A Dança do Sol — nativos americanos perfurando o peito durante dias. E o governo que proibiu

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A Dança do Sol — nativos americanos perfurando o peito durante dias. E o governo que proibiu

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Antes do nascer do sol, as primeiras batidas do tambor ecoam pela planície. Jovens guerreiros lakota, cheyenne, arapaho e de outras nações das Grandes Planícies se preparam. Nos próximos dias, eles não comerão. Não beberão água. Dançarão em círculo ao redor de uma árvore sagrada. E alguns deles — os mais devotos — terão espetos de madeira inseridos sob a pele do peito, amarrados por cordas de couro cru à árvore central. Eles dançarão, puxando essas cordas, até que a pele se rompa.

Esta é a Dança do Sol. Uma das cerimônias mais sagradas — e mais extremas — da história humana.

O sacrifício que o governo proibiu

A Dança do Sol não era uma tradição qualquer. Era o rito máximo de renovação espiritual e súplica ao Grande Espírito. O auto-sacrifício — o piercing no peito e o rompimento da pele — simbolizava oferecer a própria carne em troca de bênçãos para a comunidade. Não era masoquismo. Era transação espiritual. O corpo como moeda de troca com o divino.

O governo dos Estados Unidos não via assim. Em 1883, o Departamento do Interior proibiu a Dança do Sol — junto com todas as outras cerimônias nativas. A justificativa oficial: “práticas bárbaras”. A justificativa real: eliminar a identidade cultural indígena. A proibição durou quase um século — até 1978, quando o American Indian Religious Freedom Act finalmente restaurou o direito constitucional às cerimônias tradicionais.

Durante o período de proibição, a Dança do Sol continuou — em segredo. Em reservas remotas, longe dos olhos dos agentes federais. A transmissão oral manteve viva uma tradição que, por todas as leis da repressão cultural, deveria ter morrido. Não morreu. Quando a proibição caiu, a Dança do Sol ressurgiu com força total. Hoje, cerimônias acontecem anualmente em reservas das Dakotas, Montana, Wyoming e Alberta (Canadá).

Para quem observa de fora, a Dança do Sol pode parecer brutal. E é. Mas a pergunta que ela faz é profunda e perturbadora: o que você está disposto a sacrificar pelo que acredita? Os guerreiros das planícies ofereciam a pele do peito. O resto de nós… o que estamos oferecendo?

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