1969-1975: ARPANET, Unix e o e-mail — as sementes do mundo conectado

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Voz do navegador · episódio narrado na Fase 2

L3 31 arpanet

Em outubro de 1969, um computador na UCLA enviou a palavra “LOGIN” pra outro computador em Stanford — 560 km de distância. O sistema crashou depois do “LO”. Mas aquela mensagem incompleta foi o primeiro suspiro da internet.

ARPANET: a rede que nasceu do medo

Durante a Guerra Fria, o Departamento de Defesa americano queria uma rede de comunicações que sobrevivesse a um ataque nuclear. Se Moscou fosse destruída, os computadores em Washington precisavam continuar se falando. A solução: uma rede descentralizada, sem ponto único de falha.

A ARPANET foi projetada com comutação de pacotes — em vez de uma linha dedicada entre dois pontos (como telefone), a mensagem era quebrada em “pacotes” que podiam viajar por rotas diferentes e se remontar no destino. Essa ideia é a base de toda a internet até hoje.

Em 1971, a ARPANET tinha 23 computadores conectados. Em 1975, 61. Parece pouco. Mas a semente estava plantada.

Unix e C: o sistema operacional que conquistou o mundo

Em 1969, nos laboratórios Bell (de novo eles), Ken Thompson e Dennis Ritchie criaram o Unix — um sistema operacional simples, portátil e multitarefa. Pra programar o Unix, Ritchie inventou a linguagem C — que virou a base de praticamente todo software que existe hoje.

O Unix e o C foram adotados por universidades do mundo todo porque a Bell Labs distribuía o código fonte com licença acadêmica. Isso treinou uma geração inteira de programadores — incluindo Linus Torvalds, que décadas depois criaria o Linux “inspirado” no Unix.

O primeiro e-mail: 1971

Ray Tomlinson, engenheiro da BBN, inventou o e-mail como conhecemos. Ele escolheu o símbolo @ pra separar o nome do usuário do nome da máquina. A primeira mensagem foi algo como “QWERTYUIOP” — ele mesmo admitiu que era “totalmente esquecível”.

O conteúdo era irrelevante. O que importava: uma pessoa podia mandar uma mensagem pra outra em outro computador, em outra cidade, sem papel, sem telefone, sem esperar. O e-mail foi o primeiro “aplicativo matador” da internet — e continua sendo, 55 anos depois.

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