A eletricidade que acende a lâmpada do seu quarto agora provavelmente chegou pelo sistema que Tesla inventou. Mas ele morreu pobre, sozinho num quarto de hotel, obcecado por pombos e por um raio da morte que nunca construiu.
Nikola Tesla nasceu em 1856 onde hoje é a Croácia, filho de um padre ortodoxo e uma mãe que inventava aparelhos domésticos (ela pode ter sido a fonte do gênio). Ele emigrou pros EUA em 1884 e trabalhou brevemente pra Thomas Edison — que lhe prometeu US$50 mil pra resolver um problema de engenharia e depois riu dizendo que “era piada”.
A rivalidade virou lenda: Edison defendia corrente contínua (DC). Tesla defendia corrente alternada (AC), que podia viajar longas distâncias. A “Guerra das Correntes” terminou com vitória de Tesla: a Niagara Falls Power Company escolheu AC em 1896, e o mundo seguiu.
O visionário que ninguém entendeu
Tesla patenteou o motor de indução, a bobina que leva seu nome, o controle remoto por rádio (1898!), e sonhava com transmissão de energia sem fio. Ele construiu a Torre Wardenclyffe em Long Island pra provar que dava pra enviar eletricidade pelo ar — mas perdeu o financiamento de JP Morgan quando o investidor percebeu que não dava pra colocar medidor em energia wireless.
Ele imaginava smartphones, internet, drones — décadas antes. Descreveu um “world wireless system” em 1900 que soa exatamente como a internet móvel. Tinha memória fotográfica, visualizava invenções em 3D na cabeça e dormia 2 horas por noite. Também tinha TOC severo, era obcecado pelo número 3 e tinha nojo de pérolas.
Morreu em 1943, aos 86 anos, sozinho no New Yorker Hotel. Seus papéis foram confiscados pelo FBI. Mas seu legado é a civilização elétrica em que vivemos. Hoje, Tesla virou nome de carro elétrico — ironia fina considerando que Edison, seu rival, teria odiado isso.

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