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  • Geoffrey Hinton: o ‘padrinho da IA’ que se arrependeu e agora é a voz do alarme

    Geoffrey Hinton: o ‘padrinho da IA’ que se arrependeu e agora é a voz do alarme

    Ele dedicou 50 anos da vida a criar a inteligência artificial que temos hoje. E agora passa os dias avisando que isso pode ser um erro catastrófico pra humanidade.

    Geoffrey Hinton é chamado de “Godfather of AI” (padrinho da IA) por um motivo simples: ele inventou as redes neurais profundas — a tecnologia base de absolutamente tudo que chamamos de IA hoje. ChatGPT, AlphaFold, carros autônomos, reconhecimento facial, tudo. Tudo começou com ideias que Hinton desenvolveu nos anos 80 e 90.

    Geoffrey Hinton: o ‘padrinho da IA’ que se arrependeu e agora é a voz do alarme
    Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0, autor Arthur Petron

    50 anos insistindo quando ninguém acreditava

    Hinton nasceu em Londres em 1947, numa família de cientistas — o tataravô dele foi George Boole, o matemático que inventou a lógica booleana que roda em cada chip de computador. A linhagem de gênios matemáticos é forte.

    Nos anos 80 e 90, praticamente ninguém levava redes neurais a sério. A IA “mainstream” era lógica simbólica — regras explícitas programadas por humanos. Hinton insistiu por décadas que a verdadeira IA viria de sistemas que aprendem sozinhos, como o cérebro.

    Em 2012, ele e dois alunos (Ilya Sutskever e Alex Krizhevsky) criaram a AlexNet — uma rede neural que destruiu a competição num desafio de reconhecimento de imagens. Foi o momento que convenceu o mundo de que deep learning funcionava. O Google comprou a empresa dos três por US$44 milhões. O resto é revolução.

    O arrependimento do padrinho

    Hinton trabalhou no Google por 10 anos. Mas em 2023, pediu demissão. O motivo: ele percebeu que a IA estava evoluindo muito mais rápido do que ele imaginava — e os riscos eram maiores do que ele havia calculado.

    Desde então, Hinton se tornou a voz mais respeitada no campo do “AI safety”. Ele alerta que IAs podem se tornar mais inteligentes que humanos em 5-20 anos, que existe risco real de extinção, e que empresas estão priorizando lucro sobre segurança.

    Em 2024, ele ganhou o Prêmio Nobel de Física (junto com John Hopfield) pelo trabalho em redes neurais. A ironia: o maior reconhecimento científico veio no momento em que ele está pedindo pra humanidade pisar no freio.

    O dilema de Hinton

    Hinton personifica o dilema central da era da IA: o que fazer quando a coisa que você criou pra ajudar pode, potencialmente, causar danos imensos? Ele não tem resposta fácil. Mas tem o respeito de todo mundo — dos criadores de IA que ele treinou (Sutskever fundou a OpenAI e hoje lidera a Safe Superintelligence Inc.) aos reguladores que tentam controlar a tecnologia.

    Se o padrinho da IA está com medo, talvez a gente devesse prestar atenção.

  • Mira Murati: a engenheira que construiu o ChatGPT e saiu da OpenAI no auge

    Mira Murati: a engenheira que construiu o ChatGPT e saiu da OpenAI no auge

    Se Sam Altman é o rosto da OpenAI, Mira Murati era o cérebro. A engenheira que liderou a criação do ChatGPT, do GPT-4 e do DALL-E deixou a empresa em 2024 — e o Vale do Silício inteiro quer saber o que ela vai fazer depois.

    Mira Murati foi CTO (Chief Technology Officer) da OpenAI de 2018 a 2024. Foi sob a liderança técnica dela que o ChatGPT saiu do laboratório e virou o produto que mudou o mundo.

