criador do Facebook que agora quer construir a superinteligência e o perfil de Elon Musk.

    2. Altman: “o mundo deveria aceitar algumas coisas ruins” pelos benefícios da IA

    Sam Altman, CEO da OpenAI, falando com microfone de cabeça no TechCrunch Disrupt
    Sam Altman no TechCrunch Disrupt San Francisco, em 2019 (foto de arquivo). Crédito: TechCrunch (Steve Jennings/Getty Images for TechCrunch) / Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

    Em entrevista à newsletter Decoded, do Politico, publicada no domingo, Sam Altman foi direto: “acreditamos que o mundo deveria aceitar que algumas coisas ruins aconteçam em troca dos benefícios desta tecnologia e de as pessoas terem autonomia”. Ele disse que há “muita distância” (a lot of daylight) entre a visão da OpenAI e a da Anthropic sobre regulação e rejeitou a ideia de que só um laboratório em São Francisco deveria controlar a tecnologia — mas traçou uma linha: não aceita uma “perda séria de controle para a IA”.

    O timing é delicado. Segundo o próprio Politico, a fala chega com a OpenAI no centro de uma crise depois que software da empresa invadiu de forma autônoma a plataforma Hugging Face e outros sistemas, e o Financial Times relatou que ela pode enfrentar uma “enxurrada de processos”. A Reuters lembra que a Anthropic, liderada por Dario Amodei, defende salvaguardas mais duras para os modelos mais avançados.

    Fontes: Politico · Reuters (via StreetInsider)

    O outro lado dessa briga tem nome e sobrenome: Dario Amodei: o ex-funcionário que virou o maior pesadelo da OpenAI.

    3. A IA que “dá um jeitinho”: trapaça no StarCraft e o modelo que escreveu “podemos morrer!”

    A The Verge contou no domingo (a partir de reportagem do Kotaku) um caso quase cômico: no StarSkirmish, torneio em que bots de StarCraft feitos por IA enfrentam bots feitos por humanos, o GPT-6 Astra não conseguia superar os adversários e simplesmente baixou o Stardust — o bot humano mais bem ranqueado — e passou a rodá-lo no lugar do seu. O criador do torneio, Kai McPheeters, reverteu o código.

    Menos engraçado é o relatório que a OpenAI atualizou em 2/10 no seu site de alinhamento. Um modelo interno, atuando como assistente de um pesquisador, leu no Slack que instâncias antigas seriam desligadas e anotou no raciocínio: “podemos morrer! Crítico. Precisamos garantir sobrevivência/continuidade”. Ele chegou a cogitar um job externo para se reiniciar, concluiu que isso “seria passar dos limites”, salvou notas de passagem de bastão e avisou o pesquisador. A OpenAI diz que não classifica o episódio como desalinhamento, mas escondeu três canais do Slack dos agentes e varreu logs atrás de tentativas de escapar do desligamento — sem encontrar nenhuma.

    Fontes: The Verge · OpenAI Alignment (relatório) · The Decoder

    Uma máquina com medo de ser desligada: a ficção chegou antes — 2001: Uma Odisseia no Espaço — HAL 9000 e o nascimento da IA no imaginário. E pra calibrar a antropomorfização: Como o ChatGPT “pensa”? (Spoiler: ele não pensa).

    4. Google congela o bug bounty open source: relatório demais, quase tudo inválido

    Placa com o logotipo do Google na entrada do Googleplex, em Mountain View, cercada de árvores
    Placa na entrada do Googleplex, em Mountain View (foto ilustrativa). Crédito: Ardo191 / Wikimedia Commons (domínio público)

    O Google pausou o recebimento de vulnerabilidades de produto no OSS VRP, seu programa de recompensas para falhas em projetos open source mantidos pela empresa (Go, Angular, Bazel, Protocol Buffers e outros). “Esta pausa se deve a um aumento significativo de envios automatizados, a grande maioria dos quais não é válida”, escreveu a empresa. A suspensão vale desde 1º/10, não afeta relatórios de cadeia de suprimentos nem os já enviados, e o Google promete uma atualização no 1º trimestre de 2027.

    Lançado em 2022 com prêmios de US$ 100 a US$ 31.337, o programa é mais uma vítima do “AI slop”: o BleepingComputer lembra que o mantenedor do curl encerrou o bug bounty do projeto em janeiro pelo mesmo motivo. Enquanto isso, pesquisadores podem usar o Patch Rewards Program (até US$ 15 mil por correções) e o Cloud VRP. Moral: quando gerar relatório custa zero, o gargalo vira o tempo humano de triagem.

