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  • Geoffrey Hinton: o ‘padrinho da IA’ que se arrependeu e agora é a voz do alarme

    Geoffrey Hinton: o ‘padrinho da IA’ que se arrependeu e agora é a voz do alarme

    Ele dedicou 50 anos da vida a criar a inteligência artificial que temos hoje. E agora passa os dias avisando que isso pode ser um erro catastrófico pra humanidade.

    Geoffrey Hinton é chamado de “Godfather of AI” (padrinho da IA) por um motivo simples: ele inventou as redes neurais profundas — a tecnologia base de absolutamente tudo que chamamos de IA hoje. ChatGPT, AlphaFold, carros autônomos, reconhecimento facial, tudo. Tudo começou com ideias que Hinton desenvolveu nos anos 80 e 90.

    50 anos insistindo quando ninguém acreditava

    Hinton nasceu em Londres em 1947, numa família de cientistas — o tataravô dele foi George Boole, o matemático que inventou a lógica booleana que roda em cada chip de computador. A linhagem de gênios matemáticos é forte.

    Nos anos 80 e 90, praticamente ninguém levava redes neurais a sério. A IA “mainstream” era lógica simbólica — regras explícitas programadas por humanos. Hinton insistiu por décadas que a verdadeira IA viria de sistemas que aprendem sozinhos, como o cérebro.

    Em 2012, ele e dois alunos (Ilya Sutskever e Alex Krizhevsky) criaram a AlexNet — uma rede neural que destruiu a competição num desafio de reconhecimento de imagens. Foi o momento que convenceu o mundo de que deep learning funcionava. O Google comprou a empresa dos três por US$44 milhões. O resto é revolução.

    O arrependimento do padrinho

    Hinton trabalhou no Google por 10 anos. Mas em 2023, pediu demissão. O motivo: ele percebeu que a IA estava evoluindo muito mais rápido do que ele imaginava — e os riscos eram maiores do que ele havia calculado.

    Desde então, Hinton se tornou a voz mais respeitada no campo do “AI safety”. Ele alerta que IAs podem se tornar mais inteligentes que humanos em 5-20 anos, que existe risco real de extinção, e que empresas estão priorizando lucro sobre segurança.

    Em 2024, ele ganhou o Prêmio Nobel de Física (junto com John Hopfield) pelo trabalho em redes neurais. A ironia: o maior reconhecimento científico veio no momento em que ele está pedindo pra humanidade pisar no freio.

    O dilema de Hinton

    Hinton personifica o dilema central da era da IA: o que fazer quando a coisa que você criou pra ajudar pode, potencialmente, causar danos imensos? Ele não tem resposta fácil. Mas tem o respeito de todo mundo — dos criadores de IA que ele treinou (Sutskever fundou a OpenAI e hoje lidera a Safe Superintelligence Inc.) aos reguladores que tentam controlar a tecnologia.

    Se o padrinho da IA está com medo, talvez a gente devesse prestar atenção.

  • Demis Hassabis: o ganhador do Nobel que está redesenhando a ciência com IA

    Demis Hassabis: o ganhador do Nobel que está redesenhando a ciência com IA

    Enquanto o mundo discute chatbots, Demis Hassabis está usando IA pra ganhar Prêmios Nobel e descobrir como a vida funciona.

    Hassabis é o CEO e cofundador da DeepMind, o laboratório de IA do Google. Em 2024, ele ganhou o Prêmio Nobel de Química (junto com John Jumper) pelo AlphaFold — um sistema de IA que resolveu um problema de 50 anos da biologia: prever a estrutura 3D das proteínas.

    De prodígio do xadrez a gênio da IA

    Inglês, filho de pai grego-cipriota e mãe singapurense, Hassabis era criança prodígio no xadrez — mestre aos 13 anos. Formou-se em Cambridge, fundou uma empresa de games, fez PhD em neurociência e, em 2010, criou a DeepMind.

    Em 2014, o Google comprou a DeepMind por US$500 milhões. Em 2016, o AlphaGo derrotou o campeão mundial de Go — um jogo tão complexo que ninguém achava que computador conseguiria vencer humanos. Foi um momento histórico que mostrou pro mundo o potencial real da IA.

    AlphaFold: a IA que está acelerando a ciência em décadas

    O maior legado de Hassabis é o AlphaFold. Proteínas são as máquinas moleculares que fazem tudo no seu corpo. Saber o formato 3D delas é essencial pra criar remédios. Antes, descobrir a estrutura de UMA proteína levava anos de trabalho de PhD. O AlphaFold 2 (2021) previu 200 milhões de estruturas em semanas. O AlphaFold 3 (2024) foi além: prevê como proteínas interagem com DNA, RNA e potenciais medicamentos.

    Isso está acelerando descoberta de remédios, desenvolvimento de enzimas pra degradar plástico, e compreensão de doenças. Não é exagero dizer que o trabalho de Hassabis pode salvar milhões de vidas.

    A DeepMind também está por trás do Gemini, o modelo de IA do Google — um dos mais avançados do mundo. E o Isomorphic Labs, spin-off focado em descoberta de fármacos com IA, já fechou contratos bilionários com indústrias farmacêuticas.

    O legado

    Enquanto outros CEOs de IA brigam no Twitter, Hassabis publica papers científicos, ganha Nobel e avança o conhecimento humano. É provavelmente a pessoa mais importante da IA que você menos ouve falar. E talvez exatamente por isso.