    Da Albânia ao Vale do Silício

    Murati nasceu na Albânia em 1988, cresceu no Canadá e se formou em engenharia mecânica no Dartmouth College. Começou a carreira na Tesla, trabalhando no Model X. Depois passou pela Leap Motion (startup de realidade virtual) antes de chegar à OpenAI em 2018.

    Na OpenAI, ela escalou de pesquisadora pra CTO em tempo recorde. Foi ela quem liderou a transformação do GPT de projeto de pesquisa pra produto comercial — algo que cientistas normalmente odeiam fazer, mas Murati navegou com maestria.

    O lançamento do ChatGPT e a saída polêmica

    Em novembro de 2022, Murati foi uma das vozes decisivas pra lançar o ChatGPT como “research preview” — uma jogada que muitos dentro da OpenAI achavam arriscada. O resto é história: 100 milhões de usuários em 2 meses.

    Em novembro de 2023, durante o caótico fim de semana em que o board demitiu Sam Altman e depois recontratou, Murati foi nomeada CEO interina por 48 horas. Ela foi uma das poucas figuras que saiu da crise com reputação intacta.

    Em setembro de 2024, Murati anunciou sua saída da OpenAI. Motivo oficial: “quero criar tempo e espaço para exploração própria”. Motivo real (especulado): desentendimentos sobre a direção da empresa e o ritmo de lançamento de produtos.

    O que vem depois

    Nos meses seguintes à saída, Murati vem sendo cortejada por investidores pra fundar sua própria empresa de IA. Rumores sugerem algo focado em agentes de IA pra produtividade — uma competidora direta da OpenAI no mercado que ela ajudou a criar.

    Independente do que vier, Murati já é uma das engenheiras mais influentes da história da tecnologia. A pessoa que transformou pesquisa de ponta em produto que 200 milhões de pessoas usam. Nada mal pra quem começou na Albânia e foi parar no centro da maior revolução tecnológica do século.

  • Tim Berners-Lee: o cara que inventou a internet (e agora quer consertar ela)

    Tim Berners-Lee: o cara que inventou a internet (e agora quer consertar ela)

    Se você está lendo isso, agradeça a um engenheiro britânico que em 1989 fez uma proposta de projeto que o chefe chamou de “vago mas empolgante”. Essa proposta virou a World Wide Web.

    Tim Berners-Lee não inventou a internet (os protocolos já existiam). Ele inventou a web — o sistema de páginas com links que você usa todo dia. E em 2026, ele está tentando consertar o monstro que criou.

    Tim Berners-Lee: o cara que inventou a internet (e agora quer consertar ela)
    Wikimedia Commons — CC BY 2.0, autor Enrique Dans from Madrid, Spain

    O cara que deu a web de graça pro mundo

    Berners-Lee nasceu em Londres em 1955, filho de dois matemáticos que trabalharam no primeiro computador comercial britânico. Em 1989, trabalhando no CERN (o laboratório de física de partículas na Suíça), ele propôs um sistema pra compartilhar documentos entre cientistas.

    Ele criou três coisas que definiram a web: o HTML (linguagem das páginas), o HTTP (protocolo de transferência) e o URL (endereço web). Em 1991, o primeiro site foi ao ar — e Berners-Lee decidiu não patentear nada. Deu a web de presente pra humanidade.

    O arrependimento e a missão atual

    Três décadas depois, Berners-Lee está preocupado. A web que ele criou pra ser aberta e descentralizada virou um playground de vigilância corporativa, desinformação e monopólios.

    Em 2018, ele lançou o projeto Solid — uma tentativa de “re-decentralizar” a web. A ideia: seus dados ficam num POD (Personal Online Data Store) que você controla. Apps acessam seus dados com sua permissão, não sugam tudo pra um servidor do Google.

    Em paralelo, ele fundou a Inrupt, uma startup que constrói infraestrutura pro Solid. Empresas como o NHS (serviço de saúde britânico) e o governo de Flandres já testam a tecnologia.

