O Som Que Vem do Vazio — o que os buracos negros estão sussurrando para os radiotelescópios

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Voz do navegador · episódio narrado na Fase 2

Há um zumbido percorrendo o universo. Ele não vem de estrelas, nem de pulsares, nem de qualquer fonte que possamos apontar com o dedo e dizer: “é daqui”. Ele está em toda parte ao mesmo tempo. Um grave profundo, como se o próprio tecido do espaço-tempo estivesse cantarolando. Os astrofísicos o chamam de fundo de ondas gravitacionais. E a hipótese mais intrigante sobre sua origem não envolve estrelas de nêutrons ou supernovas. Envolve algo mais antigo, mais escuro, mais fundamental.

Buracos negros supermassivos — aqueles que moram no centro de quase toda galáxia — dançando uns com os outros nos primeiros bilhões de anos do universo, antes mesmo de existirem galáxias como a Via Láctea. Quando dois desses colossos se aproximam o suficiente, eles emitem ondas gravitacionais: ondulações no espaço-tempo que viajam na velocidade da luz. Bilhões de pares, ao longo de bilhões de anos, emitiram essas ondas. E elas se sobrepuseram, se acumularam, criando um ruído de fundo — o “zumbido do universo”.

Em junho de 2023, o consórcio NANOGrav anunciou a detecção desse sinal. Não foi uma colisão individual — como as que o LIGO capta desde 2015. Foi o coral inteiro, captado ao mesmo tempo, usando pulsares espalhados pela Via Láctea como uma antena do tamanho da galáxia. A precisão necessária para esse feito é difícil de expressar: estamos falando de medir variações de tempo menores que um microssegundo ao longo de 15 anos de observação.

Mas há outra possibilidade. Uma que deixa os físicos ainda mais inquietos. E se o zumbido não vier de buracos negros, mas de algo ainda mais antigo? Buracos negros primordiais — formados não pelo colapso de estrelas, mas pelo colapso de flutuações quânticas nos primeiros instantes após o Big Bang. Se existirem, eles seriam a assinatura direta do nascimento do universo. Uma mensagem do primeiro segundo da existência, sussurrada por 13,8 bilhões de anos até chegar aos nossos detectores.

O som está lá. Já o ouvimos. Agora precisamos decifrar o que ele está dizendo.