“Paranauê, Paranauê, Paraná!”
Se existe um refrão que une todos os capoeiristas do mundo — do Brasil ao Japão, de Angola à Alemanha — é esse. Não importa o grupo, o estilo, a corda: quando alguém puxa “Paranauê”, a roda inteira responde.
“Essa cantiga”, disse Mestre Risadinha, “é o hino nacional da capoeira.”
A Origem de “Paranauê”
Ninguém sabe exatamente de onde veio “Paranauê”. Há várias teorias. Uma diz que “Paranauê” é uma saudação aos negros do Paraná — os “paranás” — que lutaram na Revolta dos Malês ou em outros levantes. Outra diz que vem do termo “paraná”, que em algumas línguas africanas significa “rio” ou “mar”. Outra ainda diz que é simplesmente uma onomatopeia — um som que surgiu naturalmente na roda e ficou.
A letra completa de uma das versões mais cantadas:
Solista: Paranauê, Paranauê, Paraná!
Coro: Paranauê, Paranauê, Paraná!
Solista: Ô Paranauê, Paranauê, Paraná!
Coro: Ô Paranauê, Paranauê, Paraná!
“O que importa não é o significado exato”, filosofou Mestre Risadinha. “O que importa é que, quando você canta Paranauê numa roda em Tóquio, e um capoeirista japonês responde em coro, vocês estão falando a mesma língua. A língua da capoeira.”
Outros Corridos Essenciais
“Abalou Capoeira, Abalou”
Puxado quando o jogo esquenta. O “abalo” é o impacto do golpe — a roda treme, o público vibra. É o corrido do jogo intenso:
Solista: Abalou capoeira, abalou!
Coro: Mas se abalou, deixa abalar!
“Sim, Sim, Sim / Não, Não, Não”
Um dos corridos mais divertidos da capoeira. É quase uma brincadeira de criança — mas tem malícia:
Solista: Sim, sim, sim!
Coro: Não, não, não!
Solista: Sim, sim, sim!
Coro: Não, não, não!
“Esse é o corrido do desafio”, explicou o mestre. “O solista diz sim, o coro diz não. É um diálogo. Na roda, ele é usado quando os dois jogadores estão se provocando.”
“Ê, Paraná”
Primo do Paranauê, mas com melodia diferente e letra mais longa. Puxado geralmente no final da roda, como uma despedida:
Solista: Vou me embora, vou me embora!
Coro: Ê, Paraná!
Solista: Vou me embora pra Bahia!
Coro: Ê, Paraná!
“Ê, Paraná é a cantiga do adeus”, disse Mestre Risadinha. “Quando o mestre puxa essa, é o sinal de que a roda tá acabando.”
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