O OVNI da Ilha de Marajó 1977 — O Objeto Cilíndrico Que Sobrevoo a Maior Ilha Fluvial do Mundo

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Um ponto luminoso sobre o maior arquipélago fluvial do planeta

A Ilha de Marajó, na foz do Rio Amazonas, é uma massa de terra do tamanho da Suíça — 40 mil quilômetros quadrados de campos alagados, florestas, fazendas de búfalo e comunidades ribeirinhas. Em 1977, o mesmo ano em que a Operação Prato investigava fenômenos similares em Colares, a poucas centenas de quilômetros dali, Marajó também registrou um dos avistamentos mais intrigantes — e menos conhecidos — da ufologia brasileira.

O caso chegou ao conhecimento público principalmente por meio do trabalho do ufólogo paraense Daniel Rebisso Giese, que documentou o incidente nos anos 1980 e 1990, entrevistando testemunhas que ainda viviam na ilha. Diferentemente de Colares — onde o fenômeno era noturno, agressivo e associado a ataques com feixes de luz —, o caso Marajó envolveu um avistamento diurno de um objeto estruturado e fotografado.

O incidente teria ocorrido nos arredores do município de Soure, a principal cidade da ilha, então com pouco mais de 20 mil habitantes. Segundo as testemunhas, um objeto metálico de formato cilíndrico ou de charuto, com comprimento estimado entre 15 e 30 metros, sobrevoou lentamente a região, a baixa altitude — tão baixo que era possível distinguir detalhes de sua superfície. Não emitia som de motor. Não tinha asas, hélices, cauda ou qualquer superfície de controle aerodinâmico convencional. Apenas um cilindro metálico pairando, girando lentamente em torno do próprio eixo, refletindo a luz do sol da tarde.

Múltiplas testemunhas, um só objeto

O que torna o caso Marajó particularmente interessante do ponto de vista investigativo é o número de testemunhas independentes que descreveram essencialmente a mesma coisa. Pescadores viram o objeto vindo do mar, sobrevoando a costa leste da ilha. Moradores de Soure viram-no passar sobre a cidade, baixo o suficiente para distinguir sua forma alongada contra o céu. Fazendeiros do interior da ilha relataram que o objeto sobrevoou pastagens de búfalos — e que os animais reagiram com agitação incomum, comportamento documentado em outros casos de avistamento ao redor do mundo.

Um detalhe consistente nos relatos: o objeto não se movia como um balão ou um dirigível. Ele mantinha altitude constante, mas alterava velocidade de forma brusca, parando e acelerando sem inércia aparente. Em dado momento, segundo algumas testemunhas, o objeto emitiu uma luz intensa em sua extremidade inferior — como um feixe de busca — que varreu o solo por alguns segundos antes de se apagar. Em seguida, o objeto ascendeu verticalmente em alta velocidade e desapareceu entre as nuvens, deixando uma esteira de condensação circular.

Uma fotografia do objeto teria sido tirada por um morador com uma câmera analógica comum. A imagem, que circulou entre ufólogos brasileiros nos anos 1980, mostra uma forma alongada e escura contra um fundo de céu claro com nuvens. A foto foi analisada por especialistas em fotografia da época, mas os resultados nunca foram conclusivos — a baixa resolução da câmera doméstica e as décadas de deterioração da cópia disponível dificultam qualquer análise forense definitiva. Críticos apontam que poderia ser um balão meteorológico ou um dirigível visto de perfil. Os defensores do caso contra-argumentam que a Marinha do Brasil não operava — e não opera — dirigíveis na região amazônica, e que balões meteorológicos não permanecem imóveis no ar nem executam varreduras com feixes de luz.

O contexto da onda de 1977

O caso Marajó não ocorreu isoladamente. O ano de 1977 registrou uma verdadeira onda ufológica na região amazônica, com pico de avistamentos entre agosto e novembro — exatamente o período da Operação Prato em Colares. Além de Colares, foram registrados incidentes em Mosqueiro (distrito de Belém), na Baía do Marajó, em Soure, e em dezenas de comunidades ribeirinhas ao longo do Rio Amazonas.

Esse agrupamento temporal e geográfico de incidentes é um padrão que se repete na ufologia mundial — as chamadas “flaps” (ondas) de avistamentos. O que torna a onda amazônica de 1977 singular é que ela ocorreu numa região de baixíssima densidade populacional e virtualmente zero de tráfego aéreo — eliminando a explicação comum de que testemunhas confundem aviões e helicópteros com objetos anômalos. Na Amazônia ribeirinha dos anos 1970, um avião era um evento raro. Um objeto voando baixo, silencioso e emitindo feixes de luz era algo que ninguém confundiria com nada.

A proximidade geográfica entre Colares e Marajó — separados por menos de 100 quilômetros de água — também sugere que os fenômenos poderiam estar relacionados. Ou, na hipótese cética, que a histeria coletiva de Colares se espalhou para comunidades vizinhas, gerando relatos por sugestão. Mas enquanto Colares produziu principalmente relatos de ataques noturnos com feixes de luz, Marajó produziu um avistamento diurno de um objeto estruturado. A diferença qualitativa entre os fenômenos enfraquece a hipótese de simples contágio psicológico.

Por que o caso Marajó é tão pouco conhecido?

O caso da Ilha de Marajó sofreu um triplo apagamento. Primeiro, geográfico: a ilha é isolada, de difícil acesso, e na década de 1970 a comunicação com o resto do Brasil era precária — linhas telefônicas escassas, rádio de alcance limitado, jornais de circulação local. O que acontecia em Marajó frequentemente ficava em Marajó.

Segundo, temporal: Colares aconteceu na mesma época e monopolizou a atenção. Toda a cobertura jornalística e ufológica se concentrou na Operação Prato, nos ataques do “chupa-chupa”, nas fotos da FAB, no relatório de 500 páginas. O caso Marajó nunca recebeu uma investigação militar formal, nunca produziu documentos oficiais, nunca teve um porta-voz como o capitão Hollanda. Ele existiu apenas na memória das testemunhas e nos arquivos de ufólogos como Daniel Giese.

Terceiro, documental: a fotografia principal do caso se perdeu ou se degradou. As testemunhas envelheceram e morreram. Os registros escritos ficaram dispersos em publicações ufológicas de circulação restrita. Sem documentos oficiais, sem investigação militar e sem imagem de alta qualidade, o caso não entrou no “cânone” da ufologia — mas permanece nos arquivos como um daqueles episódios que desafiam explicações fáceis.

Fontes

  • Giese, Daniel Rebisso — documentação do caso Marajó no Boletim do CPU (Centro Paraense de Ufologia), anos 1980
  • Comissão Brasileira de Ufólogos — arquivos da onda ufológica amazônica de 1977
  • Revista UFO — edições com cobertura dos casos paraenses de 1977
  • Jornal A Província do Pará — registros jornalísticos de avistamentos no Marajó (1977)
  • Arquivos pessoais de ufólogos paraenses — depoimentos de testemunhas de Soure

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