Em 1991, dois aposentados ingleses chamados Doug Bower e Dave Chorley anunciaram ao mundo que eram os responsáveis pelos famosos círculos nas plantações do sul da Inglaterra. Usando tábuas de madeira, cordas e um chapéu com uma mira improvisada, eles afirmaram ter criado centenas de formações geometricamente complexas durante as noites de verão. A mídia engoliu. O mistério estava resolvido: eram só dois velhinhos brincando. Fim da história.
Só que não.
O que os velhinhos não explicam
Primeiro: há círculos nas plantações desde o século XVII. Um panfleto de 1678 intitulado “The Mowing-Devil” mostra uma criatura demoníaca cortando um campo de aveia em círculos concêntricos. Antes de Bower e Chorley, formações já eram reportadas na Inglaterra, Holanda, Austrália e EUA. A dupla pode ter inspirado uma onda de imitadores — mas não explicam os casos anteriores.
Segundo: a complexidade. A partir dos anos 1990, as formações deixaram de ser círculos simples e passaram a incluir fractais, equações matemáticas codificadas e figuras geométricas que exigiriam conhecimento avançado de matemática para serem desenhadas no escuro, em silêncio, sem ferramentas de medição modernas. Em 2001, uma formação no Reino Unido continha uma mensagem codificada em ASCII que representava a resposta ao sinal de Arecibo — um sinal de rádio enviado pela humanidade ao espaço em 1974. Em 2008, uma formação continha o valor de π (pi) até a décima casa decimal codificado geometricamente.
Terceiro: as anomalias físicas. Estudos realizados pelo biofísico Dr. William Levengood mostraram que os colmos das plantas dentro das formações genuínas não estão quebrados — estão dobrados nos “nós” de crescimento, como se tivessem sido expostos a micro-ondas que amoleceram a celulose momentaneamente. Os colmos continuam crescendo horizontalmente após a formação. Isso não se replica com tábuas de madeira. Análises de solo revelam alterações na estrutura cristalina de minerais de argila, anomalias magnéticas residuais e concentrações elevadas de isótopos raros. Bower e Chorley não fizeram nada disso com um chapéu e uma mira improvisada.
Então o que são?
Hipóteses sérias: fenômenos de plasma atmosférico (vórtices de ar ionizado que criam padrões no solo), experimentos militares com micro-ondas, ou — a explicação mais prosaica e ao mesmo tempo mais extraordinária — há uma comunidade internacional de artistas-geômetras anônimos que, por décadas, têm competido entre si para criar formações cada vez mais complexas, no escuro, sem serem pegos, como uma forma de arte efêmera e ilegal. Nenhuma explicação cobre todos os casos. Algumas formações são, sem dúvida, humanas. Outras… talvez não.

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