    O legado

    Berners-Lee foi nomeado cavaleiro pela Rainha Elizabeth II em 2004. Ganhou o Prêmio Turing (o “Nobel da Computação”) em 2017. Mas seu maior legado é invisível: cada link que você clica, cada página que carrega, cada URL que digita. Tudo isso veio da cabeça de um engenheiro que queria ajudar cientistas a compartilhar documentos.

    E agora ele quer corrigir o rumo. Pode ser tarde demais. Mas se tem alguém com moral pra tentar, é ele.

  • Satya Nadella: o CEO discreto que transformou a Microsoft na empresa mais valiosa do mundo

    Satya Nadella: o CEO discreto que transformou a Microsoft na empresa mais valiosa do mundo

    Quando Satya Nadella assumiu a Microsoft em 2014, a empresa era sinônimo de passado: Windows, Office, atraso. Dez anos depois, ela é a segunda empresa mais valiosa do planeta — e a peça central da revolução da IA.

    Nadella é o CEO da Microsoft desde 2014 e, sob sua liderança, a empresa fez o que parecia impossível: deixou de ser a “dinossaura” de Redmond pra virar a empresa mais quente de tecnologia corporativa.

    Satya Nadella: o CEO discreto que transformou a Microsoft na empresa mais valiosa do mundo
    Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0, autor Brian Smale and Microsoft

    O cara que matou o “Windows First”

    Indiano, formado em engenharia elétrica e com MBA pela Universidade de Chicago, Nadella entrou na Microsoft em 1992. Durante 22 anos, subiu discretamente até se tornar CEO — sucedendo Steve Ballmer, que havia presidido a era mais estagnada da história da Microsoft.

    A primeira coisa que Nadella fez: matar a cultura “Windows First” que sufocava a empresa. Ele apostou em cloud (Azure), abriu o Office pra iOS e Android, comprou o LinkedIn por US$26 bilhões, e abraçou o open source — colocando Linux nos data centers da Microsoft.

    O resultado: a Microsoft passou de US$300 bilhões pra mais de US$3 trilhões em valor de mercado.

    O gênio por trás da jogada OpenAI

    O maior lance de Nadella foi em 2019: ele investiu US$1 bilhão na OpenAI, uma startup de IA que ninguém levava muito a sério. Foi a melhor aposta individual da história corporativa. Quando o ChatGPT explodiu em 2022, a Microsoft era a principal parceira — e injetou mais US$10+ bilhões nos anos seguintes.

    Hoje, toda a IA da Microsoft roda na infraestrutura Azure: o próprio ChatGPT, o Copilot (integrado no Windows e Office), os agentes empresariais. Nadella posicionou a Microsoft como “a plataforma da IA” — e está funcionando.

    Liderança discreta, resultados gigantes

    Nadella é o anti-Musk: discreto, sem polêmicas, focado em execução. Publicou um livro (Hit Refresh) sobre liderança empática. Sob seu comando, a Microsoft se tornou a empresa mais valiosa do mundo em vários momentos entre 2024 e 2026.

    E o mais impressionante: ele fez isso sem ser o fundador. A Microsoft já existia havia 40 anos. Nadella simplesmente a reinventou. É a prova de que liderança importa — muito.

  • Lisa Su: a CEO que salvou a AMD da falência e virou lenda do Vale do Silício

    Lisa Su: a CEO que salvou a AMD da falência e virou lenda do Vale do Silício

    Em 2014, a AMD estava quebrada, valia US$2 bilhões e era piada no mercado. Dez anos depois, vale mais de US$200 bilhões e compete de igual pra igual com Intel e NVIDIA. A responsável? Lisa Su.

    Lisa Su é a CEO da AMD desde 2014 e hoje é uma das executivas mais respeitadas do mundo da tecnologia — e a única mulher no topo da indústria de semicondutores.

