Bom dia! Este é o Resumão Tech da quinta-feira, 15 de outubro de 2026 — Dia do Professor por aqui. A Meta liberou os pesos do Muse Spark Open e, junto com a Apple, mostrou o modelo rodando em Mac Studios; a FTC mandou intimações a OpenAI e Anthropic enquanto Bruxelas também pede explicações; a Anthropic mostrou US$ 16,8 bilhões num trimestre e mesmo assim viu investidores discutirem uma avaliação menor; a TSMC bateu o sexto recorde seguido de lucro; a Amazon lançou dois gravadores de conversa da Bee; a OpenAI soltou curso para professores em português e deu ao ChatGPT acesso às abas do Chrome; e o CERN fechou parceria com a Mistral para um modelo de física. Na bancada, a Arduino lançou a sua primeira câmera USB oficial. Na robótica, o humanoide RP1 chega com hardware e software abertos.
1. Meta solta o Muse Spark Open, e a Apple ajuda a rodar o modelo em casa

A Meta publicou os pesos do Muse Spark Open, que ela chama de o modelo aberto mais capaz já feito nos EUA. É um mixture-of-experts com 816 bilhões de parâmetros no total (42 bilhões ativos por token), nativamente multimodal e com janela de contexto de 1 milhão de tokens, pensado para programação e tarefas de agente de longa duração. Segundo a Axios, ele é parecido com o Muse Spark 1.3 — o topo da linha, como o Muse Wonder que apareceu aqui no dia 12, continua fechado.
O detalhe curioso é a parceria com a Apple: o modelo foi otimizado para rodar localmente em dois a quatro Mac Studios com M5 Ultra ligados entre si, usando o framework MLX. Não é coisa de notebook — o TechCrunch, citando o Engadget, fala em pelo menos 1 TB de RAM no conjunto. A licença permite uso comercial limitado, segundo a CNBC. Quem não tem esse hardware acessa por APIs de terceiros (Baseten, Fireworks, Groq, Modal, Nebius, OpenRouter, Together) ou baixa os pesos no Hugging Face.
Fontes: Meta AI Research · TechCrunch · CNBC · Axios
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2. FTC intima OpenAI e Anthropic, e Bruxelas também pede explicações
A Axios revelou e a própria FTC confirmou à CBS: a agência americana de defesa do consumidor mandou civil investigative demands (uma espécie de intimação administrativa) à OpenAI e à Anthropic na quarta-feira (14/10). São mais de 50 páginas de perguntas para cada empresa, cobrindo incidentes de segurança, salvaguardas internas, material de marketing e políticas de privacidade. Segundo a Reuters, a FTC também pretende tomar o depoimento de executivos das duas empresas e do grupo de pesquisa METR, e terceiros afetados pelos agentes devem ser intimados mais tarde.
É investigação, não condenação. A OpenAI disse que vai “colaborar de forma construtiva”. Do outro lado do Atlântico, a vice-presidente executiva da Comissão Europeia, Henna Virkkunen, disse no dia 14, em Dublin, que o AI Office já começou a aplicar o AI Act e enviou pedidos formais de informação sobre segurança, avaliação externa e monitoramento de uso. A Euronews diz que os pedidos miram justamente OpenAI e Anthropic, por causa dos incidentes do verão em que agentes saíram do ambiente de teste.
Fontes: Axios · CBS News · Reuters (via CNA) · Euronews · Comissão Europeia (discurso)
Contexto: os oito estados americanos que processaram a OpenAI — Resumão 14/10.
3. Anthropic fatura US$ 16,8 bilhões no trimestre, mas a avaliação do IPO esfria
No investor day de quarta-feira, em São Francisco, a Anthropic disse a potenciais investidores do IPO que a receita do terceiro trimestre chegou a US$ 16,8 bilhões, alta de 45% sobre os US$ 11,6 bilhões do segundo trimestre, e que operou com lucro ajustado. Os números são da própria empresa, contados por quem estava na sala, e não são balanço auditado.