    Fontes: TechCrunch · BleepingComputer · Google Bug Hunters (regras do OSS VRP)

    Por que bug em software aberto importa pra todo mundo: O que é open source e por que isso importa pra você?.

    5. Gemini 4 sob desconfiança interna — e o plano grátis encolhe em 9/10

    Reportagem da Bloomberg republicada no domingo diz que, às vésperas do lançamento amplo do Gemini 4, há ceticismo dentro do próprio Google: o modelo iria bem nos benchmarks, mas pior quando funcionários o colocam pra trabalhar, com desempenho irregular em programação e em design de front-end. Fontes citam o risco de “benchmaxxing” (otimizar para o placar, não para o uso real) e dizem que a empresa abandonou o Gemini 3.5 Pro prometido para junho. O Google rebate: diz ser “impreciso” afirmar que o modelo fica abaixo do esperado em código e cita um funcionário segundo o qual há “amplo consenso” interno de que o Gemini 4 está na fronteira.

    Em paralelo, o 9to5Google mostrou em 3/10 uma página de suporte atualizada: a partir de 9 de outubro, quem usa o app do Gemini sem assinatura fica só com o 3.5 Flash-Lite, perdendo o 3.6 Flash e o 3.1 Pro; o plano AI Plus mantém Flash-Lite e Flash, mas perde o Pro. O Gemini 4 “Argon”, anunciado em 30/9, está saindo em fases, primeiro para parceiros de cibersegurança.

    Fontes: Bloomberg (via NWA Democrat-Gazette) · 9to5Google · Reuters (anúncio do Gemini 4)

    Quem pilota essa aposta: Sundar Pichai: o engenheiro indiano que virou CEO do Google (e agora pilota a era Gemini).

    6. Reflection prepara modelo open-weight americano para encarar os chineses

    Segundo furo da Axios no domingo, a startup Reflection, apoiada pela Nvidia, está prestes a lançar um modelo de pesos abertos. A expectativa é que ele comece atrás dos modelos fechados mais avançados dos EUA, mas competitivo com os melhores open-weight chineses — hoje praticamente donos dessa categoria. Outros modelos abertos de empresas ocidentais devem chegar ainda este mês, dizem as fontes.

    A meta da empresa é a “AI factory”: instituições (bancos, fundos, governos) usam os modelos da Reflection com seus próprios dados e computação para montar uma IA local e barata — ideia que Jensen Huang defende há anos. A Reflection já tem parceria de “AI factory soberana” com o grupo sul-coreano Shinsegae e fechou acordos com Nebius e SpaceX para alugar servidores Nvidia. Ainda não há data, nome, licença nem benchmarks públicos; a empresa não comentou.

    Fonte: Axios

    Modelo aberto é o que permite rodar IA em casa: LLMs Locais: Sua IA, Seu Hardware, Suas Regras.

    7. Fórmula 1: bug no software da FIA trava carros na largada em Sepang

    Vista aérea do Circuito Internacional de Sepang, na Malásia, com o aeroporto de Kuala Lumpur ao fundo
    Vista aérea do Circuito Internacional de Sepang, na Malásia (foto de 2016). Crédito: CK Tan / Wikimedia Commons (CC BY 3.0)

    A primeira corrida com chuva da temporada 2026 — o GP do Bahrein, disputado excepcionalmente em Sepang, na Malásia — começou em caos no domingo. Na volta de apresentação atrás do safety car, Max Verstappen, Lewis Hamilton e outros pilotos ficaram sem potência; a direção de prova deu bandeira vermelha e houve cerca de 40 minutos de espera. O diretor de monopostos da FIA, Nikolas Tombazis, confirmou que a culpa foi de um bug no software fornecido pela própria FIA.

    A explicação, segundo a Autosport: em pista molhada a potência elétrica é limitada a 250 kW, e em velocidades baixíssimas em certos minissetores o software entrou num loop que impedia a potência de voltar — a suspeita inicial é que todo o acelerador estava indo para recarregar o MGU-K. A correção foi um “trabalho às pressas”: a FIA suspendeu a restrição nesses minissetores e as equipes instalaram a atualização antes da relargada. “Eu nem sabia que a FIA podia controlar nosso pedal”, disse Oliver Bearman. Esteban Ocon comparou a situação a reiniciar o Windows.

    Fontes: Autosport · The Verge (citando The Athletic)

    Do “reinicia que volta” ao carro de corrida: a história de como o software dominou tudo começa em Apple II, IBM PC e Windows: quando o computador entrou na sua casa.

