“Girar de costas pro adversário parece suicídio, né?”
Mestre Risadinha sorriu com a pergunta que ele mesmo fez. “É. Parece. E é exatamente por isso que funciona.”
Ele gingou, deu um passo, girou — e, de costas, a perna subiu num arco perfeito que ninguém viu chegando.
“Meia-lua de costas. O golpe que usa sua maior fraqueza aparente como sua maior arma.”
Meia-Lua de Costas
A meia-lua de costas é o espelho da meia-lua de compasso — mas executada a partir de um giro que deixa você momentaneamente de costas para o adversário. O movimento é um chute circular para trás que surpreende porque parece que você está fugindo.
“É o golpe do ‘tô indo, mas não tô’”, brincou o mestre.
Passo a passo:
- Partindo da ginga, com a perna direita atrás.
- Dê um passo com a perna direita cruzando à frente da esquerda.
- Gire o corpo no sentido horário (para a direita) — você dá as costas para o adversário.
- Durante o giro, a perna direita sobe num arco de dentro para fora — como uma meia-lua, só que para trás.
- A mão esquerda toca o chão para apoio (opcional — versão avançada não usa mão).
- Complete o giro e volte para a ginga.
“A chave desse golpe”, ensinou Mestre Risadinha, “é a velocidade do giro. Se você girar devagar, o adversário te pega nas costas. Se girar rápido, quando ele perceber, a perna já passou.”
É um golpe típico da Capoeira Angola — onde o jogo é mais lento e os giros têm tempo para serem executados. Na Regional, aparece menos, substituído por golpes mais diretos e rápidos.
Armada Dupla — O Golpe Que Não Acaba
A armada dupla é uma variação da armada simples (que você já aprendeu na corda amarela). A diferença é que, depois de completar a primeira armada, você emenda uma segunda — sem colocar o pé no chão. Duas armadas consecutivas, no ar.
“A armada dupla é golpe de apresentação”, explicou Mestre Risadinha. “Na roda de jogo real, você raramente usa. Mas em batizados, mostras culturais e campeonatos, é um dos golpes que mais impressiona.”
Passo a passo:
- Execute a armada simples: perna direita atrás na ginga, cruze à frente, gire.
- A perna direita sobe (joelho flexionado), descreve o arco da armada.
- Em vez de descer, a perna continua o giro — você puxa o joelho de volta ao peito e gira o corpo uma segunda vez.
- A mesma perna desfere uma segunda armada, no mesmo sentido.
- Depois da segunda armada, o pé volta ao chão e você retorna à ginga.
- Comece com a armada simples — execute 20 armadas por dia até o movimento ficar automático.
- Depois, tente a armada dupla no lugar, sem ginga — só o giro duplo.
- Quando dominar, encaixe na ginga.
- Sempre aqueça bem o quadril — a armada dupla exige muito da articulação.
“Parece fácil”, riu o mestre. “Não é. A armada dupla exige equilíbrio absurdo e força no core. Você fica no ar com uma perna só, girando duas vezes. Se o core não aguentar, você cai — e cair fazendo armada dupla é feio.”
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