“Agora a gente vai falar de dois golpes que quase ninguém ensina — mas que todo mundo respeita.”
Mestre Risadinha fez uma pausa. “Joelhada. Cotovelada. Golpes de distância zero. Quando o adversário cola em você, e não dá mais pra usar perna.”
Joelhada
A joelhada é um golpe frontal de curtíssima distância, executado com o joelho. Na capoeira, ela aparece pouco — é mais associada ao muay thai —, mas tem seu lugar no “jogo de dentro”, quando os dois capoeiristas estão tão próximos que não há espaço para chutes circulares.
“A joelhada na capoeira não é igual à do muay thai”, explicou o mestre. “No muay thai, você segura a cabeça do outro e puxa pra baixo. Na capoeira, você não agarra. A joelhada é rápida, solta, e volta imediatamente pra ginga.”
Passo a passo:
- Aproxime-se do adversário — a joelhada exige distância de um palmo.
- Eleve o joelho em direção ao tronco ou abdômen.
- O impacto é com a parte superior do joelho (logo acima da patela).
- Recolha a perna imediatamente e afaste-se.
“Na roda, a joelhada é golpe de marcação“, disse Mestre Risadinha. “Você mostra que poderia ter batido, mas não bate. É um aviso: ‘respeita a distância’.”
Cotovelada
A cotovelada é ainda mais íntima que a joelhada. Executada com a ponta do cotovelo, mirando o tronco ou — em situações extremamente controladas — o queixo, é o golpe do espaço mínimo.
“A cotovelada não é golpe de roda”, admitiu o mestre. “É golpe de rua. Na capoeira do século XIX, quando a luta era real e a polícia vinha com cassetete, o cotovelo salvava vidas. Hoje, a gente treina pra manter a tradição — e pra entender que a capoeira também é defesa pessoal.”
Passo a passo:
- Com o adversário extremamente próximo, gire o tronco.
- Projete o cotovelo para frente, mirando o tronco.
- O impacto é com a ponta óssea do cotovelo.
- Recue imediatamente.
“Esses dois golpes”, concluiu o mestre, “são o último recurso. Você só usa quando não tem mais espaço pra nada. E, na roda, você nunca — nunca — acerta de verdade. É demonstração. É respeito.”
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