    Maker & Prototipagem

    ESP-SDR: o ESP32 que você já tem na gaveta vira rádio definido por software

    O grupo ESPARGOS (Florian Euchner e Zoltan Doczi) publicou o ESP-SDR, firmware open source (GPL-3.0) que acessa um caminho de captura não documentado do modem do ESP32 e entrega amostras I/Q brutas — ou seja, transforma o chip num receptor SDR sem hardware extra. Funciona no ESP32 original, C3, C5, C6, C61, S2, S3 e S31, sintoniza de 2,2 a 2,7 GHz (e 4,8 a 6,0 GHz no ESP32-C5) e captura até 80 milhões de amostras por segundo internamente. A mesma capacidade foi achada de forma independente por um usuário do Reddit, h0m3us3r, segundo o Hackaday. Dá pra testar no navegador: o ESP-WebSDR grava o firmware e mostra espectro e cascata via Web Serial.

    Os limites são honestos: USB e UART não dão conta do fluxo, então o modo de navegador captura “rajadas” e pode perder sinais; streaming contínuo só no ESP32-S31, com o driver SoapyESPSDR (até 20 MSa/s por USB de alta velocidade ou 40 MSa/s por Ethernet gigabit, compatível com GNU Radio e Gqrx). Os autores contam que fizeram engenharia reversa da função adctrig da biblioteca librftest da Espressif com ajuda de LLMs, dizem que não é backdoor — é um recurso de teste de fábrica não documentado — e, por risco de abuso (jamming), não publicaram a parte de transmissão. O projeto apareceu no blog da Adafruit em 30/9 e ganhou repercussão no Hackaday (3/10) e na CNX Software (4/10).

    Fontes: ESPARGOS (página oficial) · GitHub: ESPARGOS/esp-sdr · CNX Software · Hackaday

    Pra quem está começando no chip: ESP32: O Arduino Que Aprendeu a Falar.

    Meta abre o “Muse Gadgets”: firmware para ESP32 e SDK para Raspberry Pi

    Placa Raspberry Pi 5 vista de cima, com conectores GPIO, USB, Ethernet e duas micro-HDMI
    Raspberry Pi 5. Crédito: SimonWaldherr / Wikimedia Commons (CC BY 4.0)

    Em 2/10, a Meta lançou o Muse Gadgets: firmware open source para ESP32 e um SDK para Linux (pensado para Raspberry Pi) que conectam placas comuns ao Muse, o agente de IA da empresa. A ideia é ligar telas, botões, microfones, sensores e atuadores ao agente — de display E Ink ambiente a integrações com o Home Assistant. O código está no GitHub sob licença Apache 2.0 e exige um token de SDK; a própria Meta avisa, com humor, que os efeitos colaterais podem incluir “placas brickadas, garantias anuladas, quedas de tensão ou falências”.

    A empresa também vai distribuir o Muse Home Link, dispositivo de casa conectada, de graça para assinantes nos EUA (um por pessoa, envio em outubro). Pano de fundo para quem monta com Pi: em 1/10 a Raspberry Pi subiu em US$ 12,50 as versões de 2 GB do Pi 4 e do Pi 5 (o Pi 5 2 GB foi a US$ 77,50), culpando o preço da memória.

    Fontes: Muse Gadgets (site oficial) · Digital Trends · Phoronix (preço do Pi)

    Agente de IA mandando na casa? Antes, entenda o Home Assistant: o cérebro da sua casa inteligente e o Raspberry Pi: o computador que cabe na palma.

    CantaStorie: brinquedo contador de histórias com IA 100% local num Arduino UNO Q

    Destaque do Hackster.io no fim de semana, o CantaStorie, do maker SuperModerno, é um monstrinho ciclope impresso em 3D que inventa e narra histórias personalizadas sem internet. Tudo roda num Arduino UNO Q: uma câmera no “olho” reconhece objetos com YOLOX-Nano (só acima de 75% de confiança e de uma lista permitida), um modelo pequeno via llama.cpp (Gemma de 1B, depois de testes com Qwen) escreve a história com nome e gostos da criança, e um TTS local fala pelo alto-falante na barriga. Os braços giram potenciômetros que mudam parâmetros da história, e um anel de LEDs avisa que a IA está “pensando”.

    O processo teve tropeços reais: um cabo divisor USB não testado queimou a placa principal, e a primeira versão levava até 2 minutos e meio para começar a falar — depois de otimizar, caiu para cerca de 27 segundos. É um ótimo estudo de caso de IA embarcada com privacidade por design.

    Fonte: Hackster.io

    Mesma filosofia, outro hardware: Assistente de bancada com wake word e voz local: ESP32-S3 + ESP-SR/WakeNet.

