Samba de Roda — O Primo Baiano da Capoeira

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“Se vocês acham que a aula de capoeira acaba quando o berimbau para, vocês nunca ficaram até o fim.”

Mestre Risadinha sorriu com aquele olhar de quem sabe de algo que os alunos ainda não descobriram. “Depois da última roda, quando o gunga silencia, tem grupo que começa o samba de roda. E aí, meus amigos… a aula vira festa.”

O Que É o Samba de Roda

O samba de roda é uma das matrizes fundamentais da música brasileira. Originário do Recôncavo Baiano — a mesma região que deu ao mundo a capoeira, o maculelê e o candomblé de nação —, o samba de roda mistura dança, canto e percussão numa roda (como o nome diz) onde cada participante entra no centro para “sambar”.

Reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade em 2005 — nove anos antes da capoeira receber o mesmo título —, o samba de roda é considerado uma das raízes do samba carioca que conquistaria o Brasil no século XX.

“A capoeira e o samba de roda”, explicou Mestre Risadinha, “são irmãos de criação. Nasceram no mesmo lugar, com as mesmas pessoas, muitas vezes na mesma noite. O capoeirista que não sabe sambar… tá perdendo metade da festa.”

A Conexão com a Capoeira

Muitos mestres antigos — incluindo Pastinha e Bimba — eram também sambistas. A roda de capoeira e a roda de samba compartilham instrumentos (pandeiro, atabaque), estrutura circular e a dinâmica responsorial (solista e coro). Não é raro, em eventos de capoeira, que a roda de jogo se transforme naturalmente em roda de samba.

“No Ginga SP”, contou o mestre, “a gente mantém essa tradição viva. Nosso samba de roda é parte do repertório cultural. Porque a capoeira não acaba quando o jogo acaba — ela continua na música, na dança, na confraternização.”

As cantigas de samba de roda são geralmente mais alegres e festivas que as da capoeira. O ritmo é mais rápido, as palmas são diferentes (o “picado” do samba de roda é característico), e a umbigada — o convite para entrar na roda — é o gesto que define a dança.

“E sabe qual é a melhor parte?”, perguntou Mestre Risadinha. “No samba de roda, não tem competição. Não tem vencedor. Todo mundo entra, todo mundo dança, todo mundo sai feliz. É a capoeira sem o combate — só a celebração.”

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