Bom dia! Este é o Resumão Tech da quinta-feira, 8 de outubro de 2026. O assunto do dia foi agente: o Google transformou o Gemini num agente único para o trabalho, a Anthropic passou a caçar falhas de segurança de graça em projetos open source e o Manus, que quase virou Meta, levantou meio bilhão de dólares. Teve também app de anotação de reunião que roda 100% offline, robotáxi com dinheiro novo e tablet da Amazon com Play Store. Na bancada, um analisador lógico de 10 Gbps e um cão-robô do tamanho de um celular com ESP32-C3; na robótica, a AWS abriu uma caixa de ferramentas para “IA física”.
1. Google transforma o Gemini num agente único para o trabalho, começando pelas empresas
No evento Gemini at Work, o Google apresentou o Gemini agent: em vez de só responder perguntas, ele recebe “objetivos, não só instruções”, nas palavras de Thomas Kurian, CEO do Google Cloud. Ele planeja o trabalho, usa skills e ferramentas, se conecta aos sistemas internos da empresa e devolve algo pronto dentro do Gmail, Drive, Docs, Planilhas, Agenda e dos ambientes de programação. Por padrão escolhe sozinho o melhor modelo para a tarefa, mas o usuário pode escolher outro, inclusive modelos de terceiros, a começar pelo Claude, da Anthropic; modelos open source devem entrar depois.
O lançamento começa pelas empresas, e só depois chega ao consumidor. Sundar Pichai disse que o Gemini tem mais de 1 bilhão de usuários mensais e que quase 90% das empresas da Fortune 100 usam o Gemini Enterprise; o Google também anunciou controles de custo, como limite de gasto em tempo real, e regras de identidade e permissão para os agentes.
Fontes: Google Cloud (anúncio oficial) · TechCrunch
O que está por trás de um agente desses, explicado do zero: Resumão Tech 07/10/2026, com o Windows apostando em agentes locais.
2. Anthropic lança o OSS Scanner: auditoria de segurança grátis com IA para projetos open source
A Anthropic abriu o OSS Scanner, um serviço opcional que faz varreduras periódicas de vulnerabilidades em projetos de código aberto usando seus modelos mais fortes, incluindo o Claude Mythos, sem custo. A empresa conta que, nos últimos seis meses, achou mais de 29 mil vulnerabilidades candidatas em softwares importantes, mas só conseguiu revisar à mão cerca de 6 mil. Por isso a novidade: quem aderir recebe os relatórios assim que saem, com um reprodutor do bug, a explicação e, quando possível, uma proposta de correção.
O preço da velocidade é que os relatórios são 100% gerados pelo modelo, sem revisão humana, e podem vir errados. A Anthropic diz que o modelo foi inspirado no OSS-Fuzz do Google e que, nos testes com dezenas de projetos, encontrou falhas encadeáveis até execução remota de código sem autenticação.
Fontes: Anthropic (anúncio oficial) · The Verge
Por que IA na ponta e segurança andam juntas: Edge AI: Inteligência na Ponta dos Dedos.
3. Google lança o AI Edge Foresight, app de anotações de reunião que funciona 100% offline
A mesma equipe do Google que lançou um ditado com modelos locais em abril soltou o Google AI Edge Foresight, um app para Mac que concorre com o Granola. Ele transcreve e resume reuniões, inclusive presenciais, sem internet, usando o EmbeddingGemma 2 (740 milhões de parâmetros) e um assistente baseado no Gemma 4 para conversar sobre o que foi dito. A tela é dividida: suas anotações rápidas de um lado, as da IA do outro.
Dá para montar uma base de conhecimento com PDFs, documentos do Google e do Office, Markdown e favoritos, e o app puxa essas informações durante a reunião quando o assunto aparece. É otimizado para Apple Silicon e, por enquanto, parece mais uma vitrine dos modelos Gemma offline do que um produto de massa.
Fontes: Google (página oficial) · TechCrunch
IA que roda na sua máquina, sem nuvem: LLMs Locais: Sua IA, Seu Hardware, Suas Regras e Assistentes de Voz Offline: Seu Jarvis Pessoal.
4. Waymo fecha empréstimo de US$ 5 bilhões, e Uber e Pony.ai prometem robotáxi em Londres

A Waymo, empresa de carros autônomos da Alphabet, fechou seu primeiro financiamento por dívida: US$ 5 bilhões de credores como PIMCO, Blackstone, Sixth Street, Apollo e T. Rowe Price, com o Goldman Sachs na coordenação. O dinheiro serve para acelerar a expansão nas cidades onde já opera e nos novos mercados nos EUA, na Europa e no Japão. Em fevereiro a empresa já tinha captado US$ 16 bilhões em ações, com avaliação de US$ 126 bilhões.
No mesmo dia, Uber e a chinesa Pony.ai anunciaram planos de lançar robotáxis em Londres, repetindo o modelo usado em Zagreb, na Croácia, desde agosto. A Uber já tem acordos com mais de 30 empresas de veículos autônomos e espera oferecer corridas sem motorista em até 15 cidades até o fim de 2026; em Londres ela também aposta na britânica Wayve.
Fontes: Waymo (blog oficial) · TechCrunch (Waymo) · TechCrunch (Uber e Pony.ai)
Como um carro desses enxerga a rua: Como funciona um carro autônomo? Lidar, câmeras e decisões em milissegundos.