    Lisa Su: a CEO que salvou a AMD da falência e virou lenda do Vale do Silício
    Wikimedia Commons — CC BY 4.0, autor Fuzheado

    De Taiwan ao MIT ao topo do mundo

    Su nasceu em Taiwan em 1969 e imigrou pros EUA aos 3 anos. Formou-se no MIT — bacharelado, mestrado e doutorado em engenharia elétrica. Trabalhou na Texas Instruments, IBM e Freescale antes de assumir a AMD em 2014, quando a empresa estava às portas da falência.

    O que ela fez foi um dos maiores turnarounds da história corporativa: cortou o que não funcionava, apostou numa arquitetura de chip completamente nova (Zen) e reconstruiu a empresa tijolo por tijolo.

    O turnaround que ninguém acreditava

    Quando Lisa Su assumiu, a ação da AMD valia US$2. O consenso do mercado era que a Intel era invencível. Ela apostou na arquitetura Zen, desenvolvida por Jim Keller, e em 2017 lançou os processadores Ryzen — que pela primeira vez em uma década competiam de verdade com os Intel Core.

    O resultado: a AMD foi de 0% de participação em servidores pra mais de 25%. Notebooks gamers? Dominou. A empresa que era piada virou benchmark.

    Em 2022, a AMD comprou a Xilinx por US$49 bilhões, entrando no mercado de chips programáveis (FPGAs). Hoje, a AMD compete com a NVIDIA no mercado de GPUs pra IA com a linha MI300X — ainda está atrás, mas é a única com chance real de desafiar o monopólio.

    Por que Lisa Su importa

    Além do turnaround épico, Lisa Su representa algo raro na indústria tech: liderança técnica de verdade. Ela entende engenharia de chip no nível mais profundo — literalmente escreveu a tese de doutorado sobre fabricação de semicondutores. Não é CEO de MBA que terceiriza decisões técnicas.

    Su também é prima de Jensen Huang (CEO da NVIDIA) — o que torna as reuniões de família bem interessantes. Dois dos CEOs mais importantes do planeta na mesma árvore genealógica, liderando as duas empresas que estão no centro da revolução da IA.

  • Demis Hassabis: o ganhador do Nobel que está redesenhando a ciência com IA

    Demis Hassabis: o ganhador do Nobel que está redesenhando a ciência com IA

    Enquanto o mundo discute chatbots, Demis Hassabis está usando IA pra ganhar Prêmios Nobel e descobrir como a vida funciona.

    Hassabis é o CEO e cofundador da DeepMind, o laboratório de IA do Google. Em 2024, ele ganhou o Prêmio Nobel de Química (junto com John Jumper) pelo AlphaFold — um sistema de IA que resolveu um problema de 50 anos da biologia: prever a estrutura 3D das proteínas.

    Demis Hassabis: o ganhador do Nobel que está redesenhando a ciência com IA
    Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0, autor Alain Herzog

    De prodígio do xadrez a gênio da IA

    Inglês, filho de pai grego-cipriota e mãe singapurense, Hassabis era criança prodígio no xadrez — mestre aos 13 anos. Formou-se em Cambridge, fundou uma empresa de games, fez PhD em neurociência e, em 2010, criou a DeepMind.

    Em 2014, o Google comprou a DeepMind por US$500 milhões. Em 2016, o AlphaGo derrotou o campeão mundial de Go — um jogo tão complexo que ninguém achava que computador conseguiria vencer humanos. Foi um momento histórico que mostrou pro mundo o potencial real da IA.

    AlphaFold: a IA que está acelerando a ciência em décadas

    O maior legado de Hassabis é o AlphaFold. Proteínas são as máquinas moleculares que fazem tudo no seu corpo. Saber o formato 3D delas é essencial pra criar remédios. Antes, descobrir a estrutura de UMA proteína levava anos de trabalho de PhD. O AlphaFold 2 (2021) previu 200 milhões de estruturas em semanas. O AlphaFold 3 (2024) foi além: prevê como proteínas interagem com DNA, RNA e potenciais medicamentos.

