Se você está lendo isso, é por causa de duas letras: TCP/IP. O protocolo que faz a internet funcionar foi co-inventado por Vint Cerf nos anos 70. Ele tem 83 anos, trabalha no Google e ainda está tentando levar internet pra outros planetas.
Vinton “Vint” Cerf é um dos “pais da internet” — título que divide com Bob Kahn. Juntos, eles criaram o TCP/IP, o conjunto de protocolos que permite que computadores de redes diferentes se comuniquem. É a linguagem universal da internet.
A invenção que ninguém patenteou
Cerf nasceu em Connecticut em 1943. Nasceu com deficiência auditiva — algo que influenciaria seu trabalho décadas depois, quando ajudou a criar padrões de acessibilidade digital.
Nos anos 70, trabalhando na DARPA (a agência de pesquisa militar americana), Cerf e Bob Kahn enfrentaram um problema: o governo americano tinha várias redes de computadores (ARPANET, redes de rádio, redes de satélite) que não se comunicavam entre si. Cada uma falava uma “língua” diferente.
A solução foi o TCP/IP — um protocolo que traduzia entre essas redes, criando efetivamente uma “rede de redes”. Em 1983, a ARPANET adotou o TCP/IP. Nasceu a internet como conhecemos.
E aqui está o detalhe mais impressionante: Cerf e Kahn não patentearam o TCP/IP. Eles o disponibilizaram livremente para qualquer um usar. Foi uma decisão que tornou a internet um bem público global, e não uma tecnologia proprietária.
O que ele está fazendo agora
Cerf trabalha no Google desde 2005 como “Chief Internet Evangelist”. Ele lidera o projeto de “Internet Interplanetária” — protocolos de comunicação que funcionariam entre a Terra e Marte, onde o delay é de até 24 minutos. Também defende acessibilidade digital e preservação de dados para futuras gerações.
Ele já avisou: se não criarmos formatos de arquivo que possam ser lidos daqui a 100 anos, o século 21 será uma “Idade das Trevas digital” — com bilhões de fotos, documentos e dados que ninguém conseguirá abrir.

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