A Segunda Guerra Mundial não foi travada só com tanques e aviões. Foi a primeira guerra da informação — e a pressão para quebrar códigos inimigos acelerou a computação em décadas.
Enigma: o código que precisava ser quebrado
Os nazistas usavam a máquina Enigma pra criptografar todas as comunicações militares. Cada mensagem era embaralhada por rotores que mudavam a configuração todo dia — trilhões de combinações possíveis. Quebrar manualmente era impossível.
Alan Turing (sim, o mesmo da Máquina de Turing) liderou a equipe em Bletchley Park que construiu a Bombe — uma máquina eletromecânica que testava automaticamente milhares de configurações da Enigma por segundo. Não era um computador programável, mas era a primeira máquina de uso específico em escala industrial.
Colossus: o primeiro computador digital programável (1943)
Enquanto Turing quebrava a Enigma, outro gênio — Tommy Flowers — construía o Colossus. Era uma máquina com 1.500 válvulas eletrônicas que decifrava o código Lorenz (usado pelo alto comando nazista). O Colossus processava 5.000 caracteres por segundo em fita de papel — velocidade absurda pra época.
O governo britânico manteve o Colossus em segredo absoluto até os anos 70. Destruíram as máquinas e os planos depois da guerra. Por décadas, o ENIAC americano levou o crédito de “primeiro computador” — mas o Colossus era anterior.
ENIAC: o monstro de 30 toneladas (1945)
O ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer) foi construído na Universidade da Pensilvânia. Ocupava uma sala inteira, pesava 30 toneladas, tinha 17.468 válvulas eletrônicas e consumia 150 kW de eletricidade — suficiente pra um quarteirão.
Sua capacidade: 5.000 adições por segundo. Parece ridículo (seu celular faz bilhões), mas era mil vezes mais rápido que qualquer calculadora mecânica anterior. O ENIAC foi usado pra cálculos balísticos e, depois, pra ajudar a desenvolver a bomba de hidrogênio.
O legado invisível
Colossus e ENIAC provaram que computação eletrônica digital funcionava. Mas nenhum deles era prático. As válvulas queimavam o tempo todo, a programação era feita reconectando cabos fisicamente, e o custo era astronômico. O computador existia — mas ninguém sabia pra que servia.
Isso mudou em 1947. Três físicos da Bell Labs inventaram algo que cabia na ponta do dedo e mudaria tudo: o transistor.

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