No verão de 1997, os hidrofones da NOAA — a agência oceânica americana — captaram algo que não deveria existir. Um som de frequência ultrabaixa, tão potente que foi detectado por sensores a mais de cinco mil quilômetros de distância um do outro. Os cientistas o batizaram de Bloop. E por quase uma década, ninguém soube o que era.
A NOAA mantém uma rede global de escuta submarina, originalmente projetada para detectar submarinos soviéticos durante a Guerra Fria. Com o fim do conflito, os hidrofones foram redirecionados para pesquisa científica. E o que eles encontraram foi extraordinário: sons que não se encaixam em nenhuma explicação geológica conhecida.
O que o Bloop não era
A principal hipótese inicial era tentadora: o Bloop tinha uma assinatura acústica consistente com uma criatura viva. Um animal. Mas um animal que produzisse um som capaz de viajar cinco mil quilômetros debaixo d’água precisaria ser colosso. Muito maior que uma baleia azul — o maior animal que já existiu na Terra. As estimativas sugeriam algo com centenas de metros de comprimento.
Em 2005, a NOAA concluiu que o Bloop era provavelmente um icequake — o som de um iceberg gigantesco se partindo. A frequência batia com outros tremores glaciais registrados. Mas alguns pesquisadores nunca aceitaram essa explicação. O Bloop foi detectado em uma região do Pacífico Sul sem grandes formações de gelo na época. E sua assinatura, embora similar a icequakes, não era idêntica.
Outros fantasmas do oceano
O Bloop não está sozinho. A NOAA catalogou outros sons inexplicados: o Upsweep, um som ascendente detectado desde 1991 que muda de intensidade com as estações; o Whistle, um assobio captado apenas uma vez em 1997; e o Julia, um gemido de frequência baixa registrado em 1999. O oceano cobre 71% do planeta. Mapeamos mais a superfície de Marte do que o fundo dos nossos mares. E lá embaixo, na escuridão absoluta, coisas produzem sons que desafiam tudo que sabemos sobre física acústica.
Talvez o Bloop seja gelo. Talvez seja geologia que ainda não compreendemos. Mas há uma terceira possibilidade, mais inquietante: talvez seja algo vivo. Algo grande. Algo que passa a maior parte do tempo em silêncio — e que, naquele dia específico de 1997, decidiu cantar.

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