Tábata Amaral não é engenheira de software nem fundadora de startup. Mas é uma das vozes mais importantes sobre ciência, educação e tecnologia no Brasil hoje. Formada em Ciência Política e Astrofísica por Harvard, ela representa uma rara combinação: pensamento científico rigoroso + atuação política concreta + alcance popular. O resultado é uma deputada federal (eleita por São Paulo em 2018 e reeleita em 2022) que consegue falar de verba pra pesquisa, inclusão digital e reforma educacional com a mesma fluência.
Da periferia a Harvard
Tábata cresceu na periferia de São Paulo, filha de uma diarista e um cobrador de ônibus. Ganhou medalha de ouro na Olimpíada Brasileira de Matemática e, com bolsa integral, entrou no colégio particular. Dali, foi aceita em Harvard com bolsa — onde estudou astrofísica e política. Voltou ao Brasil com a convicção de que o problema não é falta de talento. É falta de oportunidade.
No Congresso, foi uma das autoras do marco legal das startups, defendeu ativamente o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT) contra cortes e relatou a reformulação do Fundeb — o principal mecanismo de financiamento da educação básica. Em 2024-2025, entrou de cabeça no debate sobre regulação de IA no Brasil, defendendo o PL 2.338/2023 com ênfase em transparência e proteção de direitos fundamentais.
Tábata não é unanimidade — e ela sabe disso. Já foi criticada tanto pela esquerda quanto pela direita. Mas num Congresso onde poucos entendem de tecnologia, ter alguém que leu papers de machine learning e consegue explicar pra um plenário o que é viés algorítmico… é raro. E necessário.

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