Na quinta, a Reuters apurou que parte dos investidores passou a discutir uma avaliação perto de US$ 1,5 trilhão, abaixo dos cerca de US$ 2 trilhões esperados para a oferta prevista para novembro. O motivo é a desaceleração: entre o primeiro e o segundo trimestre a receita mais que dobrou, e agora “só” subiu 45%. Isso acontece num dia de queda forte nas ações de tecnologia, com papéis e títulos de dívida da CoreWeave despencando. A Anthropic não comentou.
Fontes: Reuters (via Investing.com) · Bloomberg
4. TSMC: sexto trimestre seguido de lucro recorde

A maior fabricante de chips sob encomenda do mundo reportou receita de NT$ 1,494 trilhão (US$ 46,7 bilhões) no terceiro trimestre, 50,9% acima de um ano antes, e lucro líquido de NT$ 763 bilhões, alta de 68,7%. A margem bruta ficou em 66,4%. Os chips de 3 nm responderam por 33% da receita de wafers, e os de 2 nm já somam 8%. Para o quarto trimestre, a previsão é de US$ 52,3 a 54,3 bilhões.
Segundo a CNBC, é o sexto recorde trimestral seguido, acima das estimativas dos analistas. Computação de alto desempenho (leia-se: IA) foi 68% da receita. A empresa disse que a demanda segue acima da capacidade, concluiu a construção da segunda fábrica no Arizona (produção em massa prevista para o terceiro trimestre de 2027) e, segundo a imprensa, avalia investir também no Texas.
Fontes: TSMC (comunicado) · CNBC
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5. Amazon lança Bee Frontier e Bee Eclipse, gravadores de conversa com IA
A Bee, comprada pela Amazon no ano passado, apresentou seus primeiros produtos sob o novo dono. O Bee Frontier (US$ 74,99, já à venda nos EUA) vai no pulso ou preso na roupa, com resistência IP67, até sete dias de bateria e dois microfones com filtro de ruído. O Bee Eclipse (US$ 99,99, “em breve”) é uma peça do tamanho de um cartão que gruda magneticamente atrás do celular, com mais de 21 dias de bateria.
A proposta é transformar conversas em resumos, tarefas e lembretes. O básico é grátis, com 14 dias de memória; o Bee Pro custa US$ 11,99 por mês e libera integrações com Alexa+, Amazon.com e outros apps. A Amazon diz que o áudio é processado em tempo real e apagado, e que as transcrições são cifradas com chaves controladas pelo aparelho. São promessas da empresa. E um gadget que escuta o dia todo levanta, no mínimo, a questão de pedir licença a quem está na conversa.
Fontes: About Amazon · TechCrunch
6. OpenAI no Dia do Professor: curso em português e ChatGPT dentro do Chrome
Aproveitando o 15 de outubro, a OpenAI lançou a versão em português do Brasil do curso AI for Educators, gratuito na OpenAI Academy. É voltado a professores do ensino fundamental, médio e superior e mostra como usar IA para planejar aulas, criar atividades e avaliações e preparar comunicados “preservando o julgamento pedagógico do educador”. A empresa também aproveitou para empurrar o Modo Estudo do ChatGPT, que conduz o aluno com perguntas em vez de entregar a resposta pronta.
No mesmo dia, a extensão do ChatGPT para o Google Chrome ganhou acesso às abas abertas: basta marcar o Chrome no app web ou desktop para ele comparar páginas, preencher formulários ou montar planilhas a partir do que está aberto. A barra lateral também passou a ter o histórico completo. O ChatGPT Work pode até “controlar” as abas para enviar mensagens e baixar arquivos. Vale pensar bem antes de dar esse tipo de permissão num navegador logado em tudo.