5. Amazon troca os Fire por tablets Alexa com Android, Play Store e Alexa+
A Amazon apresentou uma linha nova de tablets, agora com Android e acesso completo à Google Play Store, no lugar do Fire OS e da loja própria. São três modelos: o Alexa Tablet 12 Pro (tela de 12 polegadas a 120 Hz, a partir de US$ 499,99), o Alexa Tablet 11 (US$ 329,99) e o Alexa Tablet 8 (US$ 229,99). Todos vêm com a Alexa+, que pode “olhar” o que está na tela e responder sobre aquilo.
As vendas começam em 14 de outubro nos EUA, México e Canadá, e em 19 de outubro em parte da Europa; não há anúncio para o Brasil. Segundo a Amazon, o 12 Pro tem quase três vezes o desempenho de processamento de qualquer tablet que ela já vendeu.
Fontes: TechCrunch · Amazon (tablets infantis)
A ficção chegou antes: Star Trek — O Communicator, o Tablet e o Computador Que Fala.
6. Manus levanta mais de US$ 500 milhões depois de a China barrar a venda para a Meta
A Butterfly Effect, dona do agente de IA Manus, anunciou uma rodada de mais de US$ 500 milhões liderada por Boyu Capital e IDG Capital, com Tencent e HSG entre os participantes. É a primeira captação desde que autoridades chinesas mandaram desfazer, em abril, a compra de US$ 2 bilhões pela Meta, por receio de perder talentos de IA para o Ocidente.
A empresa voltou a operar de forma independente em agosto, lançou o Manus 2.0 e o app Cue, que dá aos agentes pessoais e-mail, telefone e carteira próprios, dentro de limites definidos pelo usuário. A avaliação não foi divulgada.
Fontes: Manus (blog oficial) · TechCrunch
Maker & Prototipagem
Sipeed SLogic32U3: analisador lógico USB 3.2 de 10 Gbps (campanha no Kickstarter)
A Sipeed lançou no Kickstarter o SLogic32U3, que ela diz ser o primeiro analisador lógico USB 3.2 de 10 Gbps do mundo. São até 32 canais por quatro conectores mini HDMI, 350 MHz de banda e até 1.400 milhões de amostras por segundo por canal (com quatro canais) ou 200 MS/s com os 32. Funciona com o software da Sipeed e também com o PulseView/sigrok e o ngscopeclient, no Windows, Linux, macOS e até pelo navegador no Android.
É uma campanha de financiamento coletivo, não um produto entregue: a meta foi batida em poucas horas, as recompensas começam em US$ 129 e a previsão de envio é o fim de novembro de 2026, se tudo correr como planejado.
Fontes: CNX Software · Sipeed (wiki oficial)
Q8botOne: cão-robô open source do tamanho de um celular, com ESP32-C3 (campanha na Crowd Supply)

O Q8botOne, da ZeroWire Robotics, é um quadrúpede de 250 gramas que corre, pula e carrega até o dobro do próprio peso. A placa de circuito é o próprio chassi, por isso quase não tem fios, e o cérebro é um ESP32-C3. No lugar dos servos PWM comuns, usa oito atuadores inteligentes DYNAMIXEL, com controle de posição e velocidade e retorno de cada junta. O controle sem fio usa ESP-NOW, e firmware, esquemas, Gerbers, lista de peças e modelos 3D estão abertos no GitHub.
Também é campanha, ainda sem entrega: o kit básico custa US$ 199 sem os atuadores, a versão montada US$ 599, e as entregas estão previstas para o fim de março de 2027.
Fontes: Crowd Supply (campanha) · CNX Software · repositório do projeto
Pra começar a montar com ESP32 e IA: ESP32 como interface física de um LLM local rodando via Ollama.
Robótica
AWS lança o Physical AI Toolchain, caixa de ferramentas open source para treinar e colocar IA em robôs
A Amazon Web Services lançou o Physical AI Toolchain, um conjunto open source que junta serviços da AWS (SageMaker para treinar, IoT Greengrass para distribuir os modelos aos robôs) com a pilha da NVIDIA (Isaac Sim, Isaac Lab, Isaac GR00T e Cosmos). A ideia é cobrir o caminho inteiro: gerar dados sintéticos, treinar, testar em simulação, colocar no robô e usar os dados de campo para melhorar o modelo.
Segundo a AWS, o maior gargalo é dado: diferente dos modelos de linguagem, não existe uma internet inteira de exemplos de robôs fazendo tarefas. As peças podem ser usadas separadas ou juntas, e a empresa diz que não é um substituto direto do RoboMaker, desligado em 2025.
Fonte: The Robot Report
A base de software de muitos desses robôs: Robótica com ROS 2: o sistema operacional que os robôs merecem.
Jabil: humanoides estão saindo da montagem à mão para a escala de dezenas de milhares
Em entrevista ao The Robot Report, Thomas Brown, diretor de engenharia da fabricante terceirizada Jabil, que ajuda a Apptronik a produzir o humanoide Apollo, disse que o setor está entrando numa fase de “dezenas de milhares” de unidades, quando o robô deixa de ser montado à mão e passa a precisar de custo, manufatura e qualidade de indústria. Ele cita Tesla, 1X, XPeng e UBTECH entre as que se preparam para produzir em volume.
Dois gargalos aparecem na conversa: poder de computação embarcado (a linha NVIDIA Jetson é a preferida dos clientes, mas o preço da memória pesa) e peças como chicotes elétricos, que precisam da robustez automotiva num tamanho de eletrônico de consumo.
Fonte: The Robot Report
Mais robótica por aqui: Resumão Tech 07/10/2026 (Boston Dynamics com CEO novo) e Drones DIY: Construindo Seu Próprio Quadricóptero.
Até amanhã! O Resumão Tech sai todo dia de manhã com o que importou no dia anterior.
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