As Plêiades e o mito que atravessou oceanos — gregos, aborígenes e maias contaram a mesma história

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Voz do navegador · episódio narrado na Fase 2

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No céu noturno, um pequeno aglomerado de estrelas na constelação de Touro brilha como joias incrustadas em veludo escuro. Sete delas são visíveis a olho nu — as Plêiades, as Sete Irmãs. E aqui está o mistério: culturas que nunca tiveram contato entre si, separadas por oceanos e milênios, contam essencialmente a MESMA história sobre essas estrelas.

Para os gregos antigos, as Plêiades eram sete irmãs, filhas de Atlas e Pleione, perseguidas pelo caçador Órion até que Zeus as transformou em estrelas. Uma delas se apaixonou por um mortal e “desapareceu” do céu — por isso só vemos seis estrelas brilhantes, não sete. Os aborígenes australianos contam uma história quase idêntica: sete irmãs fugindo de um caçador, que se refugiaram no céu. Os maias também falavam de sete irmãs no céu. Os japoneses chamam as Plêiades de Subaru — “reunidas” — e seu mito também envolve mulheres e perseguição. Os kiowas da América do Norte: sete irmãs salvas de ursos gigantes. Os incas, os vikings, os zulus… sete irmãs. Sempre sete. Sempre fugindo.

Coincidência ou algo mais?

A explicação cética é simples: as Plêiades são um aglomerado visualmente marcante. Todas as culturas olharam para o mesmo céu e criaram suas próprias explicações. Mas a especificidade das semelhanças incomoda. Não é apenas “há estrelas ali”. É “sete mulheres fugindo de um caçador”. A constelação de Órion — o caçador na mitologia grega — está posicionada logo abaixo das Plêiades no céu. Os aborígenes australianos, que supostamente nunca tiveram contato com os gregos, também identificaram o caçador.

Isso levanta questões profundas sobre a origem dos mitos. Será que existe uma história ancestral compartilhada, anterior à migração humana para fora da África, que todas as culturas carregam? Os humanos modernos saíram da África há cerca de 60 mil anos. As Plêiades já estavam no céu. Será que a história das Sete Irmãs é o mito mais antigo da humanidade, contado ininterruptamente por sessenta milênios, carregado da savana africana até a Austrália, América, Japão e Europa?