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  • Tim Berners-Lee: o cara que inventou a internet (e agora quer consertar ela)

    Tim Berners-Lee: o cara que inventou a internet (e agora quer consertar ela)

    Se você está lendo isso, agradeça a um engenheiro britânico que em 1989 fez uma proposta de projeto que o chefe chamou de “vago mas empolgante”. Essa proposta virou a World Wide Web.

    Tim Berners-Lee não inventou a internet (os protocolos já existiam). Ele inventou a web — o sistema de páginas com links que você usa todo dia. E em 2026, ele está tentando consertar o monstro que criou.

    O cara que deu a web de graça pro mundo

    Berners-Lee nasceu em Londres em 1955, filho de dois matemáticos que trabalharam no primeiro computador comercial britânico. Em 1989, trabalhando no CERN (o laboratório de física de partículas na Suíça), ele propôs um sistema pra compartilhar documentos entre cientistas.

    Ele criou três coisas que definiram a web: o HTML (linguagem das páginas), o HTTP (protocolo de transferência) e o URL (endereço web). Em 1991, o primeiro site foi ao ar — e Berners-Lee decidiu não patentear nada. Deu a web de presente pra humanidade.

    O arrependimento e a missão atual

    Três décadas depois, Berners-Lee está preocupado. A web que ele criou pra ser aberta e descentralizada virou um playground de vigilância corporativa, desinformação e monopólios.

    Em 2018, ele lançou o projeto Solid — uma tentativa de “re-decentralizar” a web. A ideia: seus dados ficam num POD (Personal Online Data Store) que você controla. Apps acessam seus dados com sua permissão, não sugam tudo pra um servidor do Google.

    Em paralelo, ele fundou a Inrupt, uma startup que constrói infraestrutura pro Solid. Empresas como o NHS (serviço de saúde britânico) e o governo de Flandres já testam a tecnologia.

    O legado

    Berners-Lee foi nomeado cavaleiro pela Rainha Elizabeth II em 2004. Ganhou o Prêmio Turing (o “Nobel da Computação”) em 2017. Mas seu maior legado é invisível: cada link que você clica, cada página que carrega, cada URL que digita. Tudo isso veio da cabeça de um engenheiro que queria ajudar cientistas a compartilhar documentos.

    E agora ele quer corrigir o rumo. Pode ser tarde demais. Mas se tem alguém com moral pra tentar, é ele.