    Isso está acelerando descoberta de remédios, desenvolvimento de enzimas pra degradar plástico, e compreensão de doenças. Não é exagero dizer que o trabalho de Hassabis pode salvar milhões de vidas.

    A DeepMind também está por trás do Gemini, o modelo de IA do Google — um dos mais avançados do mundo. E o Isomorphic Labs, spin-off focado em descoberta de fármacos com IA, já fechou contratos bilionários com indústrias farmacêuticas.

    O legado

    Enquanto outros CEOs de IA brigam no Twitter, Hassabis publica papers científicos, ganha Nobel e avança o conhecimento humano. É provavelmente a pessoa mais importante da IA que você menos ouve falar. E talvez exatamente por isso.

  • Dario Amodei: o ex-funcionário que virou o maior pesadelo da OpenAI

    Dario Amodei: o ex-funcionário que virou o maior pesadelo da OpenAI

    Em março de 2026, a revista Time chamou a Anthropic de “a empresa mais disruptiva do mundo”. O CEO? Um italiano que trabalhava na OpenAI e saiu porque achou que a empresa estava indo na direção errada.

    Dario Amodei é o CEO e cofundador da Anthropic, a empresa por trás do Claude — o assistente de IA que virou o principal rival do ChatGPT. E a história de como ele chegou lá é uma das mais interessantes do Vale do Silício.

    Dario Amodei: o ex-funcionário que virou o maior pesadelo da OpenAI
    Wikimedia Commons — CC BY 2.0, autor UK Prime Minister

    De físico a pesquisador de IA a CEO rebelde

    Amodei nasceu na Itália mas cresceu nos EUA. Formou-se em física pela Caltech e fez PhD em neurociência em Princeton — estudando como circuitos neurais reais funcionam no cérebro. Depois foi pesquisador no Google Brain e, em 2016, juntou-se à OpenAI como um dos primeiros cientistas.

    Na OpenAI, Amodei liderou a pesquisa que criou o GPT-2 e GPT-3. Ele era um dos cérebros por trás dos modelos que correram o mundo. Mas em 2020, ele e um grupo de colegas saíram da empresa. O motivo: eles achavam que a OpenAI estava priorizando velocidade e lançamentos em vez de segurança.

    Claude: o concorrente que ninguém esperava

    Amodei e sua irmã Daniela (também cientista da OpenAI) fundaram a Anthropic com uma missão clara: criar IA segura, útil e honesta. O primeiro modelo Claude saiu em 2023 e era… OK. Mas em 2025-2026, a Anthropic acelerou de um jeito assustador.

    O Claude Sonnet 4.6 virou referência em programação. O Claude Code começou a substituir trabalho real de desenvolvedores. Em 2026, a Anthropic lançou o Claude Cowork — um agente de IA empresarial que não só conversa, mas executa tarefas multi-etapas. Hoje, muitos desenvolvedores preferem Claude ao ChatGPT.

    O mais curioso? Em abril de 2026, o código-fonte do Claude Code vazou — um desastre de segurança que só aumentou o interesse pela empresa.

    O que diferencia Amodei

    Enquanto Sam Altman (OpenAI) fala em dominar o mercado, Amodei fala em “alignment” — garantir que IAs poderosas não saiam do controle. É uma diferença de filosofia que está definindo a direção da IA nos próximos anos: velocidade vs. segurança, hype vs. cautela, dominar vs. servir.

    E até agora, a abordagem cautelosa dele está ganhando.

  • Elon Musk: o homem mais polêmico da tecnologia (e talvez do mundo)

    Elon Musk: o homem mais polêmico da tecnologia (e talvez do mundo)

    Amado, odiado, meme, gênio, vilão. Ninguém no planeta divide mais opiniões no mundo da tecnologia do que Elon Musk.