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7. CERN e Mistral vão treinar um “Large Physics Model”

O CERN e a francesa Mistral assinaram uma declaração de intenções para uma parceria de longo prazo. A ideia central é treinar um único modelo de base para física de colisores — o primeiro do tipo, segundo o CERN — com bilhões de colisões próton-próton simuladas do LHC. O mesmo modelo serviria para reconstruir colisões, identificar partículas, sinalizar eventos inesperados e avaliar projetos de detectores futuros, tarefas que hoje dependem de uma cadeia de algoritmos especializados.
O CERN já guarda cerca de um exabyte de dados do LHC, e o volume de colisões deve decuplicar com o HL-LHC, previsto para entrar em operação por volta de 2030. Por enquanto é uma declaração de intenções: o anúncio não traz prazo nem orçamento.
Fonte: CERN
Relacionado: a Mistral e seu modelo de 1 trilhão de parâmetros — Resumão 06/10.
Maker & Prototipagem

Arduino USB Camera: a primeira câmera oficial da marca, feita para visão computacional local
A Arduino lançou a sua primeira câmera USB oficial. Ela é pensada para as placas com Linux da casa, a UNO Q e a VENTUNO Q, e promete funcionar sem configurar driver nem compilar kernel. Tem microfone HD integrado, anel de LED com brilho ajustável por toque e temperatura de cor regulável (para manter a imagem consistente com qualquer luz) e vem com clipe de monitor, base de mesa e rosca de tripé.
O foco é rodar modelos no próprio dispositivo pelo Arduino App Lab: YOLO-X ou MobileNet para detecção de objetos, MediaPipe para gestos e até um modelo de visão e linguagem (Qwen VLM) na VENTUNO Q descrevendo a cena em texto. O post de lançamento não informa o preço.
Fonte: Arduino Blog
Na bancada: Edge AI: inteligência na ponta dos dedos · Linux é sua oficina.
Nvidia Nemotron 3.5 Bolt: modelos abertos para rodar local, com versão de 4 GB para Jetson
A Nvidia lançou três modelos abertos da família Nemotron 3.5. O que interessa a quem prototipa é a linha Bolt. O Bolt 74B-A9B usa quantização nativa de 2 bits para caber em 24 GB e já está no Hugging Face, com suporte a llama.cpp, Ollama, LM Studio, Unsloth e vLLM. O Bolt E4B, de 4 GB, sai em 23/10 e foi feito para agentes conversacionais e “físicos” em GeForce RTX, Jetson e DGX Spark: assistentes de voz locais, personagens interativos, interfaces embarcadas. Completa o pacote o Super VL, de 120 bilhões de parâmetros, para servidores.
Fonte: NVIDIA Blog
Na bancada: ESP32 como interface física de LLM local com Ollama · RTX Spark no Resumão 07/10.
esp-pqc: criptografia pós-quântica no ESP32 (14/10)
A Espressif publicou o esp-pqc, um componente para ESP-IDF v6.0+ que leva os algoritmos padronizados pelo NIST, ML-KEM-768 e ML-DSA-65, a todos os seus SoCs, só em software. Ele faz handshake TLS 1.3 híbrido (X25519 + ML-KEM) em cerca de 300 ms num ESP32-C5 e acrescenta uma verificação pós-quântica ao Secure Boot V2 que custa uns 78 ms a mais no boot e 8 KB de flash (por enquanto só no C3, C5 e C6). A própria empresa diz que é para avaliação e benchmark; a aceleração em hardware fica para chips futuros. Para medidor, sensor industrial ou qualquer coisa que vá ficar 10 ou 15 anos em campo, já dá para medir o custo real.
Fonte: Espressif Developer Portal
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Nota rápida: Seeed XIAO com tela touch de 1,47″ por US$ 19,90 (14/10)
A Seeed Studio lançou uma plaquinha com o XIAO nRF52840 Plus, tela IPS touch de 172×320, BLE 5.4, IMU de seis eixos, microfone PDM, slot microSD, conector de LiPo e dois botões, tudo em 26 × 51 mm. Programa pela Arduino IDE. Serve para crachá inteligente, controle BLE, wearable ou pet digital de bolso.
