Você liga o computador do trabalho e todas as pastas estão com nomes estranhos. Uma tela vermelha aparece: “Seus arquivos foram criptografados. Pague US$500.000 em bitcoin em 72 horas ou perca tudo.” Isso é ransomware. E não é filme — aconteceu com hospitais, prefeituras, o STJ, a JBS (que pagou US$11 milhões). O Brasil é o 4º país mais atacado do mundo. E entender como funciona é o primeiro passo pra não ser a próxima vítima.
Como o ransomware entra
O vetor mais comum é phishing: um e-mail falso que parece ser do banco, da transportadora, do RH. Você clica no anexo ou no link, e um programa malicioso é baixado silenciosamente. Também entra por senhas fracas em acessos remotos (RDP), vulnerabilidades em softwares desatualizados, e sites infectados. Uma vez dentro, o ransomware faz duas coisas: se espalha pela rede (movimento lateral) e começa a criptografar arquivos.
A criptografia usada é a mesma que protege seu Pix — AES de 256 bits — mas contra você. Cada arquivo (.docx, .pdf, .jpg, banco de dados) é embaralhado com uma chave que só o atacante tem. Sem a chave, os arquivos são lixo digital. Pagar o resgate não garante recuperação — 40% das vítimas que pagam não recebem a chave de volta, ou recebem uma que não funciona.
Ransomware como serviço
Sim, existe RaaS — Ransomware as a Service. Grupos criminosos desenvolvem o malware e alugam pra “afiliados” que fazem os ataques. O lucro é dividido. É uma indústria profissionalizada, com suporte técnico, SLA, versões do malware com atualização automática, e sites na dark web onde vazam dados de quem não paga (dupla extorsão: pague pelo resgate E para não ter seus dados publicados). O mercado global de ransomware movimentou mais de US$1 bilhão em 2023.
Como se proteger (de verdade)
Regra número 1: backup. Backup offline, desconectado do computador principal. Se você tem backup, ransomware perde o poder — você restaura os arquivos e segue a vida. Regra 2: não clique em links de e-mail que você não esperava receber. Regra 3: mantenha sistemas atualizados. O ataque do WannaCry em 2017 infectou 200.000 computadores em 150 países explorando uma vulnerabilidade que a Microsoft já tinha corrigido — as vítimas só não tinham atualizado. Regra 4: autenticação de dois fatores em tudo. Regra 5: princípio do menor privilégio — ninguém na empresa deve ter acesso a tudo. Um estagiário com senha de administrador é um desastre esperando pra acontecer.
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