    Nascido na África do Sul em 1971, Musk é o empreendedor mais multifacetado da história recente: Tesla (carros elétricos), SpaceX (foguetes), Neuralink (chips no cérebro), xAI (inteligência artificial), The Boring Company (túneis), e X/Twitter (rede social). Não tem ninguém fazendo tanta coisa diferente — ao mesmo tempo.

    Elon Musk: o homem mais polêmico da tecnologia (e talvez do mundo)
    Wikimedia Commons — Public domain, autor U.S. Air Force / Trevor Cokley

    O que ele realmente fez

    A Tesla praticamente criou o mercado de carros elétricos modernos. Antes do Model S (2012), carro elétrico era carrinho de golfe. Hoje, mesmo com a chinesa BYD tendo ultrapassado a Tesla em volume, foi Musk quem provou que elétricos podiam ser desejáveis, rápidos e lucrativos.

    A SpaceX fez algo que só três governos tinham conseguido: colocar humanos em órbita. Mas foi além — criou foguetes reutilizáveis (Falcon 9) que pousam de volta, derrubando o custo de ir ao espaço em 90%. O Starship, seu foguete gigante, é projetado pra levar humanos a Marte.

    A Neuralink implantou chips no cérebro de pacientes paralisados que agora controlam computadores com o pensamento. É ficção científica virando realidade clínica.

    O Musk de 2026: X, xAI e controvérsias

    Em 2022, Musk comprou o Twitter por US$44 bilhões, rebatizou de X e demitiu 80% dos funcionários. A plataforma perdeu anunciantes, usuários migraram pra Bluesky e Threads, mas o X continua relevante — especialmente pra notícias e debates políticos.

    Em 2023, ele fundou a xAI, sua própria empresa de inteligência artificial, e lançou o Grok — um chatbot integrado ao X. Musk é abertamente crítico da OpenAI (que ele ajudou a fundar) e defende IA open-source.

    As polêmicas: tweets impulsivos, processos da SEC, acusações de criar ambiente de trabalho tóxico, teorias da conspiração amplificadas. Musk é uma máquina de controvérsia que não desliga.

    Gênio, personagem ou os dois?

    A resposta honesta: os três. Musk tem uma capacidade incomum de enxergar futuros que ninguém mais vê e arriscar tudo pra construí-los. Mas também é impulsivo, egocêntrico e trata pessoas como descartáveis. É o Tony Stark da vida real — com todos os defeitos que isso implica.

  • Jensen Huang: o cara da jaqueta de couro que vale mais que o PIB do Brasil

    Jensen Huang: o cara da jaqueta de couro que vale mais que o PIB do Brasil

    Você provavelmente nunca ouviu a voz dele. Mas cada vez que você usa IA, o chip que processa foi projetado pela empresa dele.

    Jensen Huang é o CEO e cofundador da NVIDIA — a empresa que fabrica as GPUs (placas de vídeo) que treinam praticamente toda inteligência artificial do planeta. Em outubro de 2025, a NVIDIA se tornou a primeira empresa da história a valer US$4 trilhões. Isso é mais que o PIB do Brasil.

    Jensen Huang: o cara da jaqueta de couro que vale mais que o PIB do Brasil
    Wikimedia Commons — CC BY-SA 4.0, autor Anderseidesvik

    De garçom do Denny’s a trilhardário

    Huang nasceu em Taiwan em 1963 e imigrou pros EUA ainda criança. Formado em engenharia elétrica por Stanford, fundou a NVIDIA em 1993 numa mesa do restaurante Denny’s. A ideia original: criar chips gráficos pra videogames. Mas ele percebeu cedo que aqueles chips podiam fazer muito mais.

    O lance genial de Huang foi o CUDA — uma plataforma de software que transformou placas de vídeo em supercomputadores programáveis. Quando a revolução da IA explodiu em 2012-2015, a NVIDIA já tinha a infraestrutura pronta. Foi como ser o único vendedor de picaretas durante a corrida do ouro.

