KondZilla: como o funk paulista virou império digital global e mudou o mercado da música

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Voz do navegador · episódio narrado na Fase 2

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Konrad Dantas — o KondZilla — não estudou em Harvard. Não fez Y Combinator. Não tem MBA. O que ele tinha era uma câmera, um computador e uma visão: o funk brasileiro podia ser maior do que qualquer gravadora imaginava. Ele estava certo. Em 2026, ele tem mais de 66 milhões de inscritos no YouTube, um dos maiores canais de música do planeta, uma produtora que lançou centenas de artistas, e uma série na Netflix.

Do zero ao topo do YouTube mundial

KondZilla começou filmando videoclipes de funk na periferia de São Paulo e Guarujá com equipamento emprestado. O primeiro grande hit foi “Lá em Casa” do MC Bin Laden em 2015. Dali, foi uma avalanche: MC Kevinho, MC Fioti, Kevin o Chris, Ludmilla — praticamente todo grande nome do funk passou pela KondZilla Filmes.

O canal KondZilla no YouTube se tornou o maior canal de música da América Latina e o segundo maior do mundo, atrás apenas do T-Series indiano. Não é só números: KondZilla criou uma estética — o visual dos videoclipes de funk com cores vibrantes, casas de praia, carrões, drone shots, é uma assinatura visual que ele praticamente inventou e que foi copiada por toda a indústria da música pop brasileira.

Em 2019, a série “Sintonia” — cocriada por KondZilla — estreou na Netflix e se tornou uma das séries brasileiras mais assistidas da plataforma, com 4 temporadas. A série retrata a vida de três jovens da periferia de SP entre funk, tráfico e igreja, sem romantizar nem demonizar — só mostrando. KondZilla construiu um império que vai do YouTube à Netflix, da produção musical à criação de conteúdo, empregando centenas de pessoas e mostrando que dá pra fazer negócio gigante sem pedir licença pra ninguém.