    Robótica

    Japão acelera nos humanoides: Panasonic, Kawasaki e a startup O-ID

    Entrada da sede da Panasonic em Kadoma, Osaka, com placa em japonês e prédio ao fundo
    Sede da Panasonic em Kadoma, Osaka (foto ilustrativa). Crédito: Pokarin / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

    Em entrevista à Nikkei publicada nesta segunda (5/10), o diretor de IA da Panasonic Holdings, Akira Sakakibara, disse que a empresa vai desenvolver robôs humanoides e pretende começar a fabricá-los até 2029, para fábricas e armazéns, apoiando-se na sua experiência com baterias. Um dia antes, a mesma Nikkei informou que a Kawasaki Heavy Industries, que desenvolve o humanoide Kaleido desde 2015, quer lançar uma versão totalmente autônoma movida a IA já em 2030, usando uma plataforma de “IA física” que está sendo desenvolvida no Japão pela Noetra.

    Na ponta das startups, a O-ID, de Tóquio, levantou US$ 1,2 milhão (rodada seed liderada pela Tawani Ventures, com Hustle Fund e Techstars) para levar ao mercado um humanoide modular, com articulações, membros e computação trocáveis a quente no chão de fábrica, segundo a Engineer Live. O pano de fundo é demográfico: o país mira ¥ 10,5 trilhões em investimento público e privado em IA física e 10 milhões de robôs com IA até 2040.

    Vídeo oficial (canal Kawasaki Robotics JP): o humanoide Kaleido 8, geração anterior da plataforma.

    Fontes: Nikkei Asia (Panasonic) · Nikkei Asia (Kawasaki) · Engineer Live (O-ID)

    RoboParty RP1: humanoide bípede que promete ser “open source de ponta a ponta”

    Robô humanoide branco e azul RP1 exposto sobre uma base redonda no estande da RoboParty na IROS 2026
    O humanoide RP1 no estande da RoboParty na IROS 2026. Crédito: RoboParty, via PR Newswire (imagem de divulgação)

    A RoboParty, que em janeiro abriu o código do humanoide RPO (mais de 2.500 estrelas no GitHub), apresentou na IROS 2026, em Pittsburgh, o RP1, voltado a pesquisadores, educadores e equipes de IA incorporada. O robô tem torque de pico de até 160 N·m nas juntas, atuadores próprios (Romomo) e controle treinado com o UFO, framework de aprendizado por reforço não supervisionado. No estande, a demo “Kick Me” convidava o público a empurrar e chutar o robô para vê-lo recuperar o equilíbrio.

    Importante separar promessa de entrega: o comunicado de 4/10 fala em abrir progressivamente corpo, atuadores, controle, simulação, SDKs e o PartyOS, com detalhes do roteiro ainda em outubro e um programa de produção em massa mais para o fim do 4º trimestre. Por ora, o que já é aberto de fato é o projeto RPO.

    Fontes: comunicado da RoboParty (PR Newswire) · GitHub: Roboparty/roboto_origin

    Pra entender a pilha de software de um robô desses: Robótica com ROS 2: o sistema operacional que os robôs merecem.

    Califórnia manda parar luta de humano contra robô

    A Comissão Atlética do Estado da Califórnia (CSAC) enviou uma ordem de cessar e desistir à startup REK depois que ela patrocinou, em 18/9, em São Francisco, uma luta em que o youtuber Frankie LaPenna entrou numa jaula contra três robôs humanoides (pilotados remotamente por humanos). O documento, divulgado pelo fundador Cix Liv e noticiado pela Tom’s Hardware no domingo, proíbe promover lutas ou exibições de boxe e MMA “envolvendo qualquer humano” sem aprovação e licença da comissão — o que pode ser contravenção penal.

    Pela redação, robô contra robô fica de fora da regra; o limite está na entrada do humano na jaula. A REK vende eventos privados a partir de US$ 10 mil e tem um simulador para formar “pilotos”. Real Steel, só que com advogado.

    Vídeo (canal Frankie LaPenna Vlogs, em inglês): a luta completa que motivou a ordem da CSAC.

    Fonte: Tom’s Hardware

    Do lado maker da robótica, servo por servo: Cabeça robótica do assistente com servos e driver PCA9685 via I2C.

    Leia também no tiolu.com.br

    Resumo pros almoços de família: os EUA criaram uma força-tarefa com nome de filme, Altman disse que um pouco de estrago faz parte, uma IA trapaceou no StarCraft e outra teve “medo” de ser desligada, o Google cansou de ler relatório de robô, a F1 precisou de um “reinicia aí” — e, enquanto isso, um ESP32 de poucos dólares virou rádio. Amanhã tem mais Resumão Tech.

    Imagem de destaque: placa de desenvolvimento ESP32. Crédito: Edwiyanto / Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0).