    US$4 trilhões de valor — mas por quanto tempo?

    Hoje a NVIDIA domina ~90% do mercado de chips pra IA. Cada H100 (a GPU mais avançada) custa entre US$25 mil e US$40 mil — e tem fila de meses pra comprar. Mas 2025 trouxe um susto: a chinesa DeepSeek demonstrou que dá pra treinar IA competitiva com muito menos hardware, e a NVIDIA perdeu US$600 bilhões em valor de mercado em um único dia.

    Huang é famoso pela jaqueta de couro preta que usa em todas as apresentações — virou marca registrada. Também é conhecido por tatuar o logo da NVIDIA no braço quando a empresa bateu certas metas. Intensidade level máximo.

    O que vem depois

    A NVIDIA já está preparando a próxima geração: a arquitetura Rubin (2026) promete ser ainda mais potente que a Blackwell atual. Huang também está apostando em “AI factories” — data centers inteiros dedicados exclusivamente a treinar e rodar IA. Se ele estiver certo sobre o futuro, a NVIDIA ainda está no começo. Se estiver errado, US$4 trilhões podem evaporar rápido.

  • Sam Altman: o cara que trouxe o ChatGPT pro mundo (e agora tá em apuros)

    Sam Altman: o cara que trouxe o ChatGPT pro mundo (e agora tá em apuros)

    Se tem uma pessoa que define o hype da inteligência artificial em 2026, é Sam Altman.

    Sam Altman é o CEO e cofundador da OpenAI — a empresa por trás do ChatGPT. Se você já usou IA pra escrever um email, gerar uma imagem ou pedir ajuda com código, provavelmente foi tecnologia que saiu de uma empresa comandada por ele.

    Sam Altman: o cara que trouxe o ChatGPT pro mundo (e agora tá em apuros)
    Wikimedia Commons — CC BY 2.0, autor TechCrunch

    De empreendedor teen a CEO mais vigiado do planeta

    Altman nasceu em 1985 em Chicago e começou a empreender cedo: aos 19 anos, largou Stanford pra fundar a Loopt, um app de localização social. Não deu certo, mas chamou atenção de gente grande: o investidor Paul Graham o convidou pra liderar a Y Combinator, a aceleradora de startups que criou Airbnb, Dropbox, Stripe e Reddit.

    Em 2015, Altman cofundou a OpenAI com Elon Musk e outros investidores. A missão original: criar inteligência artificial que beneficiasse a humanidade. Mas em 2018 Musk saiu brigado, e Altman assumiu o controle total. Em 2022, ele lançou o ChatGPT — e o mundo nunca mais foi o mesmo.

    O homem de $80 bilhões que admite que existe bolha

    A OpenAI foi avaliada em mais de US$80 bilhões e tem a Microsoft como principal investidora, com mais de US$13 bilhões injetados. Mas 2026 não está sendo gentil com Altman: o app Sora (geração de vídeo) foi fechado, a Disney desistiu de investir US$1 bilhão, o GPT-5 não saiu até agora, e o próprio Altman admitiu publicamente que existe uma “bolha de IA”.

    Enquanto isso, concorrentes como a Anthropic e a chinesa DeepSeek estão mordendo os calcanhares da OpenAI — e em alguns casos, ultrapassando.

    Visionário ou vendedor de hype?

    Altman é uma figura polêmica. Fãs o veem como o Steve Jobs da IA — alguém que enxerga o futuro antes dos outros. Críticos dizem que ele é um mestre do hype que construiu uma empresa insustentável em cima de promessas. A verdade provavelmente está no meio: Altman tem faro pra tendências e talento pra executar, mas também exagera — e o mercado está começando a cobrar a conta.

    Curiosidade: Altman é “prepper” — ele tem um bunker, estoque de armas, ouro e remédios pra caso a civilização colapse. O cara que criou o ChatGPT tem medo do futuro que a IA pode trazer. Pense nisso.