Janeiro de 1996. Três meninas — Liliane, Valquíria e Kátia Xavier, de 14 a 22 anos — caminhavam por um terreno baldio no bairro Jardim Andere, em Varginha, Minas Gerais. Encontraram uma criatura agachada junto a um muro: cerca de 1,60m, pele marrom oleosa, cabeça desproporcional com três protuberâncias, olhos vermelhos sem pupila. As meninas gritaram e correram. O que veio depois transformaria Varginha na capital brasileira da ufologia — e, surpreendentemente, ofuscaria o testemunho de pelo menos outras 11 pessoas que também viram algo naquele mesmo dia.
O Relato Oficial Das Meninas
Liliane e Valquíria Silva, junto com Kátia Andrade Xavier, deram entrevistas consistentes por anos. Descreveram o mesmo ser, no mesmo local, com os mesmos detalhes. A mãe de Liliane e Valquíria, Luíza Silva, contou que as filhas chegaram em casa “brancas de susto” e que a mais nova “não comeu, só chorou”. O relato das meninas é o pilar do caso.
Mas o que a cobertura midiática da época — e os programas de TV que revisitam o caso até hoje — frequentemente omite é que as três meninas não foram as únicas.
As 11 Testemunhas Esquecidas
1. Eurico de Freitas (casal de caseiros): Horas antes do encontro das meninas, Eurico e sua esposa, que tomavam conta de um sítio próximo, relataram ter visto uma “criatura estranha” atravessando o pasto. Chamaram a Polícia Militar, que registrou a ocorrência.
2. Sargento da PM: Um sargento da Polícia Militar, cujo nome foi mantido em sigilo, afirmou em entrevista reservada a pesquisadores que participou da captura de uma das criaturas com uma rede. Descreveu o cheiro como “amônia misturada com enxofre”.
3-4. Dois bombeiros: Pelo menos dois bombeiros do Corpo de Bombeiros de Varginha foram acionados para capturar “um animal estranho”. Um deles, o cabo Marco Eli Chereze, teria segurado a criatura com as mãos. Chereze morreu semanas depois de uma infecção fulminante — os ufólogos alegam que foi contaminação pelo contato com o ser; o hospital diagnosticou pneumonia bacteriana.
5. Motorista de caminhão: Um motorista que passava pela rodovia Fernão Dias na madrugada do mesmo dia relatou ter visto um “bicho diferente” na pista, que teria sido atropelado. Segundo seu depoimento a ufólogos, uma viatura do Exército chegou minutos depois e recolheu algo da estrada.
6-7. Duas enfermeiras do Hospital Regional: Enfermeiras do Hospital Regional de Varginha afirmaram ter visto militares transportando uma maca coberta com um lençol, da qual escorria um líquido escuro. Uma delas disse ter visto “um pé com três dedos” saindo por baixo do lençol.
8. Médico legista: O Dr. Fortunato Badan Palhares, legista renomado, foi chamado para examinar um dos corpos. Em entrevistas posteriores, foi evasivo, dizendo que “não poderia comentar” o que viu, mas que “não era humano”.
9-10. Dois soldados do Exército: Soldados do 24º Batalhão de Caçadores, baseado em Varginha na época, relataram a colegas e familiares ter escoltado caixas de madeira lacradas do Hospital Regional para a base do Exército em Três Corações, de onde teriam seguido para São Paulo em um avião Hércules C-130.
11. Dona de pensão: A proprietária de uma pensão onde se hospedavam supostos agentes americanos relatou que os hóspedes falavam inglês entre si, evitavam contato e saíram abruptamente após dois dias.
A Versão Oficial — E Seus Problemas
O Exército Brasileiro mantém a versão de que se tratava de um morador de rua com deficiência, ou um casal de anões com deformidades, ou um macaco — a versão oficial mudou várias vezes. O laudo médico de Chereze indica pneumonia, mas o fato de que vários militares envolvidos adoeceram na mesma semana nunca foi explicado satisfatoriamente.
O Que Sobra
Trinta anos depois, o caso ET de Varginha continua sem conclusão. As meninas cresceram, se casaram, mantiveram seus relatos. As outras testemunhas ou morreram ou se recusam a falar publicamente. Os arquivos militares da operação permanecem classificados — oficialmente por “conterem informações sobre equipamentos de defesa”.
A verdade provavelmente está em algum lugar entre o extraordinário e o banal. Mas a quantidade de testemunhas, a consistência dos relatos e a reação desproporcional das autoridades sugerem que algo — seja o que for — realmente aconteceu em Varginha, naquele janeiro de 1996.
