O Krakatoa Submarino — vulcões no fundo do oceano que estão criando novas ilhas enquanto você lê

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Voz do navegador · episódio narrado na Fase 2

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Em 1883, o Krakatoa explodiu com uma força equivalente a 200 megatons de TNT. O som foi ouvido na Austrália, a 3.500 quilômetros de distância. Tsunamis de 40 metros varreram as costas da Indonésia. Mas o Krakatoa, por mais devastador que tenha sido, não foi o fim. Em 1927, quarenta e quatro anos depois, pescadores viram fumaça saindo da água exatamente onde a ilha original afundou. Um novo vulcão estava nascendo. Anak Krakatau — o “filho de Krakatoa”. A Terra não havia terminado.

Vulcões submarinos: as fábricas do planeta

A maioria das pessoas imagina que os vulcões são montanhas cônicas em terra firme. Na verdade, a maior atividade vulcânica do planeta acontece debaixo d’água. Estima-se que mais de 75% do magma expelido pela Terra saia por vulcões submarinos, principalmente nas dorsais meso-oceânicas — cadeias montanhosas submersas que percorrem o planeta como costuras tectônicas, somando 65.000 quilômetros de extensão.

O fenômeno mais espetacular é a criação de novas ilhas. Em 2015, o vulcão submarino Hunga Tonga-Hunga Ha’apai entrou em erupção no Pacífico Sul e criou uma ilha do zero em semanas. Em 1630, o mesmo processo formou o arquipélago de Fernando de Noronha. O Havaí inteiro é produto de um hotspot vulcânico submarino — o Loihi, a sudeste da Ilha Grande, está crescendo agora e será a próxima ilha do arquipélago, emergindo em cerca de 50.000 anos.

Fontes hidrotermais: vida sem sol

Onde há vulcanismo submarino, há fontes hidrotermais — fendas no assoalho oceânico que vomitam água superaquecida a 400°C, carregada de minerais. Descobertas apenas em 1977, essas fontes revolucionaram a biologia ao revelar ecossistemas inteiros que não dependem da luz solar. Bactérias quimiossintetizadoras convertem sulfeto de hidrogênio em energia. Vermes tubulares gigantes de dois metros de comprimento prosperam no escuro absoluto. Camarões cegos se aglomeram em colônias.

A vida na Terra pode ter começado exatamente nesses ambientes — nas fontes hidrotermais. E se pudemos surgir aqui, o mesmo poderia ter acontecido nas luas de Júpiter e Saturno. Europa e Encélado têm oceanos subterrâneos aquecidos por atividade vulcânica. Os próximos anos prometem missões para responder exatamente essa pergunta: estamos sozinhos, ou a receita da vida é mais comum do que imaginamos?