A Cidade Que o Oceano Engoliu — Dwarka, a Atlântida indiana que pode ser real

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Voz do navegador · episódio narrado na Fase 2

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No texto sagrado do Mahabharata — um épico indiano de 100.000 versos — há a descrição de uma cidade magnífica chamada Dwarka. Construída pelo deus Krishna às margens do Mar Arábico, protegida por muralhas, adornada com ouro e pedras preciosas. Quando Krishna morreu, diz o texto, o mar subiu e Dwarka afundou. Durante séculos, historiadores ocidentais trataram isso como mitologia pura. Até que, em 1988, arqueólogos indianos mergulharam na costa de Gujarat. E encontraram algo no fundo do mar.

A estrutura submersa na Baía de Cambay — e, mais notavelmente, ao largo da atual cidade de Dwarka — inclui muralhas de pedra, âncoras, cerâmica, blocos de construção e fundações de edifícios. A datação por carbono coloca alguns artefatos entre 1500 e 3000 a.C. O Mahabharata descreve uma cidade que existiu por volta de 3000 a.C. — uma data que, até pouco tempo atrás, era considerada impossível para qualquer civilização urbana na Índia. A ortodoxia dizia que as primeiras cidades indianas — Harappa e Mohenjo-Daro, no Vale do Indo — surgiram por volta de 2500 a.C. Dwarka submersa desafia essa ortodoxia. E não é a única cidade submersa que desafia.

Por que cidades afundam — de verdade

A costa oeste da Índia é geologicamente instável. A placa tectônica indiana colide com a euroasiática há milhões de anos, erguendo o Himalaia no processo. Terremotos, tsunamis, elevação do nível do mar após a última era glacial (120 metros nos últimos 12.000 anos) — todos são fatores reais que explicam por que cidades costeiras afundariam. Nesse sentido, Dwarka não precisa ser sobrenatural. Mas a precisão do Mahabharata — descrevendo uma cidade que de fato existiu, com detalhes que batem com a evidência arqueológica submarina — é notável.

Há quem vá mais longe. O pesquisador Graham Hancock argumenta que a história de Dwarka, a Atlântida de Platão, as cidades submersas do Japão (Yonaguni) e outras lendas de civilizações engolidas pelo mar podem ser ecos de um evento real: o derretimento das calotas polares no fim da última Idade do Gelo, que elevou o nível do mar e engoliu cidades costeiras ao redor do mundo. Nesse cenário, o “mito” seria menos ficção e mais memória ancestral — lembrança de algo que realmente aconteceu, transmitida oralmente por milênios até ser escrita.

Não há prova conclusiva para essa hipótese. Mas Dwarka está lá. Você pode mergulhar e ver as muralhas. O que está em debate não é se a cidade submersa existe — e sim quem a construiu, quando, e o que mais está no fundo do oceano esperando para ser encontrado.