O Jogo do Elevador — o ritual que supostamente transporta você para outra dimensão

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Voz do navegador · episódio narrado na Fase 2

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Existem rituais que você lê por curiosidade. E existem aqueles que, depois de ler, você decide que é melhor não testar. O Jogo do Elevador pertence à segunda categoria. Originário de fóruns coreanos e popularizado na internet ocidental por volta de 2010, o ritual promete transportar o jogador para uma realidade alternativa — desde que ele siga as instruções com precisão cirúrgica.

As regras: entre em um prédio com pelo menos 10 andares. Sozinho. De preferência à noite. Pressione os botões nesta ordem exata: 4, 2, 6, 2, 10, 5. No quinto andar, uma mulher pode entrar no elevador. Não olhe para ela. Não fale com ela. Se fizer isso, o ritual diz que ela o levará — e você não voltará. Se conseguir ignorá-la, pressione o botão do primeiro andar. Se o elevador subir em vez de descer, você estará na outra dimensão. Olhe pela janela do prédio, se houver. Verá apenas escuridão.

Para voltar, é preciso repetir a sequência inversa. Se errar um único botão… o elevador para. E você não está mais no seu mundo.

Elisa Lam e as águas que não deveriam subir

O ritual ganhou uma associação sombria com o caso de Elisa Lam, a estudante canadense encontrada morta na caixa d’água do Hotel Cecil, em Los Angeles, em 2013. O vídeo do elevador — as últimas imagens dela viva — mostra Elisa entrando no elevador, pressionando vários botões, entrando e saindo, gesticulando como se conversasse com alguém invisível. O elevador não fecha. Ela parece estar jogando… alguma coisa. O vídeo viralizou.

Investigações posteriores determinaram que Elisa sofria de transtorno bipolar e não estava tomando sua medicação. Sua morte, segundo o legista, foi acidental — afogamento. Mas a estranheza do vídeo, o histórico macabro do Hotel Cecil (lar de dois serial killers, cenário de múltiplos suicídios), e sua semelhança com as regras do Jogo do Elevador… criaram uma lenda que se recusa a morrer.

O Jogo do Elevador, como todo bom folclore digital, pode ser exatamente isso: folclore. Uma creepypasta que escapou do Reddit e infectou a cultura. Mas talvez seja justamente essa a natureza do oculto contemporâneo — ele não vive mais em grimórios empoeirados. Vive no 4chan, no Reddit, nos fóruns coreanos. E assombra prédios de escritórios vazios depois do expediente.