Ele quebrou o código nazista, encurtou a Segunda Guerra em anos, salvou milhões de vidas, inventou a ciência da computação teórica e lançou as bases da inteligência artificial. A Inglaterra agradeceu castrando-o quimicamente e levando-o ao suicídio.
Alan Turing foi um matemático britânico cujo alcance intelectual é difícil de exagerar. Em 1936 — aos 24 anos — publicou “On Computable Numbers”, onde descreveu a Máquina de Turing, uma abstração que define o que é “computável”. É a fundação teórica de todos os computadores já construídos.
Durante a guerra, liderou a equipe em Bletchley Park que quebrou o código da Enigma nazista. A máquina Bombe, que ele projetou, automatizou a decifração numa escala que salvou comboios no Atlântico e acelerou o fim da guerra — estima-se em 2 a 4 anos.
O Teste de Turing e a IA
Em 1950, Turing publicou “Computing Machinery and Intelligence”, onde propôs o famoso “Jogo da Imitação” — hoje chamado Teste de Turing. A pergunta: se uma máquina consegue conversar tão bem que um humano não consegue distinguir se está falando com uma pessoa ou com um computador, podemos dizer que a máquina “pensa”?
Em 2022-2025, o ChatGPT e outros LLMs essencialmente PASSARAM no Teste de Turing. O debate que Turing iniciou há 75 anos — “máquinas podem pensar?” — é o debate central da nossa era.
A traição da Inglaterra
Em 1952, Turing foi processado por “homossexualidade” (crime na Inglaterra até 1967). A pena: castração química. Os hormônios causaram depressão severa, crescimento de seios e impotência. Dois anos depois, em 1954, ele foi encontrado morto — uma maçã envenenada com cianeto ao lado da cama. Aos 41 anos.
Só em 2009 o governo britânico pediu desculpas oficiais. Em 2013, a rainha concedeu perdão póstumo. Em 2019, Turing foi escolhido como rosto da nota de £50. O país que o destruiu o transformou em ícone nacional. Justiça poética, mas tarde demais.

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