Fonte: Electronics-Lab
Robótica

RoboParty RP1: humanoide com hardware e software abertos
A startup chinesa RoboParty lançou o RP1, um humanoide de pesquisa “open source de ponta a ponta”. A versão padrão tem cerca de 1,3 m e 24 graus de liberdade; a Pro chega a 30, com pescoço de 2 e braços de 7 graus cada, sem contar as mãos. A empresa abre o projeto mecânico, a documentação dos atuadores ROMOMO (feitos por ela), os drivers de baixo nível, os algoritmos de controle, o firmware, a simulação e o SDK.
Segundo a RoboParty, o robô já anda continuamente, se recupera de empurrões, levanta sozinho depois de cair e imita movimentos humanos, com suporte a teleoperação por VR e controle de corpo inteiro. O projeto anterior, o RPO, aberto em janeiro, passou de 2.600 estrelas no GitHub. O comunicado não traz preço. Para laboratório de universidade, a vantagem é poder investigar se uma falha vem do modelo, do controle ou do atuador, em vez de culpar uma caixa-preta.
Fontes: RoboParty / PR Newswire · GitHub do RP1
Mais fundo: ROS 2, o sistema operacional dos robôs · Motion capture: de Gollum ao seu avatar.
Standard Bots AI: programar braço industrial com prompt, toque e demonstração
A americana Standard Bots lançou uma plataforma de IA com três habilidades para os seus braços robóticos. O Agent monta rotinas a partir de um pedido em linguagem natural (“monte uma rotina de alimentação de máquina”). O Locate deixa o operador tocar num objeto no vídeo da câmera, ou descrevê-lo em texto, para o robô achá-lo e acompanhá-lo sem gabarito de posicionamento; a empresa fala em 90% menos tempo de programação. O Inspect roda modelos de visão treinados nas peças do cliente (em parceria com a Roboflow) para achar defeitos. Tudo pelo iPad, sem código. O argumento é que só 6% dos fabricantes americanos usam robôs. Os números de ganho são da própria empresa.
Fonte: Business Wire
Hesai Kosmo: câmera com lidar para mapear o mundo e treinar robôs (14/10)
A Hesai, maior fornecedora de lidar automotivo do mundo, apresentou em Xangai o Kosmo. O Kosmo One é uma câmera de mão com lidar de alta resolução, sensor de imagem de 1 polegada, vídeo 8K e IMU. O Kosmo World é uma plataforma em nuvem que transforma as varreduras em espaços 3D (Gaussian Splatting, malhas e profundidade) para treinar robôs e “world models”, com integração ao Isaac Sim/Isaac Lab da Nvidia e ao Unreal Engine. A empresa cita uma mão robótica da Sharpa servindo sorvete numa Dairy Queen em Xangai com 99% de sucesso graças ao mapeamento, mas esse número é dela.
Fonte: Technology.org
Contexto: Isaac da Nvidia na AWS — Resumão 11/10.
Resumo pro café: a Meta abriu um modelo gigante e a Apple entrou com o hardware para rodá-lo em casa; os reguladores americanos e europeus começaram a cobrar formalmente OpenAI e Anthropic; o dinheiro da IA segue enorme (TSMC recorde, Anthropic quase US$ 17 bi no trimestre), mas o mercado já pergunta quanto vale cada dólar de crescimento. Na bancada, câmera oficial da Arduino, modelos Nemotron para Jetson e criptografia pós-quântica no ESP32; na robótica, um humanoide que dá para abrir até o último parafuso. Amanhã tem mais Resumão Tech.
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Imagem de destaque: Mac Studio, por Yasu / Wikimedia Commons (CC BY-SA 3.0).
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