No meio do Oceano Pacífico, na ilha de Pohnpei (Micronésia), existe uma cidade que não deveria existir. Nan Madol é um complexo de 92 ilhotas artificiais, construídas sobre um recife de coral, conectadas por canais navegáveis. As muralhas são feitas de colunas hexagonais de basalto — algumas pesando 50 toneladas — empilhadas como se fossem toras de madeira. A estrutura se estende por 1,5 km de comprimento e 0,5 km de largura. O volume total de basalto usado é estimado em 750.000 toneladas métricas.
Não há pedreira de basalto em Nan Madol. As colunas vêm de uma área chamada Sokehs Rock, do outro lado da ilha. Ninguém sabe como 750.000 toneladas de pedra foram transportadas através de uma ilha montanhosa e montadas sobre um recife de coral — com precisão milimétrica — entre os séculos VIII e XIII d.C. Os habitantes locais, os Pohnpeianos, não usavam roda, não tinham animais de carga, não tinham metais, não tinham escrita. Segundo a ortodoxia arqueológica, eles não deveriam ter sido capazes de construir uma cidade de pedra que rivaliza com qualquer construção da antiguidade ocidental. E ainda assim, Nan Madol está lá.
A lenda dos gêmeos feiticeiros
A tradição oral de Pohnpei conta que Nan Madol foi construída por dois irmãos feiticeiros — Olisihpa e Olosohpa — que chegaram em uma canoa e usaram magia para fazer as pedras de basalto flutuarem pelo ar até seu lugar. Não é um detalhe pitoresco; é a explicação oral oficial para como as pedras chegaram lá. Quando os arqueólogos perguntaram “como vocês fizeram isso?”, a resposta honesta dos nativos foi: “os feiticeiros fizeram flutuar”.
Há um fenômeno curioso entre povos que construíram megálitos ao redor do mundo — de Stonehenge a Göbekli Tepe, das pirâmides do Egito a Nan Madol, as lendas locais frequentemente atribuem a construção a seres com poderes sobrenaturais. Talvez seja apenas uma forma de explicar o inexplicável. Ou talvez — e essa é a hipótese que os arqueólogos independentes preferem — essas culturas realmente tiveram acesso a conhecimentos de engenharia que se perderam com o tempo. O que é mais razoável: que “feiticeiros fizeram as pedras flutuar”, ou que um povo desenvolveu uma engenharia tão sofisticada que, para um observador externo, parecia mágica?
O abandono misterioso
Por volta de 1500 d.C., Nan Madol foi abandonada. A dinastia Saudeleur — os governantes que ocuparam a cidade por séculos — entrou em colapso. Os Pohnpeianos contam que o último governante, Isokelekel, foi derrotado em batalha. A cidade foi deixada à selva, e ninguém mais voltou a habitá-la. O que causou o colapso é desconhecido, mas há uma hipótese intrigante: as ilhotas artificiais de Nan Madol exigem manutenção constante para não serem engolidas pelo oceano. Se a força de trabalho que mantinha a cidade diminuiu — por guerra, fome ou êxodo — o mar teria começado a reivindicá-la rapidamente. Em certo sentido, Nan Madol não foi “abandonada”. Foi lentamente devolvida ao Pacífico.

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